Coluna Miojo Indie #2: Cymbal Eat Guitars, M83 e Balam Acab

Pra você que se ligou na primeira edição da Coluna Miojo Indie, que foi ao ar na semana passada, eis a segunda aparição, com dicas fresquinhas de discos recém-lançados. Mas se você não faz ideia do que estamos falando, dá um pulo na estreia da coluna e fique sabendo o que vai rolar por aqui toda semana.

Cymbal Eat Guitars

Lensen Alien (2011, Barsuk Records)

Depois que o The Pains of Being Pure at Heart lançou seu segundo disco, em março deste ano, parecia que nenhuma outra banda seria capaz de unir guitarras carregadas de distorção e melodias pop com tamanha perfeição. Isso pelo menos até a chegada de Lensen Alien, novo álbum dos também nova-iorquinos Cymbal Eat Guitars. Donos de um dos melhores discos de shoegaze rock de 2008 – o elogiado Why There Are Mountains -, o grupo volta agora com um disco ainda mais coeso e acessível, mesclando doses colossais de fuzz e ruídos sintéticos com letras pegajosas e radiantes. Buscando apoio em grupos como The Jesus and Mary Chain e (principalmente) bandas símbolos do guitar rock da década de 90 – Sugar, Pavement e Dinosaur Jr. estão por todos os lados do trabalho – o quarteto que se formou em 2005 faz com que seu recente álbum se manifeste como um trabalho adulto, recheado de letras densas, mas que ao mesmo tempo transpiram jovialidade e um ritmo quase dançante.

M83

Hurry Up, We’re Dreaming (2011, Mute)

Se em 2008 Anthony Gonzalez transformou o quinto registro em estúdio de sua banda, o M83, em um pequeno concentrado de sons etéreos e exposições instrumentais puramente delicadas, com o recente Hurry Up, We’re Dreaming, o músico francês nos conduz através de um mundo de sonhos e emanações tomadas de lirismo, formalizando um dos registros mais encantadores lançados até agora. Apresentado como um disco duplo – são 22 músicas e mais de 70 minutos de duração -, o álbum se mantém de forma concisa e surpreendentemente bela desde seus minutos iniciais até seu término. Esbanjando harmonias adocicadas, sintetizadores policromáticos e um vasto cardápio de versos memoráveis, Gonzalez consegue como poucos nos afastar da realidade, fazendo com que as duas dezenas de canções que habitam os dois discos lentamente nos suguem para dentro de seu universo onírico, inventivo e mágico. Um disco que faz o ouvinte sonhar, mesmo estando acordado.

Balam Acab

Wander / Wonder (2011, Tri Angle Records)

Texturas sombrias, samplers aquáticos, doses de música clássica, batidas assíncronas e sobreposições constantes de sons. É fazendo uso de tão instáveis elementos que o jovem produtor norte-americano Alec Koone (de apenas 20 anos) faz de seu primeiro trabalho à frente do Balam Acab um dos discos mais climáticos e obscuros do ano. Ressaltando as mesmas tonalidades acústicas emanadas por nomes como How To Dress Well ou outros excêntricos representantes da famigerada Witch House, Koone faz de sua estreia Wander / Wonder um registro que se desvencilha do básico e parece construído para hipnotizar o ouvinte. Embora rodeado de sons quase esquizofrênicos, o produtor estranhamente consegue reproduzir uma ambientação harmônica e voltada para os não iniciados neste tipo de som, fazendo com que sua estreia agrade tanto aqueles que buscam por uma música eletrônica experimental e hermética, quanto por aqueles que esperam por um registro “comercial”.

Textos: Cleber Facchi

*A partir da terceira edição da coluna, já teremos um player com indicação de uma música de cada banda, como pediram na semana passada, ok?