Danger Mouse & Daniele Luppi – Rome

O trabalho mais recente do produtor Danger Mouse é Rome. Em parceria com o italiano Daniele Luppi – que trabalha com composição de algumas trilhas sonoras, incluindo o novo clássico “Vovó… zona 3” – eles tomaram como inspiração as clássicas trilhas dos spaghetti westerns. Uma espécie de resposta aos westerns tradicionais americanos, a versão italiana tinha como principal diretor Sergio Leone – e como compositor quase que oficial do gênero, e grande parceiro de Leone, o também italiano Enio Morricone.

Os instrumentistas foram escolhidos cuidadosamente por Mouse e Luppi. Entre eles estão alguns nomes que chegaram a trabalhar com Morricone no passado. Um bom exemplo é Alessandro Alessandroni, que foi responsável pelas guitarras de algumas composições clássicas, como a canção de Três Homens em Conflito – que você conhece, mesmo que sem saber.

Como não poderia deixar de ser, toda a produção é extremamente cuidadosa. Mouse vem alcançando uma moral para poucos no universo da música pop. Ele se arrisca sem medo entre rótulos bem diferentes, como com seu projeto de soul com Cee-Lo Green, o Gnarls Barkley, e indo até a produção de Beck, com um som mais eletrônico e até dando alguns passos dentro do rock, como aconteceu com a produção dos blues-rockers do Black Keys. E foi com essa capacidade de trabalhar com diversos estilos musicais que Mouse mergulhou de cabeça nesse projeto.

Em Rome, cada faixa leva aos ouvidos pequenos detalhes e texturas sonoras que devem ser digeridas aos poucos pelo ouvinte. Talvez seja isso que faça do álbum o tipo de som que tem que ser ouvido em alguns momentos específicos, sempre com calma, fazendo com que uma audição rápida deixe muitos dos detalhes passarem sem serem degustados.

As faixas que fogem um pouco mais desse clima são as que contam com as participações vocais de Jack White e Norah Jones. São elas que têm um apelo mais pop, principalmente pelo papel que os dois têm – White por exemplo é um centro de produção de ótimas bandas e músicas. Em geral, Rome acaba sendo produzido com cuidado até demais, tornando o trabalho um pouco difícil de ser consumido em qualquer momento. Cabe a cada um julgar se isso é bom ou ruim.

  • Igor Fediczko

    O trabalho é maravilhoso, e não está nos padrões iPod que escutamos nos dias atuais.

    Não há pressão sonora, não há compressão, masterização empurrando o som nos ouvidos. O que há? Detalhes, brilho.

    Jack White e Norah Jones cantam em músicas suaves, com muita classe e estilo. Concorre a um dos melhores discos de 2011, sem medo de errar. É lindo.

    As melodias são muito bem desenhadas, com interlúdios entre uma faixa e outra, e quando as músicas são cantadas, demora-se a ouvir o vocal. Passagens instrumentais, instrumentos inusitados. Tudo fora dos padrões atuais.

    Pra quem espera o Jack White dos tempos de Jack White, esqueça. Pra quem espera a Norah Jones dos tempos de Norah Jones, também esqueça. Aqui há um Jack White calmo e uma Norah Jones agressiva.

    O único defeito, ao meu ver, foi vazarem tantas músicas antes de vazar todo o disco. Quando vazou o disco, as melhores músicas já era de conhecimento geral, e aí a sensação de experimentar algo novo já estava quase que esgotada.

    Mas que o disco é maravilhoso, não há dúvidas.