David Byrne & St. Vincent – Love This Giant

Ao ouvir Love This Giant eu passei a entender por que os “verdadeiros amantes do rock clássico” são as pessoas mais caretas que existem (no bom sentido, claro).

Ok, talvez esse assunto não seja mais novidade, mas é que a partir do momento em que você se enxerga dentro dessa categoria, aí as coisas mudam de patamar. David Byrne é um gênio da arte da música e consagrou-se como integrante do Talking Heads entre as décadas de setenta e noventa. St. Vincent (pseudônimo de Annie Erin Clark) é uma musicista talentosa que já lançou três discos que confesso não conhecer a fundo. Mas a questão aqui é outra. Não se trata de uma obra-prima e sim de um bom álbum, simplesmente pelo fato de ter o selo David Byrne de qualidade, tanto nas composições, quanto nas produções de estúdio.

Certos artistas e/ou canções alcançam um nível em que é permitido e perdoável errar ou emprestar seu nome para dar uma força a aspirantes da música. Nada mais justo. Com seu antigo grupo, Byrne mostrou ao mundo o grande cantor, compositor, músico e produtor que é. A partir daí veio o fim da banda, seguido de projetos interessantíssimos que tiveram até música brasileira como tema. Mas em Love This Giant o que vemos é uma cantora se esforçando para acompanhar o ritmo do eterno Talking Head, que, no fundo, é a verdadeira estrela e principal peça do disco. Ou seja, é algo novo, fresco, está logo ali, mas que precisa da ajuda do passado para soar relevante diante dos novos tempos. Claro que temos ótimas faixas presentes no tracklist como é o caso de “Who” (que já ganhou videoclipe).

Talvez a grande lição disso tudo seja o equilíbrio de gerações proposto pela dupla. Por essas e outras que Love This Giant é um disco para caretas e antigos fãs de David Byrne que ainda procuram sentir um gostinho do que o Talking Heads representou para a música pop moderna. No final, vale aquela ouvidinha básica. É isso.

  • Eu nem achei tao careta …

  • Jonas

    Ouvi o disco e conheço há alguns os discos da Annie Clark e considero umas das grandes promessas do genêro, “pop rock experimental”, além da voz a forma de tocar guitarra com tamanha personalidade é algo admirável e colocaria ao nível de guitarristas que fizeram história. Mas concordo que o disco é um bom disco e nada mais. Não diria careta, mas está no limite deste termo, talvez pela insistência em alguns arranjos que soaram muito repetitivos para um disco um pouco longo e difícil de ser digerido numa audição ininterrupta .

  • Mateus

    Discordo plenamente. Vejo muito da Annie Clark no disco, e acho que o disco não depende da fodelância já conhecida de David Byrne para valer apenas uma “ouvidinha básica”. O fato de ser um disco que se baseia completamente em metais funciona muito bem apesar de sua ousadia. St. Vincent é uma guitarrista e compositora de peso que certamente não precisou se esforçar para uma colaboração com um nome de peso. Sei lá, acho que é isso.