Elza Soares faz pré-lançamento de videoclipe e leva público das lágrimas ao riso

Elza Soares ao aldo de Rubi em “Benedita”. Foto: Twitter/Elza Soares

Elza Soares participou da Mostra Motumbá, que está em cartaz no Sesc Belenzinho, e em quatro dias apresentou particamente de forma “privê” para privilegiaados que conseguiram comprar ingresso para este show disputadíssimo. Passei por lá na sexta (17), para conferir essa diva ao vivo e acabei tendo uma bela surpresa, Elza está para lançar o primeiro videoclipe de seu Mulher do Fim do Mundo (2015), e escolheu a faica título para isso. O vídeo gravado na Audio Rebel, no Rio de Janeiro e com direção de Eryck Rocha é um clipe poderoso e mostra mulheres negras também lutando por respeito. Impossível não ficar emocionado.

Ela começou o show com “Coração do Mar”, a música quase citação que logo caiu em “A Mulher do Fim do Mundo” sentada em seu trono e gripada, Elza explicou que precisava da ajuda de todos para terminar a apresentação. Seguiu para “O Canal” e eu que já não segurava mais as lágrimas e já fungava também por conta do ar condicionado, chorei ainda mais, por um motivo simples, a música cita meu nome e diz: “Alessandra não vai bem” e se você está sensível, e você está na segunda fila com a Elza Soares caantando seu nome, amigo, você vai chorar. E seguiu para “Luz Vermelha”.

A música que veio depois foi a primeira a sair do disco lançado, a famosa “A Carne”, que foi emendada por um breve discurso: “A minha carne não, porque eu lutei e não será a mais barata [do mercado]! Eu sou negra! Eu sou negra!”, repetiu durante a canção. Foi uma catarse! Elza foi aplaudida de pé ao final da canção quando disse: “Tem que ir à luta, tem que buscar se valorizar”. O que na voz dessa mulher que sofreu tanto preconceito, tanto por ser mulher, como por ser negra fez absolutamente todo sentido.

Elza está bastante debilitada. Sua voz já não é mais a mesma e ela canta todas as músicas lendo numa colinha. Mas o humor, a alegria e sua força são extremamente contagiantes. Quando alguém gritou pela primeira vez: “Maravilhosa”, o que se repetiu durante a apresentação, ela disse: “Olha, vocês falam isso e eu acredito. Depois vocês não sabem como eu saio daqui, toda me achando” e arrancou risadas da plateia. Depois de contar com a participação do cantor Rubi para “Benedita”, pediu que ele subisse no trono e deitasse no colo dela. A brincadeira que veio em seguida foi sobre o suor do cantor que também dançou. “Tá molhadinho, meu filho? É que com o calor fica mais molhado, né?”, disse em meio à risadas.

De novo, uma nova analogia ao sexo, quando afirmou que Kiko Dinucci havia escrito a canção especialmente para ela. Era a vez de “Pra Fuder”. Se tem algum motivo para essa mulher ainda estar fazendo essa quantidade de shows, com certeza é por essa energia.

Mesmo que Elza Soares não seja mais a potência vocal que era antes, mesmo que não tenha mais como dançar no palco, como fazia antes, seu show é para rir, chorar, ou seja, se emocionar mesmo, pois essa é sem dúvida a mulher do fim do mundo.