Coluna Miojo Indie #13: Grimes, Vivendo do Ócio e Chairlift

Prontos pra mais reviews fresquinhos na Coluna Miojo Indie? Na edição de hoje, a décima-terceira, esmiuçamos os discos da mocinha-promessa Grimes, dos baianos do Vivendo do Ócio e da dupla americana Chairlift.

Grimes

Visions (2012, 4AD)


Há menos de um ano a canadense Claire Boucher, mais conhecida como Grimes, apresentava ao mundo o experimental e doce Geidi Primes, primeiro grande álbum da carreira e registro que introduziu o público ao peculiar universo musical da artista. Agora, filiada a um grande selo (o 4AD, por onde já passaram Pixies, Deerhunter e Gang Gang Dance) e melhor ciente do trabalho que promove, a musicista chega com o estranho e convidativo Visions, um trabalho em que percorre a suavidade do dream pop, brinca com a eletrônica, quebra a música experimental e alcança uma mistura pop descompromissada da qual é única dona. Se através dos singles “Oblivion” e “Genesis” a cantora já proporcionava uma ampla noção de como seria administrado o trabalho, com a chegada do registro vemos que há muito mais a ser explorado no estranho ambiente criado por Grimes.

Ouça: Oblivion

Vivendo do Ócio

O Pensamento é um Imã (2012, Deck Disc)


Queridinhos de um sem número de ouvintes brasileiros, a banda Vivendo do Ócio deixou a cidade de Salvador, na Bahia para se transformar em um dos pequenos fenômenos do indie rock tupiniquim, feito que o quarteto justifica com ousadia e boas guitarras através do terceiro registro em estúdio, O Pensamento É Um Imã. Produzido por Rafael Ramos e Chuck Hipolitho, o disco é uma sucessão de concisas guitarras, cada vez mais distantes do resultado óbvio de outrora e muito mais próximas de um garage rock compromissado e sujo – influência clara de Hipolitho. Ao mesmo tempo em que o trabalho desmistifica a tonalidade excessivamente jovial do grupo, enquadrando-os em um caso real de maturidade musical, os pequenos apoios na música eletrônica (“Dois Mundos”) e até referências regionalistas (“O Mais Clichê”) encaminham a banda para novas possibilidades, tornando o registro muito mais rico e interessante que os anteriores trabalho do grupo.

Ouça: Dois Mundos

Chairlift

Something (2012, Columbia/Young Turks)


Cansado de bandas se apropriando das exatas mesmas referências ao synthpop proclamado há mais de três décadas? Então talvez a dupla norte-americana Chairlft seja capaz de inverte essa lógica. Longe das afetações musicais que caracterizaram a música da década de 1980 e opositores dos excessos cometidos ao longo de toda a última década, o duo composto por Caroline Polachek e Patrick Wimberly consegue transformar o segundo álbum da carreira em uma coletânea de formidáveis criações. Faixas que transitam constantemente entre o dançante e comercial (“I Belong In Your Arms” e “Amanaemonesia”), e criações movidas por uma melancolia sublime (“Cool As Fire”). Buscando reforço em uma sonoridade conceitual, mas traduzindo isso em harmonias acessíveis e quase radiantes, o casal faz nascer grande disco, Something, um álbum que deve ganhar ainda mais reforço e destaque no decorrer do ano.

Ouça: I Belong In Your Arms

Textos: Cleber Facchi

  • Clô

    Preferi o primeiro CD do Chairlift.