Entrevista: Boss in Drama

Em 2010, o Boss in Drama foi longe: descolou o prêmio de melhor artista eletrônico do ano no VMB, foi convidado a integrar o casting do Vigilante (braço indie da Deckdisc, um dos selos mais legais do país) e ganhou não só o coração da imprensa musical brasileira como também o Justin Timberlake como fã confesso.

Entre alguns devaneios oitentistas, o sonho de tocar em um karaokê na Tailândia e informações exclusivas sobre o seu primeiro álbum, o jovem Péricles Martins bateu um papo com o Move enquanto arrumava as malas rumo a Uberlândia, Minas Gerais, onde toca como atração principal da festa Invasão. Saca só.

No ano passado você ganhou o prêmio de melhor artista eletrônico pelo VMB, premiação da MTV Brasil. Como avalia essa conquista? Sentiu que alguma coisa mudou na sua carreira depois disso?

Foi legal porque eu tinha acabado de lançar meu vinil e o prêmio deu um gás na minha carreira aqui no Brasil, principalmente em relação a convites para produzir outros artistas.

Também em 2010 você assinou com o selo Vigilante, braço indie da Deckdisc. Como tem encarado os resultados do trabalho com o selo até agora?

Lançamos um vinil ano passado e pro primeiro semestre de 2011 vai rolar clipe, single, disco e minha estréia com a banda de apoio nos palcos!

E em 2011, sai ou não sai o seu álbum completo? As gravações já estão acontecendo? Você já pode adiantar algum detalhe sobre?

O álbum está em gravacão, vamos lançar entre junho e julho. O processo é mais demorado porque eu produzo, gravo e arranjo tudo sozinho. O disco terá 13 faixas, sendo 11 inéditas e 2 já conhecidas (“Favorite Song” e “I’ve Got Tonight”). O disco vai ser uma mistura de R&B, disco funky e pop. Basicamente, músicas “good vibe” feitas pra divertir! A maioria das tracks tem percussão, guitarra, metais, cordas. Tudo muito orgânico!

Há algum outro plano para 2011 além do lançamento do álbum?

Vou estreiar minha banda de apoio nos palcos, turnê, clipe, single e outras cositas mas!

De um modo geral, tendo tocado em inúmeras festas e casas de São Paulo, como você enxerga a noite da cidade hoje?

Ultimamente, com os festivais e bandas internacionais vindo com muito mais frequência, a noite está bem mais fervida. Muitos turistas e até festas de dia de semana bombando.

Qual é a sua aposta para a música eletrônica nacional em 2011? E na gringa? Pode mencionar mais de um nome, se preferir.

Acredito que vão falar muito no James Blake esse ano. “Limit to You Love” é genial.

Em relação a novas bandas, o que você tem ouvido recentemente pra se inspirar?

Pra inspiração não costumo ouvir muita música nova. Gosto de buscar referências de preciosidades esquecidas e fazer algo novo! Eu amo música nova, mas se você pega só isso pra referência você acaba soando só como mais um.

O seu remix para “Hypnotize U”, do N.E.R.D, foi muito bem recebido pela crítica musical do mundo todo. Fala um pouco sobre esse trabalho pra gente.

Daft Punk e N.E.R.D são duas bandas que tão no meu top 5 de bandas da vida, e quando vi que as duas iam fazer uma produção juntas, eu fiquei mega empolgado. Quando saiu achei o resultado legal, mas esperava algo mais funky vindo do Daft Punk. Então resolvi fazer um remix super disco e alegre, pra rebater com o clima sombrio da original.

Sexta-feira será a primeira vez que você vai tocar em Uberlândia, numa série de festas que também levará Mix Hell, Bonde do Role, Chernobyl e Marina Gasolina à cidade. Alguma vez você já ouviu falar sobre as festas que rolam por lá?

Eu achei o line up do club melhor que vários aqui em São Paulo. Isso é incrível, pessoas que agitam a cena numa cidade de médio porte e trazem gente que faz um som legal pra animar as festas.

Em que lugar do mundo e ao lado de que banda/artista você sonha em tocar um dia?

Amaria tocar com o Pharrell Williams, Prince ou Ru Paul! Poderia ser em Dubai ou num karaokê na Tailândia.

Vemos nas suas composições, tanto visuais quanto sonoras, referências diretas e massivas aos anos 80 e sua cultura disco. Parece que hoje a gente vive uma série de resgates estéticos, releituras da música que se fez no passado são cada vez mais frequentes. Qual sua afinidade real com essa época/contexto estético? Você é daqueles caras que gostariam de ter vivido nos anos 80?

Eu busco referências nos anos 80 porque amo a estética glitter e o som funky, mas sempre tento trazer pro atual. Não sou daqueles artistas que ficam presos tentando resgatar uma época perdida fazendo tudo nos moldes do que já foi feito. Pra isso, já existe um monte de banda velha voltando e fazendo muito melhor que os “emuladores” atuais.