Coluna Miojo Indie #8: Karina Buhr, My Midi Valentine e Oneohtrix Point Never

E aí, já tá por dentro de todos os lançamentos por nós aqui na Coluna do Miojo Indie? Na edição passada, por exemplo, tivemos reviews das novidades do Wado, do Crookers e do Atlas Sound. Dessa vez, as linhas irão percorrer os novos trabalhos elogiadíssimos da cantora Karina Buhr, do duo My Midi Valentine e do projeto Oneohtrix Point Never, encabeçado pelo produtor Daniel Lopatin. Já conhece? Então dê também sua opinião nos comentários. Nunca ouviu falar de ninguém? Então tá aí uma ótima oportunidade pra você que resmungava que não aguentava mais ouvir as mesmas músicas:

Karina Buhr

Longe de Onde (2011, Independente)

Guitarradas esquizofrênicas de Edgard Scandurra se encontram com a psicodelia de Fernando Catatau, solos de trompete de Guilherme Mendonça se esbarram em uma bateria assíncrona, tudo isso enquanto um vocal doce despeja versos carregados de excentricidade e metáforas. O encontro de todos esses elementos é o que dá vida ao novo trabalho da cantora e compositora Karina Buhr, Longe de Onde, um registro tão ou mais vasto quanto seu primeiro álbum – o elogiado Eu Menti Pra Você, de 2010. Dividida entre reverberações do reggae, rock, jazz e até musica pop, a cantora mostra que seu borbulhante caldeirão musical ainda pode render um vasto caldo cultural, algo bem exemplificado quando nos deparamos com faixas como “Cara Palavra”, “A Pessoa Morre, Não Precisa Me Procurar” e “Não Me Ame Tanto”, composições que mais uma vez definem a figura de Buhr como uma das grandes expoentes da nossa música.

Ouça: Cara Palavra

My Midi Valentine

The Fall Of Mesbla (2011, Popfuzz)

O que aconteceria se Neutral Milk Hotel, Grandaddy e um sintetizador vintage se chocassem em um grande acidente musical? A resposta disso chega agora com The Fall Of Mesbla, primeiro registro da dupla alagoana My Midi Valentine. Perdidos em algum lugar na década de 1990, o duo formado por Marcos Cajueiro (voz, guitarra, baixo, trompete, teclado, violão) e Tales Maia (teclado, baixo, programações) nos presenteia com um conjunto de 15 delicadas composições, faixas que falam sobre amor, questionamentos de jovens adultos e acontecimentos tipicamente cotidianos. Cantando em inglês, a dupla vai aos poucos delimitando um conjunto de doces composições, faixas como “Hammer”, “Junkie” e “Special”, que se fossem lançadas há duas décadas se transformariam em clássicos imediatos da música alternativa daquele período.

Ouça: ILUVU

Oneohtrix Point Never

Replica (2011, Software)

Embora se revele como um indivíduo praticamente desconhecido em solo tupiniquim, o nova-iorquino Daniel Lopatin é de longe um dos grandes enunciadores da atual safra de artistas voltados para a produção de registros essencialmente experimentais. Atuando sob o nome de Oneohtrix Point Never, o produtor – que também atua em outros projetos, como o Games e Ford & Lopatin – transforma cada uma de suas composições em um vasto cruzamento de distintos sons e formas musicais, temática que desenvolve de forma intensa em seu novo álbum, Replica. Menos ruidoso que o registro antecessor – o elogiado Returnal, de 2010 –, o recente trabalho evoca um tipo de som atmosférico em sua essência, embora permita que seu idealizador possa se apoiar em novas experiências musicais que rompam os limites da música ambiente, algo bem representado em “Sleep Dealer” e “Child Soldier”, essa última desenvolvida em cima de samples de jogos de vídeo game.

Ouça: Sleep Dealer

Textos: Cleber Facchi