Editors - The Weight of Your Love

Editors
The Weight of Your Love

PIAS

Lançamento: 28/06/13

A década passada acabou há alguns anos – se esvaindo com ela, algumas bandas que brilharam apenas por certos instantes e não prosperaram. O início dessa nova “era” vem sendo o teste fatal para muitas dessas que não demonstraram força e nem potencial para uma carreira mais consistente. Confesso que lamento por muitas dessas e até vejo injustiças acontecerem. Mas a verdade é que a renovação é um processo natural do universo pop, e aqueles que não mantém um certo nível de qualidade mínima exigido por público e crítica, se perdem.

O Editors passa por esse teste com o lançamento de seu quarto álbum, The Weight of Your Love, após quatro anos de seu último LP, In This Light and on This Evening, e a banda britânica já começa perdendo pela saída de seu guitarrista e fundador da banda, Chris Urbanowicz, por “divergências musicais” quanto ao futuro (agora presente) do grupo. E com essa perda, cabia a Tom Smith, com sua voz poderosa e seus companheiros, reanimar a banda e compensar essa derrota com músicas empolgantes e poderosas que um dia fizeram do Editors uma promessa na década que se passou. Porém, a sensação é a de que o tempo, do agora quinteto, realmente passou e que já não há promessas que nos fará animar quanto aos seus próximos passos.

Tom Smith declarou que o novo disco seria uma experiência interessante, visto que o trabalho vinha sendo feito em cima de canções mais abrangentes que se tornariam as faixas de um disco de uma nova banda, inspirada por novos lançamentos do R.E.M e Arcade Fire, assim como outras do continente americano. Não sabendo bem como Tom pretendia aplicar isso na sonoridade, só é possível identificar a trupe canadense citada como “referência” em um plágio descarado de “Neighborhood #2 (Laika)”, segunda faixa da estreia Funeral, na canção “Hyena”, em sua melodia que se repete em um coro. Evitando essa vergonha, pouco pode se reconhecer de influência, e sobram apenas exageros desnecessários que tentam aplicar o conceito de grandiosidade, que o Arcade Fire executa com excelência, de forma falha — sendo o disco conceituado em quatro partes (três trincas e uma dupla de faixas), sua segunda parte, composta por “What Is This Thing Called Love”, “Honesty” e “Nothing” é a mais decepcionante, exatamente por pecar nesses exageros dispensáveis e tolos.

Analisando em partes, como pede a proposta, temos uma primeira parte eficiente: “The Weight” não empolga, mas tem consistência; a industrial “Sugar”, arrisca uns passos tortos de Nine Inch Nails, mas mostra bem a base que sustentou o Editors até então; já “A Ton of Love” é uma grata surpresa, com sua poesia mais coesa e refrão grudento — tem a força que um dia nos fez observar o Editors com olhos orgulhosos.

Passando com coragem pela segunda parte do disco e ignorando a vergonha que se encaixa no meio da terceira, “Formaldehyde” é também um belo hit e se destaca ao lado da terceira faixa, com alguns clichês muito bem utilizados. Tensa,  “Two Hearted Spider” relembra o formato de canções que prevaleceu no segundo álbum da banda, com a densidade de músicas que compunham o terceiro disco. Já a dupla de temas que fecham o trabalho não brilha muito, mas não chega a decepcionar como recheio de disco. Mais acústica e num formato não muito convencional, “The Phone Book” é bonita e tem seu brilho. “Bird of Prey” tenta alçar vôos mais altos do que as asas da banda consegue sustentar e assina a obra de forma condizente: com apenas alguns rabiscos meio apagados.

The Weight of Your Love é um disco ruim, porém, pior do que isso, é um disco preguiçoso que tenta disfarçar fracas composições com arranjos exacerbados. Tom Smith chegou a assumir durante um período recente sua insatisfação com o que vinha produzindo. No entanto, logo após ele se disse empolgado com o que havia desenvolvido para o projeto lançado agora. Fica a curiosidade em saber como seriam então essas composições anteriores, já que são essas as “empolgantes”. Ou não: já temos decepções o suficiente quanto ao Editors, por enquanto, e que se refletem em todas as promessas da primeira década do novo século que não conseguiram nos manter interessados por mais do que dois discos ou duas faixas – e ficarão apenas como boas lembranças ou pequenos desperdícios.

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  • Jose Buique

    esse novo cd na minha opinao é a renovaçao da banda
    superou o terceiro album da banda , que tambem tem musicas Maravilhosas mesmo assim nao supram nem The Back Rom nem AN END HAS A START.