Diário de Bordo: “Cuba e a noite em que quase conheci o Bon Jovi”, por francisco, el hombre

FEH @ Cuba

Grupo francisco, el hombre momentos antes do show de Silvio Rodrigues, cantor cubano que levou show a espaços longe do centro. Foto: Facebook

A gente aqui no Move That Jukebox recebe muita sugestão de pauta assim: “Banda tão vai fazer turnê na Europa”, “Fulano está indo fazer turnê no Estados Unidos”, “Dupla faz turnê na América Latina”. É uma coisa bacana, mas o que isso é importante para você? Nada, né? Afinal, seu artista vai estar na gringa, mas você vai estar aqui esperando para ver um show dele de qualquer jeito mesmo. Certo?

Ms não seria muito legal saber como é que foi lá? Pois, convidamos a francisco, el hombre, banda aqui de São Paulo está em turnê pela América Latina e que gravou um vídeo para gente quando passou pelo Uruguai, para estrear a nossa série: “Diário de Bordo”. Aqui, o Rafael Gomes, conta como foi passar po Cuba e quase ter conhecido o Bon Jovi.

A banda ainda está por aí viajando. Agora passam pelo Chile com dois shows, participam da agenda paralela do Encontro Imesur (Festival Musical Latino-americano para Desenvolvimento da Música Nacional e da Região) e no dia 2 de setembro, liberam para streaming o soltasbruxa. Em São Paulo, o show de lançamento será no dia 22 de outubro e os ingressos já estão à venda.

Eles também estão preparando um documentário sobre a viagem, que vamos soltar aqui quando sair. Fiquem tranquilos.

francisco, el hombre em Cuba e a noite em que (quase) conheceram Bon Jovi

por Rafael Gomes (baixo e voz da francisco, el hombre)

Muitos detalhes se perdem, coisas que foram extremamente relevantes para si, mas que são tão pessoais dificilmente poderiam ser explicadas. Costumamos brincar na francisco, el hombre que poderiam ser feitas versões diferentes desse relato como planos de internet móvel:


– Versão dois minutos: foi muito legal. É um país muito bonito. Pessoas receptivas. Praias incríveis. Muita música boa e inspiradora e… Pronto. Seu plano de dados se esgotou.

Mas para uma banda, existem momentos que marcam plenamente a sua história e nossa ida pra Cuba foi um desses momentos. Não só por ser um país a mais que entra na lista de lugares onde tocamos, não só por ter uma história de luta e resistência que muito nos inspira. Ser uma entre oito bandas escolhidas para representar a música latino-americana é algo de um simbolismo realmente grande. Um orgulho do qual mal podemos entender de onde vem o próprio mérito.

Chegando em Cuba, estávamos um pouco perdidos de como seria, mas logo no aeroporto entendemos quanta diferença faria nos próximos quinze dias poder dizer “estamos aqui a convite do próprio ministério da cultura”. Muitas portas se abriam e podia se ver como os músicos são bem tratados ali.

O Festival AMPM (América Por Su Música) reuniu durante uma semana, em Havana, musicistas e músicos de diferentes partes da latino-américa para um momento de trocas de experiência e de vivência musical intensa de uma maneira muito única.

Festivais são sempre maravilhosos. Você conhece gente de diversos lugares, amizades são construídas muito rapidamente, mas te marcam e será sempre um prazer poder encontrar essas mesmas pessoas sabe-se lá quando e onde! Criar esses laços com diferentes países da América Latina nos confirma mais ainda que existe sim uma identidade em comum entre nossos povos, mesmo que no Brasil ainda sintamos uma grande barreira a ser quebrada com relação a nossos vizinhos de, não só espaço físico, mas de uma história muito próxima. Uma formação de identidade que nos une mais do que se pode imaginar.

Em uma semana pudemos ver quão rica é a música do nosso continente. De artistas veteranos como o Inti Ilimani – banda chilena que cantou contra a ditadura de Pinochet e com a mesma importância à história de lá quanto a geração de Geraldo Vandré, Gilberto Gil e Caetano Veloso por aqui – a nova geração como o cubano Roli com sua trova ou as dominicanas do Mula dando uma nova cara ao reggaeton e à música eletrônica na América Latina. O festival foi de uma energia surreal, até o Bon Jovi e o Fito Paez estavam lá curtindo um rolê!

Ver uma mesa de mulheres, encabeçada pela veterana argentina Vivi Possebon, trocando experiências de luta e trabalho dentro de suas realidades foi lindo! A Ju pôde ali contar como vê a mulher na música brasileira hoje e mostrar como espaços como o “Girls Rock Camp Brasil” são de extrema importância, especialmente, por seu potencial transformador.

Essa seria uma versão do plano “vinte minutos”. Os dias em Cuba nos ensinaram muita coisa que ainda vamos demorar um tempo pra absorver e entender. Esperamos que com o documentário feito lá possamos mostrar um pouco mais e que as mesas de bar possam levar adiante mais um tanto de tudo que essa experiência foi pra gente! Quando nos encontrarmos pessoalmente, nos perguntem sobre o “verdadeiro rum cubano!” – haja fígado pra aguentar…

Confira alguns momentos da viagem abaixo:

Deiguita junto à família da cantora jazzista Daimé Arocena, em Havana

Deiguita junto à família da cantora jazzista Daimé Arocena, em Havana

Show punk: Andrei e Séb em uma jam com a banda Estafilokoko, de Havana.

Show punk: Andrei e Séb em uma jam com a banda Estafilokoko, de Havana.

Praia: momentos antes do show de Silvio Rodrigues cantor cubano que levou show a espaços longe do centro

Na praia! francisco, el hombre no pôr do sol em Varadero, Cuba

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