Coluna Miojo Indie #4: Neon Indian, Constantina e Mordida

Depois de quatro edições bem sucedidas e com reviews frequinhos de discos que estão bombando por aí, a Coluna Miojo Indie chega à sua quinta aparição aqui no blog – e traz comentários sobre os novos lançamentos de Neon Indian e das brasileiras Constantina e Mordida. Bom proveito:

Neon Indian

Era Extraña (2011, Static Tongues)


É fim de tarde na eletrônica lo-fi que vem tomando conta da cena musical norte-americana nos últimos dois ou três anos. Pelo menos é o que Alan Palomo e seu Neon Indian deixam transparecer em seu mais novo lançamento, Era Extraña. Longe da sonoridade ensolarada e radiante que tomou conta de seu primeiro álbum em 2009 – o elogiado Psychic Chasms -, o produtor vindo de Denton, Texas, opta pelas mesmas reverberações eletrônicas e sujas de outrora, porém, fazendo uso de uma sonoridade muito mais melancólica e até mesmo sombria em alguns momentos. Se ao estrear Palomo explorava um tipo de som matutino e sonolento – o famigerado “Hypnagogic Pop” -, em sua nova empreitada temos um oposto, um disco ambientado em um delicado crepúsculo musical, sofrido e realçado constantemente por letras que falam de amores que não deram certo ou mesmo pequenas despedidas.

Ouça: Polish Girl e Fall Out

Constantina

Haveno (2011, Independente)


Responsáveis por um dos mais belos tratados do rock instrumental brasileiro da década passada, os mineiros do Constantina estão de volta com mais um novo registro carregado pelas mesmas experiências musicais de outrora, porém, agora reforçados com uma carga ainda mais intensa de sons profundamente detalhistas. Fluindo em ondas, o disco que chega sob o nome de Haveno manifesta uma forte tonalidade marítima, com as faixas – sempre instrumentais – funcionando como uma espécie de grande ode ao mar e todos os elementos que o cercam. Composto de sete faixas e contados 49:36 minutos, o álbum navega tanto por águas calmas, como na delicada “Azul Marinho”, assim como por oceanos de melancolia e um céu fechado de nuvens, algo que bem representa a dolorosa “Pequenas Embarcações”. Climático, porém longe de se apresentar como um projeto penoso, o disco é provavelmente uma boa dica aos que ainda não descobriram o fabuloso mundo do pós-rock tupiniquim.

Ouça: Pequenas Embarcações

Mordida

1 (2011, Independente)


Qualquer um que na década passada tenha ficado atento ao cenário independente nacional, ou mais especificamente o que brotava da efervescente Curitiba, involuntariamente (ou não) deve ter raspado nas canções do grupo paranaense Mordida. Formada em idos de 2004, a banda tem seu primeiro álbum lançado somente agora, uma longa espera que é logo esquecida assim que os excêntricos primeiros acordes da faixa “Free Connection” são lançados. Denominado simplesmente de 1, o debut do quarteto curitibano surge como uma grande viagem musical cercada por sons que escapam tanto da New Wave “oitentista” como do indie rock da primeira metade dos anos 2000. Tomados por uma naturalidade pop e despojada, a banda manda para cima do ouvinte uma série de hits fáceis, músicas arquitetadas para colar nos ouvidos em uma primeira audição. Do romantismo colorido de “Borboletas da Estação” ao uso de temáticas cotidianas como em “Workaholic” e “Dia Comum”, o álbum segue fácil e profundamente divertido até seus últimos instantes.

Ouça: Borboletas da Estação e Previsível

Textos: Cleber Facchi