Entrevista: Edit Revenge

foto estreia projeto Edit Revenge

Há poucos meses, dois produtores brasileiros rodados na cena eletrônica nacional se uniram para um projeto inovador. Foi assim que Junior C e Wehbba começaram o Edit Revenge, onde misturam colagens de trilhas dos anos 80 e 90 com beats e grooves do House ao Techno produzidos pela dupla e recortes de Madonna, Justin Timberlake, Foals, M83, New Order e muitos outros artistas que os influenciam. A ideia é fazer um “De Volta Para o Futuro” musical, unindo passado e presente em busca de um som de vanguarda na música eletrônica.

Para sabermos mais sobre essa ambição, as opiniões deles sobre a música atual e conhecermos mais a fundo o projeto, fizemos algumas perguntas à dupla, que você pode conferir logo abaixo. As duas primeiras faixas lançadas por eles já estão disponíveis para download no Soundcloud, que tem também um minimix com teasers dos próximos lançamentos. Para curtir o som enquanto lê a entrevista é só dar play.

Move That Jukebox: Como funciona essa ideia do Edit Revenge de “prever” o futuro utilizando o passado? Como funciona na prática?
Edit Revenge: A ideia do projeto foi criar músicas próprias que fossem complementadas com recortes de músicas consagradas, às vezes de maneira totalmente subliminar, justamente para fugir da fórmula batida de bootlegs e mash-ups, que já foi usada a exaustão nas últimas 2 décadas. Pensando sempre no que está por vir, avaliamos o que nos influenciou recentemente e também o que ouvimos desde pequenos e procuramos o que pode se encaixar na nossa visão, e não o contrário. Nossos “edits” não são baseados ou originados nas músicas que sampleamos. Até porque, também temos músicas 100% autorais.

Em relação aos diferentes estilos musicais existentes, vocês consideram a música eletrônica mais mental? Ao avaliarem uma produção promissora, o julgamento é mais racional ou emocional?
Para nós, música é algo 100% emocional, físico. A música eletrônica possibilita a liberdade em se deixar levar totalmente pelo sentimento, pelo movimento, não depende de ter uma letra forte, por exemplo.

O Digital facilita o trabalho dos artistas, mas como fica o Vinil?
A discussão do vinil vs. digital é infinita. Ambos já tocamos nas 2 plataformas, e acreditamos que a praticidade em se utilizar mídias digitais, seja o CD, MP3, Computador, é realmente indiscutível. Porém o vinil fez e faz parte da criação da cultura DJ, não é só uma mídia, é um estilo de vida, de performance. A opção é de cada um, pois o público, em sua grande maioria, só quer saber o que sai dos alto-falantes, independente de qual for a fonte. O mercado do vinil, após sofrer uma grande queda, se estabilizou e se redefiniu como um mercado de nicho, que dificilmente vai acabar.

Como enxergam hoje o cenário brasileiro de produções em relação à Europa? Ainda somos seguidores de tendências ou temos atitude pra inovar?
Acreditamos que a produção nacional está cada vez mais forte e conquistando espaço no mercado internacional, justamente pela alta qualidade. Porém temos uma cena muito recente, e por não ser um estilo enraizado na nossa cultura, talvez leve mais tempo para que surja naturalmente um movimento dentro da música eletrônica nacional 100% autêntico, sem se apoiar em clichês de samba e derivados.

Contem um pouco sobre como foi a estreia do Edit Revenge ao vivo, tocando na mesma noite que o Disclosure em uma Lolla Party.
Ficamos extremamente felizes com a nossa estreia, tivemos alguns problemas técnicos que conseguimos contornar, e o show rolou em perfeita sintonia com uma plateia que parecia já conhecer tudo o que a gente tocou, mal parecia o nosso primeiro show. Foi também uma ótima oportunidade de ver onde podemos nos aprimorar e melhorar a experiência que proporcionamos ao público e até a nós mesmos. E também tivemos a oportunidade de fazer a estreia da versão “pocket” do nosso show menos de 1 mês após o primeiro show, que nos deixou ainda mais confiantes no formato, e achamos que também vai fazer bastante barulho por aí.

1 Comentário para "Entrevista: Edit Revenge"

  1. No final dos anos 80 fazia-se muito isso (samples de outras músicas) no house e no techno! Esta magia perdeu-se muito devido à reclamação dos direitos autorais que na época NINGUÉM da cena eletrônica estava ligando para isso!

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