Como transformar uma linda noite em um trauma (ou O Caos do SWU)

Quando um festival sustentável diz “seja ecologicamente correto: deixe o carro em casa e vá de ônibus”, o mínimo que se espera são condições pra se chegar ao local e ir embora decentemente, certo? Eu não sei por qual motivo, o SWU simplesmente se esqueceu do público na hora de ir embora. Eu resolvi ir pra Itu de busão e voltar da mesma forma. E me ferrei bonito.

Depois do show do Rage Against the Machine, resolvemos dar uma enrolada pela fazenda Maeda, porque imaginamos que iria rolar um tumulto na saída. Passeamos tranquilamente enquanto boa parte do pessoal se direcionava para a portaria. Eis que surge o problema #1: fomos comprar comida e… cadê as fichinhas? “Acabaram todas, moça. Só tem bebida”. Acabou nas outras tendas também? Eu vou passar fome? “É, acabou tudo. Acho que vai sim”. Aí, resolvemos ir de tenda em tenda pesquisar, até que um atendente disse: “Acabei de descobrir que ainda tem comida do lado da tenda da Heineken.” Pronto, a primeira cena assustadora da noite: 10 mil pessoas desesperadas por comida. E só tinha pizza de calabresa crua. Todo mundo comendo, porque, né? Melhor isso do que nada.

Depois de uns 30 minutos curtindo a agradável brisa fresca que soprava no local (mentira, fazia um frio digno de inverno rigoroso na Europa), resolvemos ir embora.
E aí veio o problema #2: a gente viu placas dizendo “Ônibus” e graaandes filas se formando ao lado. Mas esses ônibus iam pra onde? NENHUM segurança sabia dizer. Perguntando pra quem estava na fila, descobrimos que iam para os estacionamentos. Mas quem precisava ir pra rodoviária de Itu não fazia ideia de como conseguir transporte. Não havia nenhuma pessoa da organização no local. As pessoas vagavam sem rumo, sem saber o que estava acontecendo.

Algumas pessoas, sem saber o que fazer, simplesmente resolveram ir andando na estradinha de terra, naquele frio congelante, no meio da madrugada, pra ver no que ia dar. Depois de uns 10 minutos de caminhada, vimos o problema #3: uma fila interminável de ônibus, vans e carros se formava. Por isso ninguém sabia de nada! Nenhum transporte conseguiria chegar na entrada da fazenda, nem sair de lá! A estrada era muito estreita, não havia condições da mão dupla fluir com grandes ônibus de viagem atravancando o caminho. Então, continuamos descendo a estradinha de terra, dividindo a pista com os carros e centenas de pessoas, até chegar na rodovia.

Rodoviária de Itu, as 6h da manhã

Depois de 1h (ou mais) de caminhada, chegamos na Castelo Branco. Uma multidão de pessoas se amontoava perto de um carro da CET parado no acostamento, e quando perguntamos o que fazer para chegar em Itu a dica dele foi: “voltem pra festa, curtam a música até o final e tentem amanhã de manhã”. Não passava ônibus, não passava táxi, as pessoas estavam completamente perdidas. Um monte de gente se ajeitou na grama do acostamento e tirou um cochilo, esperando que alguma solução aparecesse. Outros no meio da rodovia faziam aquele sinal de carona com o polegar, na esperança de que alguma boa alma parasse e os ajudasse. Depois de mais 1h sentada na grama, vi um ônibus escrito “Rodoviária”. Acordei o namorado, que dormia profundamente e corremos até o ônibus.

Finalmente conseguimos! Pegamos o ônibus e as 4h da manhã estávamos na rodoviária (detalhe: o show do RATM terminou por volta da meia noite). Chegando lá, uma notícia: ônibus pra São Paulo só as 5h30. Bora procurar um lugar quentinho pra ficar e esperar. Várias pessoas dormiam no chão e nos bancos. Enquanto assistíamos na TV da rodoviária a corrida de Fórmula 1, brigas ocorriam entre as pessoas que tentavam organizar uma fila num guichê que ainda nem tinha aberto. Final da história: as 5h30 entramos na gigantesca fila, pegamos o ônibus as 7h pra chegarmos em São Paulo as 8h30.

