Coluna Miojo Indie #7: Wado, Crookers e Atlas Sound

Já partimos pra sétima edição da coluna de reviews fresquinhos do blog Miojo Indie. Já passaram por ela tanto nomes conhecidos, como Mallu Magalhães, Neon Indian e M83, quanto obscuridades no nível de Active Child e Sleep Over. E nos textos de hoje, algumas palavrinhas sobre os lançamentos de Wado, Crookers e Atlas Sound. Boa leitura:

Wado

Samba 808 (2011, Independente)

Depois de percorrer os terrenos da música alternativa, transitar pelas periferias musicais de vários cantos do planeta e se aprofundar na nossa relação com o continente africano, o catarinense naturalizado alagoano Wado surge com um novo e inventivo registro. Inteligentemente batizado de Samba 808, o álbum é um mergulho do músico em uma dezena de sambas levemente melancólicos, faixas que contam com um fundamental tempero de uma bateria eletrônica Roland TR-808 (vem daí o nome do disco), mesmo equipamento já explorado por artistas como Kanye West, Beck e OutKest em seus próprios trabalhos. Embora assuma o título da obra de forma individual, o músico surge acompanhado de um expressivo número de colaboradores, nomes como Marcelo Camelo, Mallu Magalhães, Curumin e Fábio Góes que o auxiliam a edificar um dos fortes candidatos a disco do ano em nossa música.

Ouça: Com A Ponta Dos Dedos

Crookers

Dr. Gonzo (2011, Southern Fried Records)

Livres dos excessos de seu primeiro registro em estúdio, a dupla italiana Crookers volta agora com sua segunda aventura pelas pistas de dança: Dr. Gonzo. Menos focado no uso de diversificados tipos de som, o duo se aprofunda na busca por um som essencialmente sintético, passeando por doses imoderadas de house music, dubstep, electropop e toques de uma eletrônica mais convencional. Muito mais conciso e magro – enquanto o primeiro álbum ultrapassava as 20 faixas o recente trabalho se concentra em 13 fundamentais composições -, o substituto de Tons Of Friends traz de volta o já tradicional cruzamento de colaboradores que definem o trabalho da dupla, deixando para trás grandes nomes da música contemporânea, como Will.I.Am e Yelle, e se voltando para novos e ainda desconhecidos representantes de diversos setores da música atual.

Ouça: Carcola

Atlas Sound

Parallax (2011, 4AD)

Como se não bastasse para Bradford Cox assumir os comandos de uma das bandas mais inventivas que surgiram na última década – o Deerhunter –, em suas horas vagas o músico norte-americano aproveita o tempo de folga para investir em sua carreira solo. O resultado de suas sempre excêntricas composições acaba dissolvido em cada novo álbum do Atlas Sound, projeto que assume individualmente e que alcança agora o terceiro registro oficial, Parallax. Flutuando entre violões abafados, letras inundadas pela melancolia e uma estranha psicodelia ambiental, o músico transforma seu recente álbum no registro mais completo e menos caseiro de sua carreira paralela, desenvolvendo uma série de composições tomadas de primor e uma tonalidade completamente singular. Entre faixas memoráveis como The Shakes, Terra Incognita e Flagstaff, Cox nos convida a adentrar seu universo particular, desenvolvendo mais um trabalho repleto de acertos e estranhas experiências musicais.

Ouça: Terra Incognita

Textos: Cleber Facchi