Coluna PopMata: Julian Plenti, Rockz e Florence And The Machine

Julian Plenti - Julian Plenti Is... Skyscraper

Julian Plenti – Julian Plenti Is… Skyscraper (2009)
Há algo na voz de Julian Plenti que é só dele, ou melhor, dele e de Paul Banks, vocalista do Interpol, já que são a mesma pessoa. Mas, a melancolia expressada com violência e displicência, tão milimetricamente inserida na canção, é algo que só Paul Banks tem. Julian Plenti, o Paul Banks sem seus três amigos nova-iorquinos, é mais sorrateiro. Chega, por vezes, na base do sussurro. Extrapola o nível da canção para se tornar o principal elemento dela. Usa experimentação para se diferenciar daquele vocalista de uma das principais bandas da década. E acerta, diretamente, sua mente.

Não sei te dizer se você gostará de “…Skycraper” por gostar de Interpol. Tanto quanto não sei se você pode se impressionar por não gostar do quarteto. É diferente, essencialmente. Há algo mais adulto na postura solo do cantor, algo mais introspectivo e uma disposição maior para sonoridades diferentes também.

Como uma obra, em sua forma completa, a estreia solo de Paul Banks faz todo o sentido. Talvez você precise chegar na 4ª faixa para ouvir uma explosão vocal e reconhecê-lo mas, até lá, já estará entregue, novamente, aos caprichos sentimentais deste grande compositor e músico.

Rockz - A Tão Sonhada Bicicleta

Rockz – A Tão Sonhada Bicicleta (2009)
O Rockz ainda quer fazer você dançar e pular. Mesmo com um novo vocalista, sonoridade diferente e uma agressividade menos regulada, eles querem fazer você dançar e pular. Mesmo que agora você precise franzir o cenho para parecer uma pouco mais mau, eles ainda vão te fazer dançar e pular. Afinal, pra que outra coisa o rock serve?

Does It Offend You, Yeah?, Queens of The Stone Age, Bloc Party e Klaxons. Essa são as influências do novo álbum “A Tão Sonhada Bicicleta”, mas não seriam o suficiente se não houvesse uma banda tão competente por trás. Seja em composição ou em execução, o Rockz é um primor. Letras, riffs e ritmos se entrelaçam e criam a atmosfera perfeita para uma noite em um bar. É sexy e quente. Ficar parado pra quê?

Se agora você está sentado trabalhando, ou está em casa pensando em ler um livro, ou está indo fazer sua caminhada diária… Coloque este som nos seus ouvidos e deixe-se envolver. Dance, pule ou apenas bata o pé, para seu chefe não te achar um maluco. Ou não se importe com nada disso e apenas ouça. (E ainda não está ouvindo por quê?)

Florence And The Machine - Lungs

Florence And The Machine – Lungs (2009)
Florence Welch é exatamente o elemento indispensável para a proposta de “Lungs”. As canções são simplesmente saborosas, divertidas e lindas por Florence agir tão bem em uma canção. Não importa a harpa, os sintetizadores, a percussão ou a guitarra se ela não estiver tornando toda esta unidade possível. Mesmo sabendo disso, ela não quer que sua voz seja mais importante do que a canção. E quem ganha com isso são os ouvintes.

Florence And The Machine aproveita de influências soul, oitentistas e indie-hippie (?), e com uma esperteza absoluta, cria canções pop com riqueza indiscutível. Não basta uma grande cantora a frente da banda, é preciso mais. É preciso criar melodias e arranjos perfeitos, e isso não falta em Lungs.

Apesar das comparações (totalmente compreensíveis) com Lilly Allen, Winehouse e Kate Nash, Florence dá uma passo a frente. Quando não é o próprio ego que está em jogo, e quando a cantora não quer ser o único destaque em seu trabalho, o brilho cresce tanto e se espalha, que fica praticamente impossível separar a música do artista. Florence Welch ou Florence e sua banda (a “the Machine”), não importa, sabe que a música ainda é mais importante. E faz isso muito bem.

Coluna PopMata

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