Ecos Falsos fala sobre ‘Quase’ e mostra teaser de novo clipe

Foram quatro meses desde o lançamento do “pacote básico” (com 10 músicas) de Quase, novo disco do Ecos Falsos. Desde então, a banda lançou 5 singles: cada um representando uma letra do nome do CD e contendo três músicas, sendo uma delas inédita. Ou seja, hoje temos 15 músicas do Ecos para curtir e baixar pelo site oficial da banda. E o Move That Jukebox não só recomenda com todas as forças esse novo trabalho dos paulistanos, como também teve a curiosidade de saber como foi a receptividade dos fãs – e da própria banda, por que não? – com Quase e todo o mecanismo que envolveu sua divulgação e lançamento. Para isso, recrutamos o vocalista Gustavo Martins, que respondeu pronta e gentilmente nossas perguntinhas envolvendo o álbum e otras cositas más. Não perde:

Qual é o balanço geral que a banda fez do mecanismo de lançamento dos singles de Quase? Se tivessem a chance, vocês fariam exatamente igual ou mudariam alguma coisa?
O balanço geral foi positivo, sim. Foi bom ver que os fãs estão receptivos a ideias novas, e ajudou a dar destaque às músicas individualmente, que era nosso plano principal. O formato disco é uma coisa arbitrária, se você for pensar, à qual nós só continuamos apegados por costume. Reavaliando como conduzimos o processo, talvez por esse costume mesmo, eu acho que nós fizemos a coisa confusa demais, hahaha. Como havia muitos pedidos pelo CD completo nos shows, fizemos uma ediçãozinha limitada com 10 músicas que dificultou muito a compreensão de todo mundo, até a nossa. Hoje eu pensaria num projeto mais simples, com menos elementos. Mas, desde o começo, nós já sabíamos que era uma ideia que ia se desenvolver conforme rolasse, um teste de transição, mesmo.

E a recepção dos fãs? Tiveram um feedback positivo do modo que vocês escolheram para lançar e divulgar os singles?
Essa foi a parte mais legal, ver que os fãs acompanharam o ritmo e prestaram atenção em casa música, comentaram, foi bem positivo. E o resultado mais evidente é que em todos os shows que fizemos recentemente já tinha gente cantando as músicas, o que demorou muito mais com o Descartável Longa Vida.

Um fato bem corriqueiro atualmente é as pessoas baixarem vários discos por dia, escutarem uma vez cada um e os deixarem de lado logo depois, independentemente da qualidade. Divulgar novas b-sides “aos poucos” foi um modo de prender a atenção dos ouvintes por mais tempo, mantendo a curiosidade deles?
Sim, era um dos objetivos. O excesso de informação está atingindo um nível brutal, as pessoas não conseguem mais se concentrar em nada. Eu mesmo, quando baixo um disco, raramente tenho tempo de ouví-lo inteiro com atenção. Então, soltar três músicas por vez pareceu de bom tamanho. Outro objetivo era tentar subverter mesmo esse processo de “lançamento”, um evento que acontece de uma vez só. Por que não aumentar esse período de interesse, ao invés de matar toda a expectativa de uma vez só?

Todo mês, uma das músicas inéditas que vinham nos singles aparecia com pelo menos um convidado especial . Como foi a escolha dos músicos que participariam das gravações?
Foi por afinidade e pelo que a música pedia, mesmo. “Deadline” já tinha uma versão com a banda antiga do Vini, o Jazzblaster, então pensamos que colocar uma voz feminina ajudaria a diferenciar nossa abordagem, e o próprio Vini convidou a Julia do Condessa Safira. Ao mesmo tempo, o Martim do Zefirina tocava nessa banda do Vini, então achamos legal que fosse ele o baixista da gravação. Quando “Só Penso no Meu Bem” ficou pronta, também pareceu que pedia um vocal feminino, e chamamos a Érika Martins por já nos conhecermos faz tempo. Sou amigo do Gabriel, do Autoramas, também. O Martin Mendonça a gente já conhecia faz tempo, ele sempre gostou de “Sentimental”, então pensamos na música que mais caberia convidá-lo, e foi “Litania”. O Alejandro, do Detetives, o Rafa, do Capim Maluco, e o Felipe Barba são muito amigos nossos, então também queríamos incluí-los de qualquer maneira.

A banda apareceu com uma baita surpresa em 2009: o clipe interativo de “Spam do Amor”, que funciona mais ou menos nos moldes de Guitar Hero. Vai ser um grande desafio aparecer com uma outra inovação dessas para a divulgação de um novo trabalho? O que vem em mente quando vocês pensam sobre o futuro do Ecos Falsos?
Ah, a gente adora ter ideias, temos vários projetos ambiciosos, o difícil é fazê-los! “Spam” mesmo é um exemplo. Ele veio de uma ideia muito mais elaborada de clipe, em que teriam vários televisores e videocassetes e nós “mixaríamos” as imagens ao vivo. Chegamos a tentar roteirizar isso, mas era uma loucura, dava trabalho demais. Daí um dia eu pensei nesse formato pra internet, e pra minha surpresa funcionava até que bem. Eu adoro ficar bolando esses estratagemas muito loucos para surpreender as pessoas, acho que faz parte do nosso trabalho, hã, “artístico”. O Niemeyer vive dizendo que toda arte que preste tem que ter um elemento de surpresa, e eu acredito mesmo nisso (#esnobei). Mas acho também que não dá pra seguir o paradigma do Ok Go à risca, senão você acaba virando uma banda mais de ideias do que de música. O que a gente pensa pro futuro, resumindo, é só isso: fazer o que estiver ao nosso alcance pra que as pessoas se interessem pelas músicas. Elas são o começo e o fim de todo trabalho.

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Por falar em vídeo, a banda disponibilizou mais um making of do segundo clipe extraído de Quase. A música escolhida foi a divertida “Verão de 69“, que ganhará um vídeo completo em alguns dias. Enquanto isso, fique com um teaser filmado por Gustavo, em Guarujá, e que conta com a presença do homem da sunga azul:

E ah, o vídeo acima é o segundo making of do clipe. Pra quem quiser ver o primeiro, tá na mão.