Coluna Miojo Indie #1: Girls, Male Bonding e Fool’s Gold

A partir de hoje, semanalmente – e geralmente às segundas -, rola por aqui a Coluna Miojo Indie. Pra quem não conhece, o Miojo é um blog mega esperto e atualizado que ainda não soprou velinha nem de um ano de idade. Se você curte listas dos mais variados temas, mixtapes e resenhas quentíssimas dos últimos lançamentos, não deixe de dar uma passadinha por lá, ou seguir o blog no Twitter. E em sua estreia aqui no Move, o Miojo Indie traz reviews dos últimos lançamentos do Girls, Male Bonding e Fool’s Gold. Vê aí:

Girls – Father, Son, Holy Ghost

(2011, True Panther Sounds)

Se alguém esperava que Christopher Owens e Chet “JR” White, a dupla de pensadores por trás do Girls, voltasse com um som similar ao que fora reproduzido nos dois primeiros discos da banda – Album, de 2009, e Broken Dreams Club EP, de 2010 – verá que em seu novo registro, os rumos do grupo californiano são completamente outros. Deixando um pouco de lado as transições pela música lo-fi e os ritmos praieiros dos anos 60, o duo faz de Father, Son, Holy Ghost um disco que ressalta o uso das guitarras, experiências pelo garage rock da década de 1970, toques de soul music e até algumas doses de Guns ‘n’ Roses em alguns momentos (ouça a faixa “Die” e você entenderá). Incrivelmente doloroso, o álbum segue apresentando os mesmos lamentos amorosos que Owens já vinha ressaltando em seus anteriores trabalhos, transformando músicas como “Vomit” em verdadeiros hinos para os indivíduos solitários e de coração partido.

Male Bonding – Endless Now

(2011, Sub Pop)


Quem esperava que o trio britânico Male Bonding descansasse após o lançamento de sua elogiada estreia – Nothing Hurts, de 2010 – ficará mais do que satisfeito em saber que o grupo já está de volta, e de posse de um novo álbum ainda mais sujo que seu anterior. Denominado Endless Now, o atual trabalho da banda londrina os afasta visivelmente das aspirações ao punk e ao garage rock dos anos 80, puxando o grupo para junto de um som que parece focar na década de 90 e beber diretamente do noise rock. As guitarras ágeis de John Arthur Webb, o baixo pontual de Kevin Hendrick e a bateria surrada de Robin Silas Christian ainda estão lá, um pouco mais melódicos, menos anárquicos, porém ainda sim surpreendentes. Para quem acha que o atual cenário musical tem apresentado bandas excessivamente brandas em seus versos e ponderadas em sua instrumentação, faixas como “Bones” e “What’s That Scene?” devem encerrar essa visão, afinal, do princípio ao fim Endless Now é um disco em que os ruídos, berros e guitarradas ditam as regras.

Fool’s Gold – Leave No Trace

(2011, IAMSOUND Records)


Desde que o Vampire Weekend apresentou ao mundo seu primeiro registro em estúdio, trazendo as referências da cultura africana para junto da música pop, um bom número de artistas passaram a ecoar as mesmas sonoridades buscadas por Ezra Koenig e seus parceiros, cada um de uma maneira peculiar. Buscando sua essência na música africana de raiz e temperando tudo com doses de um indie pop dançante e descompromissado, os californianos do Fool’s Gold fazem de seu novo álbum um registro que esbanja guitarras suingadas e sons ensolarados, temperando tudo com alguns sintetizadores coloridos e montados para fisgar o público. Através de dez composições, a banda apresenta desde faixas propícias para as pistas, como “Street Clothes” (que de alguma forma lembra os trabalhos do Talking Heads em suas transições pela world music) e “Wild Window”, até criações mais amenas, como “Lantern”, uma balada esculpida em cima das referências ao afrobeat. Se você já gostava de Holger ou Vampire Weekend, então Fool’s Gold é a indicação mais do que acertada.

Textos: Cleber Facchi

  • Nádia

    Nossa, os dois sites que eu mais gosto juntos, espero que a parceria dure. Bem que poderia rolar mais discos de indicação, não? Só três é muito pouco. Poderia rolar uma música de cada álbum também, como amostra. Enfim, eu gostei muito. A indicação do Girls é a melhor, pra mim é o disco do ano!

  • Rafael

    Father Son Holy Ghost já é o melhor album de 2011