Dirty Projectors no Clash Club, SP – 02.12.09

Em uma Clash calorosa e semi-vazia, o espetáculo começa. A competente banda Holger abre a noite com entusiasmo, se divertindo bastante e trançando pelo palco. Esforços ignorados pela apática plateia, que se encostava pelas paredes da casa, demonstrando nada além da expressão blasé característica dos seguidores do hype, negando até mesmo os insistentes pedidos da banda por palmas. Mas nada abateu o quinteto, que seguia bailando entre os instrumentos, encenando coreografias e criando um ambiente que poderia muito bem ser visto em um videoclipe de Born Ruffians ou Vampire Weekend.

holger

A ansiedade agora tomava conta. O show já estava atrasado em meia hora e os técnicos aparentemente ainda tentavam regularizar o sistema de som. Mas a imprevisibilidade é intrínseca aos Dirty Projectors e, sutilmente, dois integrantes sobem ao palco. Enquanto Dave Longstreth dedilhava em sua guitarra os primeiros acordes da serena “Two Doves”, Angel sentava-se em uma banqueta e preparava-se para entoar com sua voz, deveras, angelical, os belíssimos versos da canção. A plateia já não era a mesma, se outrora se mostrava indiferente, agora se desmanchava com a beleza da composição e em ovação recebia o restante da banda e seus primeiros sorrisos. A festa continuou com as harmoniosas “Cannibal Resource” e “Remade Horizon”, destacando a impressionante capacidade vocal do trio feminino.

Após piadas e trocadilhos de um Dave bem humorado e esbanjando simpatia, segue-se um jam pesado e cheio de barulho. Distorções, vozes ecoando, ressonando, melodias orgânicas, batidas fortes e cruas criam uma sobreposição de camadas e texturas inconcebíveis e inacreditavelmente harmoniosas. Amber, Angel e Haley enchem o local, suas vozes já não são simples fonemas, mas instrumentos complexos e inspirados.

dirty projectors

Os mais atentos observaram as caretas bizarras do baterista

Carismático e modesto, Longstreth ainda encontra fôlego para acanhar os presentes: “We feel a little bit awkward playing here in Brazil.. I mean, you guys can do anything! Brazil is the most musical country in the world! That’s what we can do and we feel very grateful to be playing here.”
(ai, para, vai! hihi)
Realmente é muito fácil orquestrar uma guitarra como ele. not.

O show continua com um combo matador: “No Intention”, a famosa “Stillness is the Move” e “Usueful Chamber”, esta última com direito a um toque esquizofrênico que fez todos chacoalharem ao coro de Bitte orca, orca bitte! Nem o mais blasé resistiu. Uma verdadeira catarse.

O maestro da noite agradeceu o público, a banda e quase mata alguns do coração dizendo que este seria o último show deles… (pausa interminável)… em 2009. (ufa!)

Eles deixam o palco, mas o reverberar da mágica guitarra branca entregava um encore, e assim foi. Voltaram para explodir a Clash com “Temecula Sunrise” e recolher os cacos com a linda “Knotty Pine” da coletânea “Dark Was The Night”. Aposto que David Byrne daria tudo para poder acompanhá-los nesse show. Emocionada, a banda agradece novamente e diz que espera poder tocar novamente no Brasil em breve. Nós também.

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PS: Interessante destacar que, avessa aos péssimos costumes tupiniquins de separar a banda do público por gorilas alfabetizados, a Clash trouxe a grade para junto do palco, permitindo aquela intimidade maior, como deve ter mesmo um show deste porte.

Texto: Gustavo Bresler
Fotos: Diego Maia

  • Ótima resenha! Me deu mais arrependimento ainda de ter perdido o show >.<

  • Samuel Vaz

    Dirty Projectors é demais! Realmente uma banda muito talentosa e carismática. Os toques da guitarra do Dave e os vocais das garotas são espetaculares. Assisti o show deles no Goiânia Noise e simplesmente fiquei maravilhado… Eles arrebentaram e se sentiram muito a vontade no palco. Houve uma excelente interação entre eles e o público durante e após o show… A banda canadense Grimskunk que se apresentou na mesma noite também foi muito calorosa com o público, tanto que assistiram todos os demais shows da noite junto com a galera, no meio de todo mundo… Espetacular

  • Duque

    Se eu falar que nunca escutei uma mísera música deles voces me matam?

    hahahha, depois desta bela resenha fiquei com curiosidade…

  • Gabriel Guerra

    Cara, musicos mais bem-dotados que eles somente os Wild Beasts

  • Marcos

    so tem viado nessa porra desse blog

  • Marcos

    digo novamente….so tem viado! aprovem meus comentarios seus caldos de cu