El Mató a un Policía Motorizado – SESC Belenzinho (SP – 13/04/2013)

 El Mató a un Policía Motorizado – SESC Belenzinho
(Foto por Juliana Regiolli)

Um bom show depende muito do quanto ele é capaz de representar uma banda ou um momento específico dela. A história traz Bowie inventando trocas de roupas durante o espetáculo, que representaria o camaleão por toda sua carreira, e o Pink Floyd construindo um muro para conceituar seu álbum, que também criava um momento inédito. De forma simples ou não, o The Hives leva o humor e os clichês para o palco, o Muse leva a megalomania, o Arcade Fire leva a grandeza, e assim se segue, quase como padrão, bons shows e o quanto realmente representam os artistas. O El Mató a um Policía Motorizado levou para o auditório do SESC Belenzinho, no último sábado, toda simplicidade, emoção e honestidade de seus álbuns – não tinha como ser ruim.

El Mató a un Policía Motorizado – SESC Belenzinho
(Foto por Juliana Regiolli)

A banda não precisou de movimentos performáticos para chamar a atenção. Ainda com as cortinas fechadas e as luzes apagadas, “El Magnetismo”, canção que abre o ótimo e mais recente álbum da banda, iniciava e anunciava o ótimo setlist que estava por vir. A banda, contida e concentrada, executava com perfeição suas canções que falam sobre as coisas mais simples que existem de maneira linda e empolgante – empolgação que a banda até podia não demonstrar por certa timidez, talvez, ao se apresentar para um público sentado que os assistia atentamente e os analisava. Mas foi essa mesma empolgação que tirou o público de suas cadeiras e o colocou de pé frente à banda, que agradeceu e seguiu seu ritmo com canções do novo álbum, com destaque para “Mujeres Bellas y Fuertes”, “Chica de Oro” e a sensacional “Más o Menos Bien”, todas acompanhadas pelo público, e também com os clássicos da banda, como “Mi próximo movimiento”, “Amigo Piedra”, “Chica Rutera”, “Navidad de los Santos”. Um show à parte foi na dobradinha “Prenderte Fuego “ com “Noche de los muertos” – ruídos e ritmos que se alternavam para cada verso se encaixar e encerrar o show deixando mais clara ainda a sensibilidade do grupo e o poder de despertar isso no público.

El Mató a un Policía Motorizado – SESC Belenzinho
(Foto por Juliana Regiolli)

A banda ainda voltaria para um bis, que não parecia programado, e tocaria outro clássico: “Sábado”. Estar ali aproveitando aquele momento até veio a calhar com a escolha dessa última música, que diz “Sábado, en mi cama. Y si te invito a jugar, me dirás que no” – ao fundo do palco, as imagens projetadas no estilo Animal Planet me lembrou a TV ligada de maneira despretensiosa; com as músicas que tanto falavam sobre mim e com meus amigos ao lado, ficou a sensação de conforto de estar na cama em um sábado preguiçoso. Só que não estava, pois aceitei “jugar” com o El Mató naquela noite. E foi um jogo onde todos ganharam.