Coluna Miojo Indie #3: St. Vincent, Kimbra e Active Child

E chegamos à terceira edição da Coluna Miojo Indie, na qual um dos sites mais antenados da ~BLOGOSFERA~ brasileira dá dicas quentinhas de discos que acabaram de chegar nos Torrents e Megauploads da vida. Confere aí:

St.Vincent

Strange Mercy (2011, 4AD)

Após o lançamento de um trabalho que conquistou a crítica em 2009 e lhe rendeu um seleto grupo de fãs, a musicista norte-americana Annie Erin Clark através de seu projeto St. Vincent retorna com outro inédito registro, dessa vez, ainda mais surpreendente que seu trabalho anterior. Fazendo uso de uma sequência de guitarras talhadas de maneira tosca, porém suficientemente agradáveis e afundadas em fuzz, a cantora delimita Strange Mercy como seu melhor registro, trafegando por distintas fontes do meio musical e envolvendo o ouvinte com letras tomadas de maturidade e uma poesia bastante específica. Se em seu álbum anterior Clark partia em busca de um som essencialmente rebuscado e carregado de detalhes, em seu recente disco é a simplicidade e certa dose de crueza que acabam predominando, com um disco que explode em hits – “Cruel”, “Cheerleader” e “Surgeon” são apenas alguns deles – e uma fluência totalmente específica.

Ouça: Cruel

Kimbra

Vows (2011, Warner Bros.)


De um lado toda a excentricidade e genialidade da islandesa Björk. Do outro lado, as transições jazzísticas da norte-americana Nina Simone e seu vozeirão incomparável, capaz de prende o ouvinte bastando uma única audição. No meio dessas duas grandes representantes da música – cada uma dona de suas próprias particularidades –, a jovem neozelandesa Kimbra Johnson faz de seu primeiro registro em estúdio uma espécie de meio de convergência entre estas e incontáveis outras referências do meio musical. Brincando com as melodias, experimentando fórmulas e rompendo de forma branda com os limites da música pop convencional, a cantora transforma Vows, seu debut, em um álbum que parece acertar em cheio tanto aqueles que esperam por um som radiofônico e popular, quanto por quem exige um mínimo de experimentação e novidade.

Ouça: Good Intent

Active Child

You Are All I See (2011, Vagrant Records)


Esqueça aqueles discos velhos dos seus pais ou seus avós em que harpas surgem como instrumentos já prontos para te fazer dormir. Em You Are All I See, primeiro álbum do músico californiano Patrick James Grossi, tal instrumento ganha incontáveis outros sentidos. Sob o nome de Active Child, o músico transforma seu debut em um trabalho de sensações, cruzando falsetes que bebem da soul music, batidas levemente sintetizadas, coros vocais que beiram o angelical, além de certa dose de jovialidade. Sensual ao mesmo tempo que aconchegante, o disco parece caminhar livremente pelos campos do dream pop e do lo-fi, se aproximando dos trabalhos projetados por artistas como Balam Acab, Zola Jesus e How To Dress Well, sendo que o próprio Tom Krell, vocalista deste último, se une ao californiano para participar da música “Playing House”, facilmente uma das composições mais belas e doces do ano.

Ouça: Playing House (ft. How To Dress Well):

Textos: Cleber Facchi