Entrevista: Lay. Empoderamento, rap e moda tem tudo a ver!

lay - alê

A rapper Lay não tem papas na língua e fala do que tiver vontade!. Foto: Alessandra Santos

Lay participou do Music Video Festival (m-v-f) e acabei conversando com ela rapidinho nos corredores do Mis. Saiba como foi o evento aqui.
A rapper de Osasco participou da mesa com a Mc Linn da Quebrada e Kessidy, mostrou em primeira mão o videoclipe do remix feito por Léo Grijo da música “Panda”, com direção de Cayo Quintaninha. A Lay também é muito ligada à moda e por isso, seu vídeo teve styling do Brechó Replay. Ah! E letreiro “Strange Things”. É um clipe super corajoso, de fato, eu não sei se um dia vou ter coragem de usar uma calcinha daquele jeito e gravar um videoclipe numa noite fria no Minhocão em São Paulo. Só uma coisa: Uau! Tem coisa mais bonita do que uma mulher empoderada?

O que mais me chamou atenção nela foi o modo com ela fala. Muito divertida, não deixou de soltar o verbo sobre Anitta por ter dado um “close errado” de gravar um videoclipe com o J Balvin e se mostrar como mulher objeto. Mas vamos falar sério aqui, que moça no mainstream nacional está criticando alguma coisa neste momento? No internacional, temos a Lady Gaga, Rihanna e recentemente, a Beyoncé.

Falou isso, porque em breve sai um vídeo e música nova, que vai ser “babado”, com o namorado Don L. Fofa e ao mesmo tempo cheia de atitude, Lay tem um EP lançado este ano, “129129”, que tem na capa um par de sandálias estrategicamente unidas dando o formato de uma vagina.

Confira o bate-papo abaixo:

Move That Jukebox: Lay, você é uma pessoa muito ligada à moda. Por que acha que isso é importante?

Lay: Eu sempre tive a moda comigo. Minha vó era costureira, então, eu sempre tive muito essa liberdade de reformar minhas roupas, estilizar minhas camisetas da escola. E eu percebi que eu acabava sendo referência para outras pessoas. A moda é uma extensão de quem eu sou e é outra carta que eu tenho para me comunicar com as pessoas.

Move That Jukebox: E quando foi que você percebeu que as pessoas estavam se inspirando em você?

Lay: Eu me vi voz. Comecei a ter feedback de outras manas e as coisas foram acontecendo. Vi que eu podia ser este espelho do bem, sendo apenas em que sou. Sou apenas uma mulher, todas nós somos.

Move That Jukebox: E você foi convidada pela Avon para participar de uma propaganda deles. Acho que foi mais um atestado de que você está indo no rumo certo. Como foi para você?

Lay: Ah, foi bem louco! A publicidade e toda a informação de mídia dá muita visibilidade. A gente vem pelas beiradas. E dar essa oportunidade para a música. Não acreditei quando eles me chamaram. Foi um bafo!

Move That Jukebox: Como que você começou a cantar?

Lay: Tudo começou com o single “Eu sei”. Eu sempre escrevi uns poemas feministas, mostrei para um amigo e ele disse que eu tinha que cantar. Que ali tinha um som. Daí, eu mostrei por Léo Grijó. Foi uma brisa! Daí, eu fui ser quem eu sou. Não me importar, mandar uma palavra, um conceito por uma causa. Eu canto aquilo que eu sou.

Move That Jukebox: Tá mais uma coisa é ter uns poemas em casa e outra e botar a cara a tapa e começar a cantar. Como que você teve essa coragem?

Lay: Eu estou cantando a minha história, não consigo emergir e cantar sobre outra coisa. Admiro quem faz isso, mas eu não consigo. Eu sempre ouvia rappers de fora, como a Foxy Brown que fala sobre dinheiro, buceta… [Aqui no Brasil] Só no funk que se pode falar buceta? Porque no rap não? E eu faço isso.

Escute o primeiro Ep de Lay no Youtube: