Entrevista: Dave Monks, do Tokyo Police Club

Antes do animado show do Tokyo Police Club no dia 28/09 em São Paulo, o vocalista David Monks recebeu o repórter do Move That Jukebox no backstage para esta entrevista. Enquanto Monks falava sobre cabelo, rua Augusta e Miley Cyrus, a banda e os roadies improvisavam um esporte que consistia em arremessar uma bolinha de borracha na parede e rebatê-la antes dela quicar pela segunda vez. David parecia ansioso para voltar ao jogo, mas foi bem simpático com a gente. Confira.

Move That Jukebox – Por que você cortou seu cabelo?

David Monks – Um amigo meu raspou minha cabeça. Eu estava pensando em coisas às quais você dá muito valor. Às vezes você ama muito onde você mora, ou ama muito…  às vezes eu amo muito uma música em que estou trabalhando, e acabo gastando muito tempo com ela. E é tipo “nunca vai dar certo”, mas eu continuo trabalhando, “eu consigo, eu vou fazer funcionar”. Você começa a se apegar muito às coisas e elas começam a te segurar um pouco. É como se você estivesse tão acomodado em algum lugar que não quisesse se aventurar e ir para outro. É como se eu dissesse “oh, eu gosto muito do meu cabelo”, mas se eu realmente sou aventureiro, eu poderia simplesmente cortá-lo fora, certo? E meus amigos ficaram falando “é, você poderia”, e aí eu não queria falar uma coisa e não fazê-la. E também estava ficando muito quente, então…

Move – É como Jimi Hendrix, que dizia queimar sua guitarra porque a amava.

David – Quem me dera ser tão cool. Eu cortei meu cabelo porque eu gosto do Jimi Hendrix (risos).

Move – A última vez em que vocês estiveram aqui foi em 2007. Vocês nem tinham lançado seu primeiro álbum. Era muito diferente de agora?

David – Foi tão maluco. Eu me lembro de tocar algumas músicas no palco, músicas novas que estariam em Elephant Shell, e estar animado por está-las tocando. E foi maluco estar aqui. É sempre maluco pra gente vir pro Brasil. É bem divertido. Mas nós nos divertimos tanto com aquele show. Éramos uma banda diferente. Éramos mais crus. Sinto que estamos mais focados agora, juntos.

Move – Aonde vocês vão quando vêm para o Brasil?

David – Ontem nós fomos ao Caos, na rua Augusta. Fomos a alguns ótimos restaurantes, tinha um chamado… esqueci o nome, mas fomos a ótimos restaurantes. Estivemos nos dois lados da Augusta, a parte de cima e a de baixo.

Move – Essa é uma rua importante para o público indie do Brasil, porque costumava ter muito crime e prostituição e…

David – Ainda tem bastante prostituição (risos).

Move – Sim, mas nos últimos quinze anos, ela foi ocupada com casas noturnas s e lugares para música ao vivo.

David – Eu senti uma vibe muito legal lá.

Move – Vocês costumam tocar sets curtos, por quê?

David – Nós costumávamos tocar shows bem curtinhos, de vinte, trinta minutos. Mas isso era quando éramos bem jovens. A gente tinha tipo dez músicas e ficávamos nervosos e só queríamos acabar logo com aquilo. Nosso show agora tem mais ou menos uma hora de duração, então não é muito curto.

Move – Vocês recentemente lançaram uma compilação de dez covers na internet. Qual foi a motivação?

David – Eu acho que nós queríamos fazer algo legal que fizesse uma ponte entre os dois discos. Era legal, era fácil, era grátis… a gente podia colocar as músicas online diretamente. Foi bem divertido.

Move – Por que “Party In the USA”, da Miley Cyrus?

David – É uma ótima música! Acho que há uma maneira de que você pode gostar dessas músicas, quando você pensa no jeito como elas foram escritas e no poder cerebral que foi colocado nelas. A Miley com certeza não as compôs, mas alguém estava pensando “ok, o que as pessoas querem agora?”. E é interessante estudar isso e ver como… sabe, eu ouvi mil músicas antes dessa, e nunca seria minha favorita. Mas é a dedução de alguém sobre o que a música favorita de outra pessoa seria, o que torna interessante de tocar. “Party In The USA” é como alguém acha que música deveria ser. Porque eles compuseram para ser um hit.

Move – Como vocês se sentem tocando numa festa privada? É estranho?

David – Às vezes. Bandas e empresas fazem mais parcerias agora. E nós já trabalhamos com a Jack Daniel’s antes. E eles nos deixam fazer o que quisermos. Por exemplo: “vocês querem ir para o Brasil?”. E nós: “ei, nós vamos pra lá e tocar, porque nós queremos ir pro Brasil”.

Move – Muita gente arranjou um jeito de vir só pra ver vocês.

David – Mesmo? Porque não dava pra comprar ingressos…

Move – Não. Era preciso arranjar um convite em algum lugar.

David – Eu quero que as pessoas possam nos ver. Eu gostaria que isso pudesse acontecer. Porque é tão caro vir pra cá. E quando nós podemos, a gente simplesmente toca onde der. Mas um dia nós voltaremos e iremos tocar um ótimo show na rua Augusta.

Move – Ao mesmo tempo em que vocês estão tocando aqui, o Rock In Rio está acontecendo. O que você acha disso?

David – Se eu fosse do Brasil, eu pensaria “ah, a festa de verdade está aqui”. Mas, como isso é tudo que eu conheço do Brasil, então eu diria que a festa de verdade está aqui (risos).

Move – Vocês lançaram um disco em 2010. Quais são os planos agora?

David – Nós vamos trabalhar no novo disco e nós temos agora um monte de músicas bebês que vão crescer. Mas é bom, sabe. Este é nosso ultimo show até o Natal. Depois disto, vai ser “preparar, apontar…”

Move – O que vocês irão fazer?

David – Vai ser tipo, morar em Toronto e ensaiar de segunda e terça. E aí, depois de algumas semanas, na quarta também. E em novembro vai ser de segunda a sexta. Vamos começar a trabalhar mais, mas vamos levar aos poucos.

Move – Vocês conhecem alguma coisa de música brasileira?

David – Conhecemos o CSS, todo mundo conhece. E música tradicional brasileira, que é bem boa. Eu definitivamente me divirto muito em shows do CSS. O que mais é brasileiro?

Move – Os Mutantes?

David – Não conheço…

Move – Tom Jobim?

David – Nope…

Move – Ok, esses são os mais internacionais que eu consigo pensar agora.

David – É uma pena, eu gostaria que a música brasileira se espalhasse mais.

Move – O que você diria para bandas pequenas?

David – Você tem o poder. Você está na internet. Não espere ninguém chegar e dizer “ok, agora nós vamos te dar dinheiro pra fazer um disco”. Faça seu disco no seu quarto e veja como soa. Nós mesmos mudamos nosso jeito de trabalhar. Nós precisamos da nossa gravadora pra começar. Mas agora nossa gravadora faz um bom trabalho, e nós precisamos deles, mas o poder está em nossas mãos também.

Move – Você poderia mandar uma mensagem para o público do Move That Jukebox?

David – Music box?

Move – Move That Jukebox.

David – Move That Juky Box.

Move – Jukebox.

David – Jukebox. E aí, todo mundo lendo o Move That Jukebox, aqui é o Dave do Tokyo Police Club, e espero poder vê-los um dia no Brasil.

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