Depois disso, só ficou uma lição: quanto mais festivais eu frequento, mais eu amo o Planeta Terra (o festival, não o lugar onde vivemos).

27 Comentários para "Como transformar uma linda noite em um trauma (ou O Caos do SWU)"

  1. Realmente a organização deixou muito a desejar. E o pior problema é que pagamos por isso, e não foi barato. O mínimo que se esperava era mais respeito com o pessoal que compareceu.

    No meu blog eu escrevi um post ressaltando outros pontos que, na minha opinião, foram ainda piores, já que o motivo principal de todo mundo ter ido lá – os shows – foi cheio de falhas grotescas.

    http://papolog.com/p178123

  2. Pingback: O que foi o SWU? | Isabellices

  3. Reclama pq foi criada à leite com pêra. [2]
    Da próxima vez, compre um ingresso e dê pra quem quer ir e não fica de frescurinha.
    Eu ficaria 8, e até 16 horas esperando se fosse pra ir em um show do Avenged.
    =D

  4. lembro da ultima edição do rock in rio (um exemplo a ser seguido!): ao lado do evento foi montada uma verdadeira rodoviária disponibilizando transporte durante toda a madrugada p/ diversos bairros do rio de janeiro. e de graça!

  5. Eu realmente achei um absurdo! E mesmo sabendo de toda essa confusão, resolvi ir nos dois ultimos dias… Não vou dizer que estávamos isentos de problemas, mas com certeza não se compara ao caos que vcs passaram. O bom é que o festival era em prol da sustentabilidade. Só que eu realmente acredito que mais de 80% das pessoas que estavam lá não tavam nem aí pra isso, mesmo pq o que eu vi de lixo no chão la e em toda estrada de terra me surpreendeu. Acho que fui uma das poucas pessoas preocupadas com o meio-ambiente. Uma vergonha, não do evento, pois tinha um ótimo objetivo, mas sim das pessoas do país em que vivo. Um beijo. :*

  6. E não é só isso, Thaís. Vocês aparentemente só voltaram porque vocês é que foram atrás do transporte.

    Eu sempre fico pensando que fui ao Rock in Rio 3 e não tive problema nenhum. Também não se podia chegar de carro até lá, mas os ônibus que levavam aos bolsões de estacionamento estavam sempre a postos. Os que iam ao terminal de ônibus, idem. Ficavam lotados, lógico, mas não rolou confusão.

    Quando leio essas dezenas de relatos de perrengue no SWU, fico feliz de não ter ido.

  7. Passei EXATAMENTE pela mesma situação, a única coisa de diferente foi que, quando cheguei na rodovia consegui um taxi por R$100 (isso mesmo) até a rodoviária de Itu. Não conseguia imaginar outra saída e com o frio que tava naquele lugar nem sei até quando ia aguentar.
    Quando cheguei na rodoviária de Itu, 4h30, decidi dormir no meu carro e quando acordei, voltei pra fazenda e vendi meu ingresso do domingo.

    O que fizeram no 1º dia do evento é digno de processo. Achei que o pessoal ia voltar e tacar fogo naquele lugar, não sei se por revolta, pra passar o tempo enquanto os onibus não saíam, ou pra matar o frio que tava por lá.

    E concordo com outra coisa tbm. Eu AMO o Planeta Terra. Que na 1ª edição cobrou R$40 na meia entrada, hoje tá mais caro, mas tem estrutura, não atrasa os shows, te entrega uma programação na porta e traz ótimas atrações. Tomara que o SWU abra falência como o TIM Festival, que parece ser a versão “A Fazenda” do TIM.

  8. Ta ai o pq de ficar tão brochado com o evento, além é lógico da minha falta de grandes quantias de money. Minhas suspeitas iniciais se confirmaram. Ver minhas bandas seria legal, mas enfrentar poeira, preços absurdos, falta de organização, cansaço e lentidão de trânsito não dá.

    Se os shows dentro de SP já são um caos, imaginem os fora.

  9. Então… eu já esperava o problema de transito… pois sou de Sorocaba e sempre que posso vou ao pesqueiro maeda.. e realmente é uma estrada pra poucos veículos… mas ouvi boatos de que seria feito uma alternativa..
    Enfim… não pude ir a nenhum dos shows…
    e o arrependimento está começando a passar, pois de cada 4 pessoas que falam sobre o evento,( como um todo, não só sobre os shows) 4 tem reclamações gravíssimas e sobre todos os aspectos.
    Eaew, ano que vem, quem vai?

