Coluna Miojo Indie #4: Wild Flag, Quarto Negro e Sleep ∞ Over

Na quarta edição da Coluna Miojo Indie, mais três reviews de discos recém-saídos do forno. Deixe nos comentários suas impressões dos álbuns e indique quais lançamentos deveriam ser abordados aqui no espaço, ok?

Wild Flag

Wild Flag (2011, Marge Records)


Mais novas queridinhas da cena indie norte-americana, as garotas do Wild Flag têm conquistado um bom público ao longo dos últimos meses por meio de seus catárticos shows, além de angariar críticas entusiasmadas por meio de seu primeiro e homônimo registro em estúdio. Com dez faixas, o debute chega sob o aval do histórico selo Marge Records – casa de algumas bandas como Arcade Fire e Dinosaur Jr -, além de não poupar o ouvinte em nenhum momento de intensas saraivadas de guitarras e letras nada banais. Longe do visual e da temática surf-rock-lo-fi presente em nove de cada dez bandas de garotas que surgiram ao longo dos últimos dois anos, o quarteto vindo de Portland vai de encontro ao indie rock da década de 1990, passa pelo punk, doses de hardcore, vai até as bandas femininas dos anos 60/70 e por fim se pinta de psicodelia. Longe de grandes revoluções instrumentais, o disco segue “simples”, porém suficientemente intenso.

Ouça: Romance

http://soundcloud.com/selftitledmag/wild-flag-romance


Quarto Negro

Desconocidos (2011, Daruma Records)


Inundado por uma aura sombria e letras reforçadas por um toque macambúzio, Desconocidos, primeiro álbum da paulistana Quarto Negro chega ao mundo sob intensas doses de melancolia, porém longe de soar como um trabalho dolorosamente banal. Reforçando a já tradicional sonoridade que delimita as composições da banda – formada por Eduardo Praça (voz e guitarra), Thiago Klein (piano) e Fabio Brazil (baixo) –, o disco chega abarrotado de composições primorosas, faixas que se protegem com um espesso manto costurado a partir do cruzamento entre pianos sóbrios e um arranjo de cordas essencialmente sofisticado. Em suas letras, a banda passa longe de velhas e descartadas fórmulas sobre romances que não deram certo, concentrando seus esforços em traduzir elementos como separação, dor, saudade e até esperança de uma maneira não desgastada ou clichê. Gravado durante o verão em Barcelona, o álbum é de longe um dos grandes lançamentos nacionais, ou pelo menos o mais doloroso.


Ouça: Vesânia II (Delírio Mútuo)

Sleep ∞ Over

Forever (2011, Hippos In Tanks)


Flutuando em uma nuvem de sons poluídos, fruto de guitarras tomadas pela distorção, além de parcos elementos eletrônicos, a musicista Stefanie Franciotti faz de Forever – seu primeiro registro através do projeto Sleep ∞ Over – um caleidoscópio de sons monocromáticos. Bebendo tanto dos grupos de dream pop que explodiram ao final dos anos 80, como também do recente cenário voltado ao witch house, a texana de Austin faz com que cada uma das dez faixas do disco sejam formadas a partir da colagem de incontáveis texturas, guitarras esquizofrênicas, teclados abafados e, claro, seus vocais, sempre desenvolvidos de maneira etérea e quase angelical. Embora complexo em uma primeira audição, o que pode obviamente confundir e até afastar ouvidos menos experientes, o registro vai aos poucos revelando um bom conjunto de faixas que tocam de leve a música pop, algo bem representado pelo single Romantic Streams ou mesmo a “acessível” Casual Diamond.

Ouça: Romantic Streams

Textos: Cleber Facchi