Coluna Miojo Indie #9: Udora, A$AP Rocky e Sepalcure

E lá vamos pra mais uma semana com os lançamentos precisos e altamente indicados pelo Miojo Indie, um dos blogs mais legais que tá tendo por aí e que sempre desperta a curiosidade alheia para com sons inusitados e discos que, talvez, nem chegariam a nossos ouvidos de outra forma. Então aumente o som e curta mais 3 dicas da Coluna Miojo Indie, que chega hoje à sua nona edição:

Udora

Belle Époque (2011, Independente)

Um pop rock simples e despretensioso. Assim pode ser classificado o som desenvolvido pela banda mineira Udora, que após o lançamento do bem recepcionado Alô, Goodbye, em meados de 2007, chega agora com um novo trabalho. Tão melódico quanto o registro que o sucede, Belle Epóque parte em busca de uma sonoridade muitas vezes esquecida no rock nacional, ainda mais se observarmos as produções excessivamente grandiosas que tem se apoderado da música brasileira nos últimos anos. Versos acessíveis, uma instrumentação melódica e o vocal aprazível de Gustavo Drummond contribuem para que lentamente o registro possa alavancar uma sucessão de belas canções, músicas como a radiante “E Se Amanhã Não Chegar”, que mesmo comercial e pegajosa, passa longe – muito longe – das redundâncias que se apoderam de registros do mesmo gênero.

Ouça: E Se Amanhã Não Chegar (ao vivo nos estúdios da Trama)

A$AP Rocky

LiveLoveA$AP (2011, RCA)

Por mais que os saudosistas ainda insistam que o hip hop de verdade morreu no começo dos anos 90, quando o estilo vivenciou seu ápice criativo e foi soterrado por uma avalanche de memoráveis lançamentos, quem fechar os ouvidos para o rap contemporâneo estará simplesmente descartando uma sucessão de trabalhos memoráveis. Da explosão do coletivo OFWGKTA (encabeçado pelo polêmico Tyler The Creator) aos diversos experimentos que se manifestam em projetos do gênero, o que não faltam são artistas capazes de desbancar a velha fórmula do Bling-Bling e consequentemente todos os clichês que se apoderam desse tipo de música. Fruto dessa nova geração, o jovem A$AP Rocky transforma o debute LiveLoveA$AP em um dos grandes trabalhos do ano, se estabelecendo como uma clara aposta para o futuro por meio de seus versos que citam estilistas, o louvor pelas mulheres e alguns “poucos” abusos com as drogas.

Ouça: Purple Swag: Chapter 2

Sepalcure

Sepalcure (2011, Hotflush)

Quando as primeiras composições do duo nova-iorquino Travis Stewart e Praveen Sharma começaram a circular pela blogosfera há poucos meses, apresentando o projeto Sepalcure, havia uma clara noção de que o primeiro registro da dupla seria sim uma das grandes estreia de 2011. Entretanto, o que talvez ninguém imaginasse é que essa estreia seria tão grandiosa quanto a que nos deparamos agora com chegada definitiva do homônimo primeiro trabalho da dupla. Climático e dançante na mesma medida, o registro se revela como uma das melhores performances que o dubstep viu em 2011, transformando as 10 faixas que habitam o disco em uma sucessão de incontestável de acertos, canalizando desde vocais picotados, beats envolventes e uma sucessão de samples que ao serem encaixados na ordem certa revelam um disco harmonioso e inspirador. Para quem ainda não se aventurou por qualquer trabalho do gênero, Sepalcure é a escolha mais do que indicada.

Ouça: See Me Feel Me

Textos: Cleber Facchi