Coluna PopMata: Oasis no Anhembi-SP (09/05/09)

Oasis

Durante a apresentação do Oasis em São Paulo no último sábado havia, logo atrás de mim, uma garota. Essa garota devia ter lá seus 15 anos e não media mais de 1,64m. Ela sabia todas as letras de todas as canções do quinteto de Manchester, ao contrário de mim que conheço todas as músicas mas sou péssimo com as letras. Ela, durante todo o show, vibrou e cantou a plenos pulmões, sem vacilar. Pulava e tudo mais. Mas um detalhe: ela não devia enxergar nada no palco e pouco no telão. Além dos meus 1,88m na frente dela, haviam diversas outras pessoas, naquela que seria a maior concentração de fãs altos de uma banda. Sim, em média os fãs de Oasis são bem altos.

Agora, se alguém que nem enxergava os Gallagher, nem via o show de luzes ou de vídeos nos telões, conseguiu gostar tanto e aproveitar o show daquela maneira, mesmo depois de tanta chuva, dá pra se ter ideia de quão bacana foi aquela noite.

Sem dúvida, o Oasis fez um show para os fãs, que já sabiam todo o setlist e não tinham dúvidas de como seria o show de cabo-a-rabo. Eles não preparam nenhuma novidade, nem se mostraram dispostos a isto. E precisava? Não. Não pra eles…

A banda já entrou no palco sabendo que o jogo estava ganho, e nem os problemas com áudio baixo (viva Anhembi!) e com a platéia (“Parem de jogar essas porras no palco, ou vamos parar a merda do show! – disse Noel), mudaram a situação. Havia momentos que a plateia se exaltava menos, mas logo a banda revertia o placar. Foi assim com “Masterplan”, “Wonderwall” e “Don’t Look Back In Anger”, jogadas infalíveis para deixar o público mais que animado: enlouquecido. Mas claro que não foram os únicos pontos altos do show. A nova “The Shock of the Lightning” foi a que mais animou entre as presentes no álbum mais recente, e até a modesta “Songbird” de Liam, mexeu com os corações mais apertados. Mas Liam, definitivamente, não foi a estrela da noite. A platéia, incansavelmente, gritava: Noel! Noel! Noel! (e de vez quando também gritava por Liam, mas era só pra não ver uma crise de ciúme ao vivo).

Noel comandou a brincadeira, estando nos vocais ou não, e mostrou porque é um dos compositores de rock mais importantes de todos os tempos. A emoção era gigantesca, principalmente nos momentos em que Liam não se intrometia tanto.

Mas calma aí, o Liam também fez sua parte. Apesar da voz cada vez mais debilitada e de todo ar de marrento, ele mostrou que sua presença é essencial. E mostrou mais. Mostrou carisma e até simpatia, quando dedicou Morning Glory para a “galera do fundão” (vulgo “não-vip’s”).

O maior erro, porém, foi toda previsibilidade do show. O Oasis poderia sim mudar seu setlist e o formato de suas apresentações. Mas não quiseram… Paciência. Perderam alguns pontos. Mas nada interferiu pra quem foi de coração aberto esperando para ver um dos shows mais bacanas de suas vidas. Isso serviu pra mim, para os outros caras altos e para grande parte da galera molhada, inclusive para a garotinha que com os olhos não viu, mas que com o coração sentiu. E muito.

Coluna PopMata

4 Comentários para "Coluna PopMata: Oasis no Anhembi-SP (09/05/09)"

  1. Como banda diz, eles não tem que provar nada a ninguém. E me parece que é esse o espírito do show deles.

    Eles curtem tocar, mas do jeito deles, sem fazer nada em especial pra agradar o público. Sabem que os fãs são ardorosos o suficiente pra adorar qualquer coisa arroto que o Noel ou Liam dê.

    Eu teria trocado quase metade do set-list (eu parei de acompanhar a banda depois do Be Here Now e parece que realmente perdi pouca coisa boa depois desse álbum) mas ainda assim, as clássicas como Don’t Look Back in Anger, Champagne Supernova, Supersonic e em especial Morning Glory foram momentos memoráveis que valeram o meu ingressinho e meu deslocamento até o Citibank Hall (quem é carioca e mora longe da Barra da Tijuca sabe como é chato ir pra lá, mas apesar de tudo valeu muito a pena).

  2. vale uma menção ao novo baterista da banda, o chris sharrock, que tá simplesmente DES-TRU-IN-DO tudo no palco! é um ótimo contraste pra banda comparado aos quase estáticos gem e andy.

  3. Me identifiquei com a altura da garota. Tirando o fato de que tocaram Wonderwall ao invés de Live Forever, foi lindo. Maravilhso.

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