Mar 27 2009
Coletiva de imprensa: Multishow Registro – Vanguart
“Cuidado com a menina de amarelo”, advertiu Helio Flanders, ao saber que eu representava o MTJ! na entrevista coletiva da última segunda feira, dia 23 de março. Tudo culpa de Alex Correa, que em agosto de 2008 entrevistou o vocalista do Vanguart e fez algumas “perguntas capciosas”.
Se na primeira vez as respostas vieram com uma certa dificuldade, nesta as coisas fluíram muito mais tranquilas. Influências musicais, internet, mercado fonográfico e a relação com os fãs foram alguns dos assuntos abordados por Helio.
O encontro aconteceu em razão do lançamento do CD e do DVD Multishow Registro – Vanguart (Gustavo Pelogia esteve nas gravações. Leia aqui.), que chegaram às lojas esta semana. Apesar de todos os integrantes estarem presentes na entrevista, quem sempre toma a palavra é o vocalista, como que assumindo a personificação do Vanguart – ainda que afirme enfaticamente “que são cinco sons que fazem a banda”.
Todos eles tinham projetos anteriores ao Vanguart. Acid Jazz, grunge, hard-core fazem parte do passado dos músicos. Flanders foi ainda mais longe: na adolescência, teve uma banda de glam chamada Valium. Apesar de os estilos parecerem totalmente distintos, a experiência de cada um mostrou-se essencial para chegarem ao som da banda hoje. “Tentamos ser mais conservadores, mas não deu muito certo”, diz Helio, que complementa: “quanto mais longe íamos nas ideias, melhor ficava”. O resultado? O som inusitado que conhecemos hoje.
É indiscutível o comando que Helio toma para si. Afinal, foi ele que trouxe CDs de folk após a viagem de auto-conhecimento (como diz o texto assinado pela apresentadora Lorena Calábria que acompanha o release) feita pela América do Sul. Além disso, o nome da banda foi escolha dele, tendo como referências Andy Warhol e o movimento beatnik. Questionado se ele é mesmo a alma do grupo, o vocalista vem com uma resposta politicamente correta: “se tirarmos um integrante, o arranjo fica diferente”. Quanto ao nome aparentemente pretensioso, eles admitem que pode dar a impressão de que são arrogantes ao se auto-intitularem “de vanguarda”. “Mas a gente fazia um som folk, em Cuiabá. Daí resolvemos abraçar essa aberração”, admite Flanders.
O discurso simpático continua. Falam sobre a necessidade de se relacionar bem com os fãs, estando disponíveis para os inevitáveis pedidos de autógrafo. No início da entrevista, resolvem não atacar os críticos musicais e repetem a velha história de que acreditam mais nas críticas negativas do que nas positivas. Um pouco mais tarde, porém, Helio demonstra sua insatisfação com o trabalho dos jornalistas, afirmando que alguns deles não conseguem entender o trabalho da banda. Cita o exemplo de uma crítica à letra de Semáforo (que diz: Só acredito no semáforo/Só acredito no avião/Eu acredito no relógio). No texto, o jornalista dizia não ver nenhum sentido nas palavras cantadas pelo vocalista. Flanders se exalta: “Isso é metafórico! Rimbaud já fazia isso há séculos”. (nota da redação: dá até pra engolir a história de que o nome da banda não tem a ver com o fato de eles se acharem vanguardistas; comparar-se com Rimbaud, no entanto, parece forçoso demais.)

As influência musicais são as óbvias: Bob Dylan e Beatles. A importância é tamanha que, para eles, um jovem não entenderá o som do Vanguart se não tivere um prévio conhecimento do quartento inglês. Sobre a versão de “O Mar”, de Dorival Caymmi, Flanders diz que a intenção é justamente fazer uma nova canção, como uma espécie de homenagem àqueles que os músicos admiram. “Estranho seria se tocássemos Dylan”, ele ri. Segundo o vocalista, eles pararam de ouvir música internacional produzida a partir dos anos 1990. Los Porongas, Ludovic, Móveis Coloniais de Acaju e Macaco Bong (também de Cuiabá, como o Vanguart) são algumas das bandas brasileiras presentes nas playlists da banda. O argentino Luis Alberto Spinetta, a música instrumental e o jazz também fazem parte do que eles consideram importante musicalmente.
A inevitável comparação com o Los Hermanos é rebatida. Sob o ponto de vista do quinteto cuiabano, o som das duas bandas é completamente diferente. Contudo, eles admitem que a banda de Marcelo Camelo abriu portas para uma nova cena musical. Os pontos de semelhança resumiriam-se, então, à sinceridade das letras e o bom relacionamento com os fãs.
Para honrar a fama do blog, a pergunta capciosa não pôde faltar. Flanders falava entusiasmado da internet, de como revolucionou o mundo da música e admitiu que eles jamais seriam conhecidos no eixo Rio-SP se não fosse o mundo virtual. Observou, ainda, que diversas bandas da cena rock de Cuiabá está trilhando o mesmo caminho. Se tudo são flores, por qual razão eles estão fazendo o percurso inverso? Em tempos que o Radiohead disponibiliza seu álbum online, em que usuários de P2P estão sendo presos por download ilegal de músicas, como uma banda dita independente pode assinar contrato com uma grande gravadora (no caso, a Universal)?
A resposta é uma só: dinheiro. A dificuldade para lançar produtos sem ter um lastro financeiro é o maior problema. “Material gráfico e promocional, assessoria de imprensa, figurino, equipamento… tudo isso tem um custo. Não era possível arcarmos sozinhos com estas coisas”, responde Helio. Ele explica: “O contrato foi totalmente oportuno. Precisávamos do apoio de uma gravadora, e ela nos deu toda a liberdade de continuarmos criando. Nosso sonho é continuar gravando e, daqui a um tempo, olhar para trás e vermos que fizemos bons discos e que tudo valeu a pena”.
Idealismos à parte, o vocalista concorda que a realidade de troca de arquivos online não tem mais volta. “O mercado tem que ser repensado”, afirma, apontando prováveis caminhos: “talvez a venda oficial de música pela internet seja uma saída”. Se um fã da banda for pego baixando músicas do Vanguart, Helio crê que o bom senso deve ser usado – resta saber se os executivos da gravadora concordam com isso.
O canal Multishow apresentou o show banda na quarta feira, 25 de março. A reprise acontecerá no domingo, dia 29, às 20h15. Apesar de ter sido anunciado o lançamento em lojas para o dia 26, as principais lojas online ainda não têm os produtos (CD e DVD) à venda.
Nádia Lapa




















Multishow ama o Vanguart ou é impressão minha, eles não param de fazer aquele Merchan básico.
URGENTE!!!! não consegui gravar o show do tokio hotel e tenho uma sobrinha de 15 anos que está muito doente e sua imunodade até baixou porque não viu o show…gostaria de saber nse alguém tem o dvd para vender ou se vai reprisar….por favor preciso de uma resposta urgente bjos