Entrevista: As várias facetas de Mallu Magalhães. Artista, mãe, imigrante e mulher

mallu - montagem 3

Bem mais despojada do que anos antes, Mallu mostra várias fotos do cotidiano em seu Facebook. Fotos: Facebook e Divulgação.

Texto: Flora Pinheiro
Edição: Alessandra Braz

O retorno aos palcos de Mallu Magalhães era aguardado apenas no ano que vem, mas foi antecipado. Este mês ela fará uma breve passagem pelo Brasil e, nos próximos meses, por algumas cidades portuguesas. O motivo é o mesmo que batiza essa rápida turnê: saudade. Acompanhada apenas de violão, a cantora passa por São Paulo (no dia 27 de agosto, no Tom Brasil) e Rio de Janeiro (2 de setembro, no Vivo Rio) e promete cantar as músicas de todas as fases de sua carreira.

Com lançamento previsto para 2017, o quarto disco da carreira deve vir recheado de canções inéditas. Mallu já está no processo de gravações – dentro de casa por causa da filha pequena – e, em clima de aquecimento para as próximas apresentações, a cantora divulgou na segunda (1º), o primeiro single, intitulado de “Casa Pronta” (que você assiste abaixo). A faixa já dá pistas do que os fãs podem esperar das apresentações dessa rápida turnê e também no novo disco. Com arranjos claramente influenciados pela bossa nova, a música tem trechos como “vem pra perto de mim, já cansei de esperar. Você não vai acreditar quando ver a nossa casa pronta”. O clipe passeia por São Paulo, Rio e Lisboa.

Por email, a cantora respondeu algumas perguntas para o Move That Jukebox e falou sobre como tem sido a rotina de gravar o novo trabalho enquanto ainda se adapta à vida materna, as influências da vida em Portugal e o que mais tem escutado da nova safra da música brasileira.

Move That Jukebox: Depois de morar alguns anos em Portugal, há algo na cultura desse país que a influencia em seu cotidiano e arte?

Mallu Magalhães: Muita coisa. Vejo os portugueses com muita admiração e tenho um dia a dia muito pacífico. Sou muito grata a Portugal. Acho que essa sensação de estabilidade, de calma que tenho em Portugal me deu integridade e coragem, no cotidiano e, consequentemente, na produção artística.

Move That Jukebox: Quais são os artistas portugueses que conheceu depois de se mudar praí e que poderia indicar para os leitores do Move?

Mallu Magalhães: A banda do Fred, baterista da nossa Banda do Mar, que é um máximo, chama Orelha Negra. Sou fã, também, da Capicua, do Laia

Move That Jukebox: Há algumas semanas você postou em sua conta no Instagram que está preparando o novo trabalho: “Microfone USB; a solução caseira para uma mãe de bebê pequeno preparando um novo álbum”. Como está sendo a rotina de gravar um disco em casa com a filha?

Mallu Magalhães: Ainda estou muito no início, finalizando as canções, pensando no mapa, no andamento, tom e me familiarizando com o repertório. Por mais ajuda que tenhamos, um bebê pequeno dá muito trabalho. Até porque quando ela chora, não tem jeito, vou correndo ver o que é, assim como quando ela ri. Também quero ver. Quero olhar para ela o tempo inteiro. Aos poucos estou conseguindo me dedicar mais ao trabalho e às minhas coisas.

Move That Jukebox: O que os fãs podem esperar para os shows da turnê “Saudade”?

Mallu Magalhães: Serão shows muito únicos, muito especiais. No Brasil, apenas dois, e pouquíssimos em Portugal, também. O repertório será bem variado, tocarei canções antigas, de minha autoria, farei interpretações de músicas que gosto além de revelar duas novas. Será muito intimista e caprichado. Tenho me dedicado muito para esse show. Cada detalhe, do cenário aos assobios.

Move That Jukebox: Por que essa turnê será voz e violão?

Mallu Magalhães: Como a ideia era matar a saudade enquanto não sai o álbum novo, pensei em fazer um show especial, único, diferente dos anteriores. Além disso, esse show me dá bastante mobilidade e flexibilidade. Posso ensaiar em casa, ao contrário do que faria se fosse com banda. Só assim é possível preparar um show agora.

Move That Jukebox: Do que você mais tem saudade?

De muita coisa. Tenho saudade dos meus amigos, do pessoal que trabalho, do público… E saudade do polvilho, do açaí… Saudade dos sotaques, saudade das plantas e do mar quente… E, claro, muita saudade da minha família.

Move That Jukebox: Você tem acompanhado os novos artistas da música aqui no Brasil? Por exemplo, Liniker, Johnny Hooker, Jaloo?

Mallu Magalhães: Claro!! Grandes artistas! Que orgulho do nosso Brasil! Adoro a coragem, a autoralidade… e as letras. Tenho ouvido grandes letras, e sei como é difícil fazer uma letra bonita. Confesso que tenho especial paixão pelo Liniker, tenho curtido muito ele.

Move That Jukebox: Você pinta, borda, já atuou em cinema e publicou livro. O que mais podemos esperar da Mallu artista?

Mallu Magalhães: Difícil prever, nem eu sei! Mas tenho me dedicado inteiramente à música. Tenho cantado muito, ouvido e pesquisado muito, tocado muito violão… Estou muito animada com meu próximo disco. Será um disco de música brasileira, de canção. E acho que ficará lindo!