12 set 2012

Divine Fits – A Thing Called Divine Fits

Por  @15:51

Britt, Dan e Sam não gostam do termo super-grupo. Juntos, não querem ser chamados assim, mesmo sendo a união do líder do Spoon, com o líder do Wolf Parade (e Handsome Furs) e do baterista da banda punk New Bomb Turks (ok, esse talvez não tão super). Querem ser encarados como uma banda de verdade, e não apenas uma reunião de estrelas, no caso, indie. Isso com certeza deve ter um lado bom que eles estão enxergando muito bem.

Eu não vejo essa escolha de forma tão positiva, pois, cá entre nós, as reuniões em sua maior parte parecem interessantíssimas no papel e, na prática, acabam quase sempre decepcionando. Seria a chance de o Divine Fits impressionar e virar esse jogo? Seria, pois A Thing Called Divine Fits é um ótimo disco para um super-grupo. Agora, para uma banda de verdade, é um álbum de estreia quase bom – bem regular, aliás.

Calma, que eu vou explicar.

O disco de estreia de uma banda que quer impressionar deve conter alguns itens básicos. Ou todos, ou alguns desses: originalidade; mega hit; surpresa; nostalgia; etc etc etc (acho que já deu pra entender). Sem nenhum desses itens, é provável que o debute da banda passe em branco – e isso não quer dizer que seja, necessariamente, um disco ruim.

O trabalho de um super-grupo não exige nada disso. É o ar de improviso e de experiências divididas que cria uma boa ou uma má atmosfera que influenciará no resultado final da gravação. Chamar a atenção é fácil, visto que já conseguiu montar um super-grupo (o que seria mais difícil que isso?). Fácil como foi para o Divine Fits, que já chamou a atenção mesmo antes de apresentar qualquer música. Fica como missão para o super-grupo não decepcionar, conseguindo criar bons momentos, mesmo que não tão marcantes em longo prazo – afinal, pra que trabalhar com um prazo maior pra algo que não deve produzir mais nada ao decorrer dos anos?

O nosso super-grupo, em questão, conseguiu criar esse bom álbum. Mas não sendo um super-grupo, a nossa banda de verdade não conseguiu.

Facilmente, conseguimos perceber ótimas músicas no universo em que as duas cabeças da banda costumam passear: Dan Boeckner, com suas boas melodias para rock e sua paixão por synths, e Britt Daniel, com cada repetição ritmada que adora. A união parece perfeita entre eles e, mesmo que ainda seja visível certa divisão de tarefa nas composições, é claro o vínculo entre cada canção. “My Love Is Real” parece um cartão de visitas que diz “é isso que acontece quando você nos junta” e, estranhamente, não funciona tão bem. Porém a proposta logo muda em “Flaggin A Ride”, que parece ter escapado de alguma sobra do Spoon, e “What Gets You Alone”, que é Wolf Parade até os ossos (e isso é bom demais). A primeira canção divulgada, “Would That Not Be Nice”, é a 4ª faixa, e demonstra melhor o que a união desses grandes artistas pode gerar.

A surpreendente kraftwerkiana “The Salton Sea” dá continuidade ao álbum, que já fez suas devidas apresentações. Destacam-se ao restante a acústica “Civilian Stripes”, a quase balada “Shivers” e a pop “Like Ice Cream”.

Aí resta alguma dúvida de que o Divine Fits pode criar boas músicas? Não. Mas na falta de um elemento para o disco realmente chamar atenção, a banda acabou por apostar em sua super formação (apesar de negar o título). E aí escolher o título de uma banda “comum” só traz um único benefício para nós ouvintes: a esperança de outros lançamentos. E que eles preencham bem o currículo dessa suposta nova banda, já que o A Thing Called Divine Fits ficou devendo.

Enfim, temos em mãos um álbum quase bom de uma quase banda, e isso não é um saldo exatamente positivo.

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