Death Cab For Cutie – Codes And Keys

O Death Cab For Cutie, uma das bandas indies mais amadas dos últimos anos, acaba de lançar o álbum Codes And Keys, contendo onze faixas inéditas. A banda continua sofrendo de amor nas suas canções, mas faz isso de uma forma extremamente elegante. Assim, os fãs acabam (não) sofrendo (tanto) juntos.

“Home Is A Fire” abre o disco em câmera lenta. Como se recitasse um poema, Ben Gibbard pronuncia os versos da canção. O instrumental evolui por uma base repetitiva e pouco melódica, mas tem um efeito hipnótico e o álbum ganha sua simpatia na primeira música.

A faixa que dá nome ao trabalho, “Code and Keys”, é singela e deliciosamente pop. O verso “We are alive” encerra a música ao ser repetido de forma que soa sincera e convence o ouvinte de que o que ele está ouvindo está cheio de emoção.

“Some Boys” traz uma triste verdade: que alguns garotos não sabem amar. Mas talvez o Death Cab For Cutie os ajude a aprender. “Doors Unlocked And Open” tem uma longa introdução e vários falsos inícios. É uma música que cresce aos poucos e tem um refrão forte, mas que poderia ser melhor explorado.

O primeiro single e clipe do disco é a canção “You’re A Tourist”. A faixa caracteriza bem o espírito da banda e é uma quase um texto de auto-ajuda. É uma mensagem super positiva trazida ao público por meio de uma melodia e um riff de guitarra bem construído e cativante.

A banda escorrega um pouco em “Unobstructed Views”, que tem uma duração excessiva. A letra, que é uma bela  declaração de amor, concentra-se nos instantes finais – mas vale a pena esperar até lá. Na sequência, aparece “Monday Morning”, uma das músicas mais gostosas e que tem frases longas metricamente encaixadas na melodia (o que chega a ser um grande contraste com os “ohhhh ohhhh” do refrão).

Ao contrário da maioria das faixas de Codes and Keys, que são carregadas de efeitos eletrônicos, “Portable Television” tem uma levada no piano que cria um clima meio retrô. É seguida por “Underneath the Sycamore”, que poderia se encaixar bem em qualquer um dos antigos discos do grupo.

“St. Peter’s Cathedral” é uma alfinetada à igreja. É uma maneira da banda, que pregou o amor por todo o álbum, dizer que, depois que seu coração parar de bater, não há mais nada. Chega a ser cruel o verso “There’s nothing past this” repetido à exaustão.

A mensagem final do grupo vem em “Stay Young, Go Dancing”. Após quarenta minutos de amores, decepções e verdades dolorosas, o Death Cab For Cutie fecha o seu trabalho dizendo aos ouvintes para manterem a música em seus corações.

A crescente popularidade do Death Cab poderia representar uma ameça para os antigos fãs, com medo de que a banda mudasse seu estilo para algo mais “acessível” – leia-se “síndrome do underground”. Não foi o que aconteceu: o disco, quando ouvido na sequência, soa bastante coeso, e os longos interlúdios entre os vocais de algumas músicas fluem naturalmente. Codes And Keys é um trabalho completo, que mostra que uma banda não precisa se reinventar nem se repetir para obter um bom resultado.

  • Gastadeira

    Depois de ler o post, me deu uma vontade de comprar…

  • Pedro

    Sou suspeito pra falar de Death Cab,amo a música deles e tudo mais,gostei do disco,mas sinto falta do DCFC de Transatlatiscism e Plans.No entanto,sei que as bandas-assim como as pessoas,e os cantores como um todo-amadurecem,mudam e vivem experiências diferentes que influenciam no som.A única critica relevante ao disco:Por que diabos eles insistiram naquele efeito chatérrimo em cima da voz do Ben?!

  • Cris

    pra mim, o melhor disco do Death Cab. Em 3 dias, 161 execuções desse album no meu last.fm.
    🙂

  • Zelenski

    Bacana a resenha. Gostei muito do álbum também. Death Cab é uma banda que consegue sempre lançar bons álbuns. Seria bacana um show deles por aqui.