El mató a un policía motorizado - La Dinastía Scorpio

El mató a un policía motorizado
La Dinastía Scorpio

Independente

Lançamento: 28/11/12

A relatividade de tempo e espaço é algo complexo de entender, exatamente porque é difícil de explicar. A minha função não é ser profundo demais aqui e minha vontade também não é essa – assim como as canções que o El mató a um policía motorizado, quarteto argentino, que não querem ser, e nem são, complexas demais. Porém, ao contrário do que enxergo nos meus momentos de “colunista”, eles são profundos. Profundos porque tocam os corações, desde 2005, daqueles que entram em contato com suas músicas, principalmente os que entram em contato sem preconceitos com o idioma.

Não foi o que aconteceu comigo, aliás. Demorei a me aproximar da banda por não conseguir aceitar bem o espanhol no rock – porque é o que eles fazem: rock, mesmo que agora menos sujo do que anteriormente, e de uma forma pura e sensível. E foi exatamente por não pertencer ao mesmo espaço que a banda, e assim não me habituar ao idioma, que o tempo foi essencial para que eu enxergasse os rapazes de La Plata como uma das bandas mais interessantes que existem (não só na América Latina e nem só abaixo da linha do Equador). E foi esse mesmo tempo (traiçoeiro, por vezes) que atrapalhou La Dinastía Scorpio, mais recente disco da banda, lançado no fim do ano passado e tão difícil de ser encontrado da costumeira maneira como adquirimos, de estar na minha lista de melhores do ano. Mas isso é o de menos, já que não é por não podê-lo encaixar numa lista que parece desperdício esses dias longe do álbum. É que, a cada audição, ele se faz mais essencial ao momento que tenho passado – parece me preencher por não poder estar em certos lugares que quero estar e por não poder “gastar” meu tempo de algumas maneiras também. Aí já não se trata só de espaço e tempo, o lance é sentimento. E sentimento é ainda mais complexo de ser explicado.

Apesar da complexidade de serem explicados, sentimentos são práticos de serem expostos. Pelo menos pra alguns, e esse é o caso do El mató. O novo álbum, segundo da banda lançado sete anos após a estreia (que foi seguido por uma trilogia de EPs), já abre com “El magnetismo” – faixa tão bonita quanto delicada –, que diz: “En este mundo peligroso tenemos que estar juntos”. O que parece apenas uma vinheta, de menos de um minuto e meio, se torna a porta de entrada de um grande álbum- melhor e mais completo trabalho até então apresentado pela a banda.  A sonoridade das faixas forma a boa unidade de ruídos com guitarras altas, baixos marcados e melodias bem elaboradas.

As influências são as mesmas de anteriormente – algo que mistura Thurston Moore com Frank Black e Robert Pollard, e traz toda aquela delícia noventista que também nos fez nos apaixonar pelo falecido Superguidis. Mas se há algo que mudou nesses últimos sete anos com a banda não foi a distorção das guitarras, e sim a distorção dos nossos sentimentos – fazendo um jogo com tristeza e otimismo, brincando com a beleza da esperança e as emoções da verdade que é difícil aceitar. Eles estão mais certeiros nisso, e o maior exemplo é o já hit-pronto “Más o menos bién”. Ouça com desprendimento pra entender do que falo.

Assim como a quarta faixa do disco, a romântica “Chica de Oro”, a balada “Terror”, a quase flutuante “Nuevos Discos” e a pop “La cara en el asfalto” podem ser facilmente destacadas. Mas o essencial é que se aprofunde no álbum como um todo. Para que ao fim, quando ouvir “Cuántas noches me despierto y pienso en el tiempo perdido… Ya nada va a ser igual, vos no vas a ser igual”, na última e mais longa faixa do disco, entenda um pouco sobre o que sinto que é tão difícil de ser explicado. Eu quero esses sentimentos bons sendo despertados em você também.

A profundidade dos sentimentos deveria ser sempre assim, adorável – seria mais fácil conviver com todos eles.

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  • Victor

    Assino embaixo, como se eu mesmo tivesse escrito esse texto. Popmata rulez!

  • Gabriel

    Bela resenha de um belo disco. El mató se tornou uma das minhas bandas favoritas ultimamente. E o que mais me encanta é essa complexidade de sentimentos em canções tão simples.