Empire Of The Sun – Ice On The Dune

empire of the sun

No final da “Awakening”,  sexta faixa do Ice On The Dune, fica claro que o Empire Of The Sun não perdeu o rumo na hora de fazer o segundo álbum. Essa faixa, um pouco mais lenta que as canções anteriores, é cheia de detalhes interessantes em meio à montanha de sintetizadores, percussões eletrônicas e vozes sobrepostas, tem uma melodia vocal memorável antes dos refrões (que também não são nada maus) e vai de uma ideia a outra de forma fluida e ágil, sem desperdiçar um segundo. Seria fácil dizer que ela é só mais uma música pop no meio de milhões de outras nesse mundo, mas isso seria desconsiderar o cuidado e a atenção com que ela foi feita. Essa afirmação, de certa forma, vale para o disco inteiro.

Mas “Awakening” também é especial porque, além de ser uma das melhores do disco, é consideravelmente diferente das anteriores pelo seu andamento mais lento e pelo clima mais introspectivo que ele proporciona. Com exceção de “Lux”, uma abertura orquestral curtinha que, embora seja interessante, não tem muito a ver com o resto, as quatro outras faixas que a antecedem são puro pop eletrônico, com ritmos dançantes e melodias que parecem se esforçar para ser grudentas – e conseguem.”DNA” é prova disso, um belo single que usa um violãozinho legal no começo para destacar os belos vocais da dupla, mas que logo explode num belo refrão que implora para ser usado num mashup com “Teenage Dream”, da Katy Perry.

“Alive” e “Concert Pitch” seguem essa mesma estratégia e também são boas, mas não tanto quanto a primeira: talvez pela falta de variação no volume, talvez por não ter melodias tão notáveis ou talvez simplesmente porque vêm depois da ótima “DNA”. Isso é meio preocupante, porque leva a imaginar que o restante do disco vai ser inteiramente composto por versões fraquinhas do primeiro single. Mas então vem a faixa-título, de andamento ligeiramente mais rápido que as outras, com o melhor refrão do álbum, backing vocals afiadíssimos, melodias de sintetizador e uma batida empolgante, e desfaz qualquer preocupação. Quando, depois dela, “Awakening” mostra de uma vez por todas que a dupla sabe muito bem o que está fazendo, a guerra já está vencida.

O primeiro álbum de Luke Steele e Nick Littlemore, Walking On A Dream, de 2008, estava dividido claramente em uma primeira metade mais pop (de onde saíram hits como a faixa-título, “We Are The People” e “Half Mast”) e uma segunda metade um pouco mais fraca, na qual a banda arriscava umas experimentações interessantes (como “Swordfish Hotkiss Night”) e que às vezes lembravam o MGMT (como “Delta Bay”), mas que em geral não davam muito certo. Nesse segundo trabalho, parece que a dupla resolveu deixar de lado essas experimentações e se especializar nas faixas pop da primeira metade. E, de fato, eles conseguiram: as produções nesse disco são tão cuidadosas e bem realizadas que fazem as faixas do debut parecerem coisa de iniciante.

O disco, aliás, tem um som tão minuciosamente produzido, tão profissional, que em alguns momentos ele soa meio robótico e morto. O mais notável desses momentos é “Keep a Watch”, balada lerdinha  que fecha o trabalho. Depois de mais de meia hora de pop alegre e dançante, ela destoa grosseiramente do resto das faixas, e seu andamento arrastado e produção plastificada dão a ela uma rigidez que nem a competente performance do vocal consegue desfazer. Na maior parte do tempo, porém, as vozes empolgadas da dupla “vendem” cada linha que cantam, e são largamente responsáveis por dar vida ao álbum. Outros toques interessantes, como a melodia de teclado da “Celebrate”, que lembra um pouquinho a Electric Light Orchestra, e os acordes “vocoderizados” que abrem “Surround Sound”, também ajudam a atenuar a sensação de excessivo polimento.

E há também alguns momentos que lembram a segunda metade do álbum de estreia da dupla (embora arrisquem bem menos), como a bela “I’ll Be Around”, cujo começo remete um pouco ao Fleetwood Mac, e a quase instrumental “Old Favours”, que tem, além de melodias grudentas, uma linha de baixo bem legal. No geral, porém, Ice On The Dune mostra Luke Steele e Nick Littlemore se especializando no que a estreia deles tinha de melhor e levando esse som a um outro nível. Certamente não é o disco mais original e variado que você vai ouvir esse ano. Mas quando um álbum tem tantas faixas boas e descaradamente pop quanto esse, isso não é motivo de preocupação.