Entrevista: DJ Chernobyl

Chernobyl nasceu no Rio Grande do Sul mas, confessa sem medo, é completamente aficcionado pelo baile funk. Mais do que isso, é essa afinidade com o movimento cultural do gueto que dá identidade ao seu trabalho como DJ e produtor, hoje de renome internacional. Assinando trabalhos como o álbum With Lasers do Bonde do Role, o EP Gatas Gatas Gatas do Edu K e, como não podia deixar de ser, o álbum mais recente de sua banda Comunidade Nin-Jitsu, Chernobyl hoje precisa conciliar o seu tempo entregando remixes para um monte de gente grande, mantendo a sua residência na Festa Crew em São Paulo e trabalhando nas suas próprias composições.

No meio disso tudo, sugerimos que ele parasse um pouco para respirar e batesse um papo rápido com o Move. O cara apresentará pela primeira vez no Brasil o seu live junto com a Marina Gasolina na festa Invasão, dos parceiros Fiesta Intruders, em Uberlândia (MG).  Este post fecha uma série de entrevistas com expoentes do eletrônico nacional que realizamos em janeiro, da qual também participaram o Boss in Drama, o MIX HELL e o Bonde do Role. Com a palavra, DJ Chernobyl.

Você é um dos caras responsáveis pela explosão do movimento baile-funk/ghettotech nas pistas do mundo todo. De onde vem a sua obsessão pelo ritmo?

Eu sempre ouvi miamibass desde os anos 80, e esse tipo de hip hop mais “booty” e sensual da Flórida foi o que deu origem ao “baile-funk” no Rio. Achei genial a adaptação feita pelos brasileiros e, quando comecei a produzir nos anos 90, já mandei ver em vários beats do gênero na minha banda Comunidade Nin-Jitsu. Acho que a música de gueto é algo verdadeiro e respeitável, gosto de misturar as tendências de gueto do terceiro mundo com as coisas mais modernas que acontecem na Europa. Faço um baile-cosmopolita.

Vimos que você fez um remix oficial para “We no Speak Americano”, um dos maiores hits do eletrônico mainstream em 2010. Como foi trabalhar com o Yolanda be Cool?

Fazia pouco tempo que eles haviam remixado minha faixa “Le Cheval”, que foi lançada pela Exploited Records (Berlin). Ficamos amigos, fiz o remix para eles e até nos encontramos em SP no D-Edge esses dias no rolê.

Outro trabalho curioso seu é com os russos do Bazooka Boom, que incorporaram sem medo o ritmo baile funk à música “Hooli-Gun-Yo”. Você até aparece no clipe, hahaha!

Na verdade foram os russos que participaram da minha música, e não eu da música deles. É DJ Chernobyl featuring Bazooka Boom. Eu os conheci porque o Max, MC deles, tinha um selo que me solicitava remixes, etc… chamei eles para uma rima em cima de um track meu que tava pronto, depois o track entrou no EP Le Cheval. Fui tocar em Moscou e agitamos a fita do clipe por lá mesmo, na semana da minha gig. Amo aquela cidade e aquela galera, tenho ido tocar todo ano por lá. A equipe do clipe do é de primeira, só gente consagrada no meio artístico e publicitário de lá, e o estilista que forneceu as roupas foi o Denis Simachev.

Em 2007, você foi a única atração nacional do Fuji Rock Festival, no Japão, e se apresentou ao lado de gente como Simian Mobile Disco, Justice e Groove Armada. Foi foda? Alguma história engraçada para compartilhar?

Foi incrível! Melhor experiência da minha vida fazer parte de algo tão gradionso em um país tão diferente. Uma parada engraçada foi que o produtor do meu stage me pediu pra trazer cachaça do Brasil. Eu trouxe duas garrafas de Velho Barreiro Gold, eles compraram limão e açúcar, fiz milhares de caipirinhas no camarim e o povo todo ficava tomando em cima do palco, ao lado do show do… JUSTICE!

Como residente, qual é a melhor parte de tocar na nacionalmente conhecida Festa Crew?

Gosto muito da amizade com os DJs residentes, que são pessoas divertidíssimas; e a reação do povo frequentador que se joga no meu tipo de som.

Ourindo do Rio Grande do Sul, mas hoje morando em São Paulo, como você avalia a noite e o circuito de festas da cidade?

São Paulo é a quinta maior cidade do mundo e é a capital cultural da América Latina. Isso faz que todos os tipos de cena sejam fortes, inclusive a que eu vivo. Consequentemente tenho mais trabalho morando aqui do que eu tinha em Porto Alegre. Além de ficar no centro do país para a facilidade das pontes aéreas que hoje em dia fazem com que eu toque por todo Brasil. A cena de SP é mega fervida, tem muita gente que entende de música, a coisa é frenética e rola 7 dias por semana.

Em relação a novas bandas, artistas e produtores, o que você tem mais ouvido hoje?

Tenho ouvido muito um projeto chamado Caravan Palace e orquestras balcânicas como Balkanica Municipale.

Quais nomes (nacionais ou gringos) você indicaria como promessas para 2011?

Holger, Avassaladores e Drop The Lime.

É a segunda vez que você vai tocar em Uberlândia, apresentando pela primeira vez seu live com a Marina Gasolina, com quem você já trabalhou em épocas passadas. Qual a expectativa?

Eu curti muito tocar em Uberlândia da outra vez, me diverti demais e estou louco pra voltar. Dessa vez vai ser bem doido porque eu e a Marina nos damos super bem e nunca fizemos esse live no Brasil, só na Alemanha. O povo de lá amou, chegaram até a nos chamar pra fazer Copenhagen depois. Vamos agitar Uber-Land!

Foi você o produtor do disco With Lasers, do Bonde do Role, do EP Gatas Gatas Gatas, do Edu K, e até do CD Pancadão do Caldeirão do Huck. Você pode adiantar algum outro plano curioso para 2011 envolvendo seu trabalho com o baile funk?

Estou fechando a tampa da terceira produção de música para o álbum do Daniel Peixoto. Será algo beeeem tropical, até com guitarras calientes minhas. Vou lançar em breve meu EP com o Xis, que terá também um clipe na MTV que já está em fase de edição. Quanto ao Bonde do Role, tem 4 faixas produzidas por mim para o próximo disco que sairá ainda em 2011.