  10. haha a unica coisa que eu conseguia pensar durante o SWU e todo o perrengue que passei era exatamente isso, como eu amo o festival planeta terra! aquilo sim é exemplo de organizaçao, em TODAS as edições;

  11. Não entendo esse pessoal que critica o texto… Cidadão paga caríssimo por um evento, é super maltratado e ainda está errado quando reclama? Eu heim… Só tem doido nesse mundo!

    Ninguém comentou uma coisa ainda: havia policiamento nesse local? Pela escuridão que falam que estava e pela bagunça na saída, vocês deram sorte de coisa pior não ter acontecido!

    😉

    #AindaBemQueNãoFui

  12. Tinha policiamento sim, Marivone, mas não era suficiente e mesmo assim esse tal “pior” chegou a acontecer. Houveram vários relatos de assaltos lá dentro.

  13. Passou perrengue pq não se programou, tanto na comida como no transporte. Quanto a fila interminável, você não reparou que a polícia travou a saída da fazenda?

  14. É a mentalidade do fã idiota. “Se eu for ver o meu show favorito, foda-se o resto, não importa o quão caro eu pague e sofra por isso”.

    Não é a toa que continuam vendendo ingressos de qualquer chinelão evento a 300 reais, cds contniuam custando o olho da cara e qualquer material musical, por mais merda que seja, continua sendo a fortuna que é: porque tem idiota, como esse Renato e esse Leonardo, que comem merda e arrotam caviar.
    Achar que, por ser ser fã, vale qualquer sacrifício, enquanto o fulaninho famoso lá não faz idéia de quem esses infelizes são e ainda acha graça da situação, de ver neguinho se humilhando pra ver o show dele.

    Não vejo diferença entre alguém que passou o que passou no SWU e acha que é “normal” e aquelas mulheres mandando cartas kilometricas pro Daniel. Ambos são retardados.

    Belíssimo post. Muito bom. Esse lixo de evento foi superestimado desde o primeiro anúncio.

  15. concordo que a organização pecou e foi tudo um caos.
    não só nessa questao do transporte e do acesso (estava em uma van fretada, e no sabado demoramos 3 horas e meia pra chegar na casa que alugamos, ali mesmo em itu), mas também em relação às filas da praça de alimentação, falhas técnicas nos shows, etc.

    contudo, faria tudo de novo.
    me desculpa, mas ver Rage, Incubus, Sublime, Queens, Pixies… faz valer a pena sim, quase todo e qualquer sacrifício. passei frio, fome, peguei congestionamento fodido, quase fui arrastada pelo mar de gente no show do rage, to até agora podre e nem sei se viva.
    mas, se surgir outra oportunidade pra assistir essas bandas, seja em qualquer situação, eu vou. e sem reclamar.

  16. Eu passei exatamente por tudo descrito acima e digo mais…vi cadeirantes tendo que seguir pela estrada de terra também. Sem contar que cheguei na rodoviária as 3hs e tive que esperar faminto e com frio o guichê abrir as 5 e pouco.

    Verdadeiro CAOS

  17. ok, os problemas com o transporte não são lá dos mais bacanas MAS

    O festival foi extremamente bem organizado, pontualissimo (com exceção do QOTSA), sem nenhum problema (a não ser o do RATM, que era obvio que ia ter tumulto, e nem foi tão grande), artistas de grande porte, entre as tendas e palcos dava para andar livremente…

    Você está condizendo um pequeno problema com vários pontos a favor que esse festival teve.

    Que venham mais SWUs

  18. Bom, pelo menos no terceiro dia isso do ônibus melhorou consideravelmente. Logo na saída já tinha a fila pra comprar passagem e o ônibus já esperava quase do lado.
    Mas, num ônibus fretado pro festival, cobrar 30 reais é querer um bom lucro em cima dos idiotas aqui.

  19. Apesar de tudo isso que aconteceu, o show do RATM foi do caralho, com uma pegada que não via há tempos (e olha que eu nem estava com grandes expectativas!).

  20. Pingback: Aconteceu e a gente perdeu | Itubaína Retrô - Rádio

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