Doug Paisley - Strong Feelings

Doug Paisley
Strong Feelings

No Quarter

Lançamento: 21/01/14

Definitivamente, Doug Paisley não caminha sob a luz de nenhum holofote. E isso parece combinar demais com ele. Longe de ser popular, mas com uma canção tão universal e acessível, o canadense é mais iluminado pelas mentes curiosas que procuram conhecer o seu trabalho. Excelente trabalho, aliás. O alternative-country produzido é simples, belo e sincero – e realmente country, visto que grande parte das figuras do estilo fazem mais “alternative” do que “country”, soando como simples rock. Não é rock que Paisley faz, e você vai agradecer por isso.

Seu terceiro álbum, Strong Feelings, que acaba de ser lançado e que sucede os elogiados Constant Companion e sua auto-intitulada estreia, apresenta 10 sensíveis e precisas faixas que se encaixam tão bem hoje, quanto caberiam em algum ano perdido na década de 70. Aliás, Doug busca lá em 70, além de suas influências mais visíveis, um parceiro para composição de arranjos em seu trabalho, Garth Hudson, do The Band. Não é pouca coisa e se encaixa perfeitamente à proposta legítima de country e folk, onde são apresentadas canções calmas e silenciosas, na sua maioria, que não sentem a necessidade de gritar nada aos nossos ouvidos – elas sussurram.

“Radio Girl”, faixa que abre o disco, é graciosa. De fluxo fácil, o canadense viaja 25 anos atrás ouvindo no rádio a música que traz lembranças da tal “radio girl”. E é com essa ternura que Paisley fala de sentimentos e relacionamentos sem medo do clichê, já que soa tão natural e enraizado em suas origens e em tudo aquilo que influenciou sua sonoridade e poesia: será um leve country em faixas como “Song My Love Can Sing”, “It’s Not Too Late (To Say Goodbye)” e na iluminada “Where the Light Takes You”; vai encarnar Nick Drake em “Old Times”; “To And Fro” vai trazer um trote mais pesado e riffs de guitarra à la Neil Young, enquanto “What’s Up Is Down” flutua suave para flertar com jazz e “Growing Souls” abusa do órgão e mellotron para criar seu clima mais etéreo. Sobra para “Because I Love You” a função de ser o simples folk no violão, assim, por apenas ser. Doug Paisley está menos preso à extremidade do cru que guiava seus trabalhos anteriores.

O que a presente e potente voz do canadense também deixou um pouco pra trás no novo trabalho foram os ganchos pop presentes em Constant Companion – as canções ainda são bem acessíveis mas, por vezes, não se sentem na obrigação de engatar refrões mais pegajosos como outrora e como parecia natural numa escala de “evolução”. Aliás, essa é a desculpa perfeita que você tem para conhecer cada sutil mudança do músico. Vire seu holofote para ele e deixe que ele te ilumine com suas canções – Strong Feelings parece perfeito para isso.

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  • Edvan Barros

    De fato country que lembra o grande Nick Drake bela canção vale a pena procurar conhecer mais o trabalho do Doug Paisley.

  • Ricardo Pereira

    Obrigado por me apresentar! Lindo o disco!