Coluna Miojo Indie #12: Cloud Nothings, Trailer Trash Tracys e Lindstrøm

Chegamos à 12ª edição da Coluna Miojo Indie,, o espaço destinado a pequenos reviews e dicas de lançamentos fresquinhos e que têm tudo pra estourar por aí. Hoje, teremos uma palavrinha sobre os discos mais recentes do Cloud Nothings, do grupo londrino Trailer Trash Tracys e do produtor Lindstrøm.

Cloud Nothings

Attack On Memory (2012, Carapark)


Não há como definir a profunda evolução entre o primeiro e o segundo registro da carreira do Cloud Nothings sem valer-se de expressões como “surpreendente” ou “inacreditável”. Se até pouco tempo Dylan Baldi se evidenciava como um compositor jovial, criador de versos que pareciam se relacionar diretamente com a tenra idade que ostentava, agora, com a chegada de Attack On Memory, o músico dá um salto incrível em relação ao lançamento anterior, produzindo uma sucessão de oito faixas marcadas pela agressividade das guitarras e a crueza de seus versos. Ao mesmo tempo em que cresce de maneira séria e adulta no decorrer do registro, o músico e os parceiros que o acompanham mantém durante todo o tempo a busca por uma sonoridade jovial, algo que bem definido na dualidade densa e acelerada de “Wasted Days” e tantas outras músicas presentes no registro.

Ouça: Wasted Days

Trailer Trash Tracys

Ester (2012, Domino/Double Six)


Com a chegada do Yuck em idos de 2011 estava praticamente estabelecido que as regras no rock britânico agora seriam outras. Nada das velhas conexões ao pós-punk que marcaram o trabalho de boa parte das grandes bandas na década passada, a partir de agora guitarras estridentes, bases sujas e solos ruidosos ditariam as regras do que seria ecoado no Reino Unido e o quarteto Trailer Trash Tracys talvez seja o melhor exemplo disso. Utilizando My Bloody Valentine e The Jesus and Mary Chain como maiores influências, o grupo londrino transformar o primeiro disco em um amontoado de sons densos, reverberações sufocantes e toda uma pluralidade de elementos que transitam entre o acessível e o desconcertante. Através de músicas como “You Wish You Were Red” e “Turkish Heights”, o grupo ressalta toda uma variedade de sons que marcaram os anos 1990, produzindo um trabalho que se mantém durante toda a execução um resultado agradável e sufocante.

Ouça: You Wish You Were Red

Lindstrøm

Six Cups Of Rebel (2012, Smalltown Supersound)


Hans-Peter Lindstrøm sempre foi um produtor de singles, remixes e projetos menores, nunca de grandes obras fechadas. Talvez isso explique os motivos de muitas pessoas terem criticado o trabalho do norueguês quando este lançou Where You Go I Go Too em agosto de 2008, um disco que mesmo satisfatório parecia ficar aquém das criações individuais do artista. Quatro anos depois de sua estreia – que inclui também um registro colaborativo com a norueguesa Christabelle em 2010 -, Lindstrøm retorna com um álbum capaz de concentrar a mesma energia estabelecida nas obras menores do produtor, ao mesmo tempo em que o trabalho se orienta para a construção de um registro grandioso, marcado por vocais sincopados, batidas que vão da disco music à cena house dos anos 1990, enquanto todo um colossal encontro de ruídos sintéticos, teclados e elementos cativantes se orientam para a formatação de algo rico, vasto e pronto para as pistas. Se alguém precisava de um hit para 2012, “Deja Vu” é a melhor dica.

Ouça: Deja Vu

Textos: Cleber Facchi