Dirty Projectors + Holger no Cine Joia (30/11/12)


(Foto de Fabrício Vianna)

A última sexta-feira no Cine Joia era sobre duas bandas e seus novos discos, Swing Lo Magellan e Ilhabela, ambos já resenhados (e elogiados!) aqui. Focados na apresentação das canções desses trabalhos, tivemos duas bandas com diferentes posturas e, assim, resultados também discrepantes.

O Holger, na função de banda de abertura, subia ao palco ainda com um público bem reduzido e frio. E se era a função deles aquecer essa plateia, eles fizeram até onde podiam. Ainda um pouco inseguros na execução das músicas novas do seu disco, nas palavras do próprio Pata, integrante da banda,os paulistanos montaram um setlist quase todo composto por esse novo desafio. E se a plateia estava relutante a “aproveitar” aquele momento, ao decorrer de cada canção o clima ia  melhorando. Fazendo a tradicional troca de instrumentos e vocais, poucos foram os momentos em que a banda se perdeu nessas novas músicas – e isso se devia a alta concentração na execução (inclusive para acompanhar a batida programada do laptop). Só que um alto foco na reprodução não é o que faz dos shows do Holger um momento interessante. Se a banda não  parecia se divertir tanto quanto em momentos idos, fica a curiosidade para ver um show deles em breve, quando já estarão acostumados com a responsabilidade de levar essa nova roupagem do seu som para o palco e, assim, se divertir (e nos divertir) de novo.


(Foto de Fabrício Vianna)

O Dirty Projectors também vinha com uma proposta similar a do Holger: apresentar faixas do novo álbum. Só que a turma do Brooklyn já vem há um tempo fazendo isso e, perceptivelmente, já estão muito à vontade com as canções e fizeram, de um show em formato simples, um espetáculo. Com Dave inspiradíssimo e uma banda sincronizada, o Dirty Projectors nos apresentou aquele que pode ter sido uns dos shows do ano no Brasil.


(Foto de Fabrício Vianna)

O público reagia extremamente bem a cada canção. Com todos já mais que treinados com as faixas mais recentes e também mostrando a reação natural de empolgação às mais antigas, aquilo parecia mais uma torcida do que uma plateia de show. Sem se preocupar em fazer a tradicional pose blasé, todos se divertiam a cada nova faixa que se iniciava. E não era por menos: a banda fazia uma execução perfeita nos arranjos e nas vozes –  a harmonia era incrível (o som da casa, também). Impressionante é imaginar que o show teria tudo para ser burocrático, já que cada detalhe reproduzido era pra soar exatamente como o disco. Mas talvez o fato de Swing Lo Magellan ser um dos álbuns do ano tenha ajudado nisso.

E o que dizer de Amber Coffman e sua voz? A garota tomava o microfone e encantava cada presente. Isso quando não arrepiava também nas guitarras. É. Acho que já está na hora do Dirty Projectors voltar. Empolgado, eu gostaria de assistir ao show do ano todas as semanas até cansar. E esse foi o escolhido.

  • Nicole

    não entendo esse hype excessivo no Holger