Entrevista: Database

Já prestou atenção nos novos amigos do Database? Além dos novos trabalhos com o French Horn Rebellion, o duo brasileiro apresentou nos últimos meses o remix oficial que produziu para o novo single do Mark Ronson e outro para o hypado Is Tropical, fora a coletânea da Kitsunè em que apareceram ao lado do The Twelves e da Icona Pop. Fato é que o Database está decolando e, entre uma e outra festa pra promover o EP New Disco, parou para conversar com o Move That Jukebox. Vê só:

Move That Jukebox: O Database está certamente vivendo o melhor momento de sua carreira agora. Como surgiu a oportunidade de lançar o EP “New Disco” pela Kitsunè?

Database: Depois do convite para remixar o Is Tropical, foi tudo muito rápido, mandamos as demos e eles já curtiram. Logo depois nos chamaram pra fazer o remix do Mark Ronson.

MTJ: Esteticamente, o que o EP significa para vocês? Quais as principais referências e quais as intenções do Database com “New Disco”? Se vocês pudessem escolher um featuring para a música, qual seria o ideal?

D: Foi uma longa jornada. A “New Disco”, em si, teve 9 versões diferentes. Foi trabalhoso e muito prazeroso chegar à versão final. A intenção foi juntar elementos de disco com eletrônico. Se pegar para ouvir, o baixo fica dançando, ele não é preciso. Para um featuring nós convidaríamos o Gilberto Gil. Consigo imaginar como seria.

MTJ: A música eletrônica parece estar vivendo um momento nostálgico interessante. A cada dia mais produtores incorporam elementos da disco, da dance music e do R&B dos anos 90 aos seus trabalhos atuais. Vocês curtem esse resgate estético?

D: O resgate é sempre bom, faz com que tudo saia um pouco da mesmice, mas também faz com que alguns produtores sigam muito a mesma linha, o que acaba ficando chato. Ultimamente vejo muitos produtores bebendo do house 90’s… e já tá começando a encher! Hahaha!

MTJ: Como é viajar pra tocar pelo mundo? Qual a diferença (a experiência pra vcs, a reação das pessoas) desses lugares mundo afora com as cidades em que vocês se apresentam no Brasil?

D: Uma das melhores coisas de trabalhar com musica é viajar e poder conhecer pessoas novas e lugares novos, mas vai de cada lugar. O público brasileiro está acostumado a chegar na balada a 1h da manhã e ir embora às 6h. O americano das 23h às 2h, eles têm menos tempo de balada e acabam querendo aproveitar até o último segundo. Qualquer coisa que você faça no set eles vão gritar, pular e etc. Aqui já é algo diferente, dá pra notar que a pegada é outra, você não vê o público se esguelando, mas sabemos que o público está gostando porque a pista continua cheia. Bom, é diferente de lugar pra lugar.

MTJ: A segunda parte do clipe que vocês produziram para “New Disco” lembra o de “Barbra Streisand”, do Duck Sauce, mostrando registros de festas e estrelandos algumas figuras da noite paulistana. Inclusive o vovô dançante. Parece ter sido bem divertido gravar aquilo. De onde surgiram as ideias?

D: A idéia surgiu em um bar, os meninos da Granada Filmes e do Coletivo FilmeFácil lembraram do Dunzan na balada, fizeram o roteiro e produziram tudo.

MTJ: Sobre Record Collection 2012. Como foi produzir um remix oficial para o Mark Ronson? Eles procuraram vocês ou foi o contrário?

D: Eles nos procuraram, foi tudo muito rápido e acabou sendo super legal.

MTJ: Entre os novos produtores de eletrônica no Brasil, em quem vocês mais apostam hoje? E no resto do mundo?

D: Bom, o Brasil está no melhor momento na safra de música eletrônica. Temos EP novo do SirSir, EP novo do Club Soda pela Work it Baby (selo do Kris Menace), coisas novas do The Twelves, Roots Rock Revolution, Kamei (produtor que tem uns 17 anos), álbum novo do Killer on The Dancefloor e muito mais.

MTJ: Não é o caminho que vocês seguem, mas o que pensam sobre essa “tropicalização” da música indie nacional?

D: Achamos que, independente de tropicalização ou indie brasileiro, só queremos que todos continuem produzindo e mantendo as pessoas prestando atenção na música, com isso deixando o mercado aquecido.