Coluna PopMata: The Rumble Strips, Cachorro Grande e Regina Spektor

The Rumble Strips - Welcome To The Walk Alone

The Rumble Strips – Welcome To The Walk Alone (2009)
Com a produção de Mark Ronson e orquestração de Owen “Final Fantasy” Pallet, qual a possibilidade de um álbum dar errado? Pequena, cá entre nós. E, sabendo disso, o Rumble Strips não economizou, preparou logo um álbum cheio de composições pop que não cabem a um determinado estilo ou a uma determinada época. Como isso? Trabalhando com diversas influências que atravessam décadas. É possível ver influências desde o mais novo indie-rock ao mais clássico tema de um filme lançado nos anos 40. Prepotente demais? Pretensão absurda? O quinteto inglês não parece ter se preocupado com isso.

Se no primeiro álbum o foco era na mistura que o ska permitia, eles voltaram mais focados no soul e nos hits grandiosos. Não, não parece como uma banda envelhecida para grandes estádios. É mais como um grande passo para um banda que tinha tudo para se perder, mesmo depois de uma grande estreia.

Charlie Waller se afirma como um grande compositor e mostra porque é uma das vozes mais bacanas do cenário atual. E o Rumble Strips prova que a síndrome do segundo disco pode ser o melhor pretexto para sair de linha e dar um grande salto. E que salto.

Cachorro Grande - Cinema

Cachorro Grande – Cinema (2009)
Os gaúchos do Cachorro Grande não pensam em fazer diferente, eles vão continuar explorando as vertentes do rock e os grandes clássicos para criar seus discos. Que bom para nós.

Claro, nem sempre isso é sinal de sucesso. Quantas bandas dizem fazer “classic-rock” ou algo do tipo? Quantas são desprezíveis? Não sei o que você pensa sobre o Cachorro Grande, mas é certo de que este é o melhor de seus álbuns. Experimentando no rock mais psicodélico e indo em direção ao mais dançante, eles não vacilam. As influências de Stone Roses, Beatles, Oasis e Who ainda estão lá, mas melhores trabalhadas. As letras sobre assuntos aleatórios, ainda são marca registrada. Então, o que realmente mudou?

Mais dinâmico, direto e bem produzido, o Cachorro Grande parece querer mostrar que não são apenas uma bandinha tendência ou algo assim. Mostram que são uma verdadeira banda de rock e que estão dispostos a não se preocupar com preconceitos ou com o que as críticas se preocuparão em apontar. Se trata de música e rock’n’roll, e isso basta pra eles.

Regina Spektor - Far

Regina Spektor – Far (2009)
Se Regina Spektor era a pecinha esquisita que completava o quebra-cabeça que une o mainstream e o indie-pop, este é o álbum em que ela se mostra madura suficiente pra aceitar isso. O sucesso alçado com “Begin to Hope” não foi o suficiente para Regina abandonar aquela veia mais excêntrica. “Far” é a obra fundamental da russa-estadunidense, onde ela visita e passeia pelas rádios ou pelo mundinho underground mas que, acima de tudo, apresenta as suas melhores canções, independente do universo em que está.

As melodias pops açucaradas são ótimas para dias mais melancólicos, mas há também aquelas canções divertidas e ensolaradas. Há, na verdade, um álbum completo. A voz suave de Regina Spektor e os arranjos de piano proporcionam diversas sensações e momentos interessantes. Se há um álbum para representar a figura que ela se tornou, este é o álbum. Não há irregularidade, mas há um pouco de cada álbum dela até agora, e há momentos que não são perfeitos pra rádio (quanto aos outros, são mais radiofônicos do que nunca).

Depois de fazer tema pra filme da Disney, trilha-sonora para novela e seriados, e arrebatar críticas mais que positivas de diferentes meios, faltava um trabalho apenas para reunir toda a personalidade da cantora. Esse trabalho deveria conter lapidadas canções e toda a beleza que ela é capaz de produzir. E esse trabalho, é a obra “Far”.

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