Entrevista: Projeto Rain Down

Março de 2009. Depois de anos de espera, Thom Yorke, Ed O’Brien, Phil Selway e os irmãos Greenwood finalmente chegam ao Brasil para dar forma a primeira turnê do Radiohead no país, que fez um baita barulho em todos os cantos dessas terras,  mesmo com o Just a Fest – festival que, além dos ingleses, recebeu Kraftwerk e Los Hermanos – sendo realizado apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Quem teve a oportunidade de assistir a banda sabe que a experiência foi inesquecível – e, pra nossa sorte, teve gente que resolveu eternizar essa lembrança em vídeo. O paulistano Andrews Guedis, empolgado com a sensação pós-show, colecionou as melhores gravações da passagem do Radiohead por São Paulo e as juntou, arquivo por arquivo, editando áudio e vídeo, num trabalho que levou cerca de quatro meses para ficar pronto. O resultado acabou sendo um “DVD de fãs para fãs”, onde diversos registros postados no YouTube foram aproveitados para fazer nascer o Alive 2007 do rock. Afinal, quem precisa de gravadoras e super produções? Yorke ficaria orgulhoso.

Os 4GB de projeto já estão na web para quem quiser baixar e, de quebra, você ainda pode mandar uma retribuição financeira pro cara pelo PagSeguro, In Rainbows style. Andrews já é quase uma celebridade: Seu trabalho foi divulgado em veículos como MTV, Folha de São Paulo, Estadão, Popload e Brainstorm #9. Pra acompanhar essa vibe de novidade, o Move That Jukebox entrevistou o garoto. Confira abaixo.

Projeto Rain Down

Pra começar, fale um pouco sobre você e sobre o porquê de fazer um projeto desse porte.

Bem, sou Andrews, um webdesigner e um aficionado por tecnologia e arte. Desde pequeno abrindo e destruindo aparelhos eletrônicos até ganhar meu violão e descobrir o que era música. Depois disso sempre descobrindo coisas novas até chegar à minha nova realização, que foi a edição de vídeos unida ao poder espantoso da internet.

O projeto não nasceu antes do show, mas sim poucos dias depois. Devo agradecer aos fãs que apoiaram e contribuíram para isso acontecer, se não fosse eles não tomaria a grandiosidade que tomou.

Você tem idéia de quantos downloads já foram feitos?

Não consigo estimar quantas pessoas conseguiram fazer o download até o final, mas se fosse fazer uma conta seriam mais ou menos umas 500 pessoas no mundo que já assistiram esse projeto. Olhando para o torrent neste momento, existem 100 pessoas semeando e 460 na fila de download. É muita gente, sem contar o formato de download direto que também é uma outra opção. E isso cresce a cada dia.

Existe um botão do pagseguro no site pra arrecadação de fundos. Tem bastante gente doando? Pode falar a quantia que conseguiu arrecadar até agora?

Sim, mas só recebi uma doação pelo pagseguro no valor de R$ 30,00. Que foi o valor referente ao domínio ww.raindown.com.br, da qual eu pedi uma ajuda no blog para adquirir este endereço. Foi apenas isso.

Foram quatro meses de projeto, né? Em algum momento você achou que não daria certo, pensou em desistir?

Mais ou menos isso. Uma semana após o show já comecei a me movimentar editando o primeiro vídeo de Paranoid Android. Claro, sem intenção nenhuma de fazer algo grandioso, era apenas uma ideia qualquer, que nasceu vendo os trechos dessa música no YouTube.

Você também tem uma banda chamada Refink, que arrumou espaço pra um pouco de divulgação na página do projeto. Houve um grande aumento de procura?

Sim, sou guitarrista e backing vocal nessa banda que tem muita importância em tudo que faço. Aprendi a editar vídeos utilizando o material de bastidores de shows e isso teve uma grande importância para o projeto Rain Down. Eu acredito que divulgar minha banda era uma forma de mostrar outro trabalho, que também tinha um grande valor. A procura cresceu um pouco, mas existe uma realidade muito triste no cenário que tocamos que impede qualquer banda como a nossa de crescer, ela é envolvida por modismo, falta de respeito com as bandas, interesses financeiros, grandes panelinhas e pessoas que não tocam pela música. Se não fosse por amor ao que faço, já teria desistido faz tempo.

No Brasil, você é um dos assuntos preferidos não só dos blogueiros, mas também de jornais e TV. Como você sente a repercussão internacional do Rain Down?

Acredito que por ter feito um projeto envolvendo uma banda tão revolucionária e criativa com o Radiohead, o conceito do projeto tomou um rumo de inovação. Não que eu tenha feito nada inédito, canso de ler que pessoas já fizeram o que eu fiz antes e não tiveram tanta repercussão. A questão é que eu mesmo não planejei isso, tomou corpo, aconteceu e ponto. Já a repercussão internacional não foi tão intensa como a brasileira, mas tenho acompanhado muita gente de fora dizendo que isso poderá chegar ao Radiohead se continuar assim. Eu já me sinto muito bem pelo reconhecimento que obtive até o momento.

Pra muita gente, é quase um castigo baixar 4.5GBs por torrent/rapidshare. Existe a idéia de fazer a distribuição em formato físico, mesmo que com uma edição bem básica, pra facilitar o acesso dessas pessoas?

É, com a internet que temos no Brasil, baixar 4.24 GB por torrent ou download direto é realmente duro. Eu sei por que baixo DVDs do mesmo tipo e chega a levar dias.

Sobre a distribuição em formato físico, eu deixei bem claro que não posso comercializar o DVD, mas me coloquei a disposição para enviar para quem precisasse desde que a pessoa banque os valores de frete, mídia, porque eu não tenho como fazer isso tirando do próprio bolso. Para isso a pessoa pode entrar em contato comigo via e-mail ou comentando no blog.

  • Com uma força de vontade e perseverança gigantescas, baixei tudo e já vi! Ficou sensacional e recomendo pra todos que foram ao show e, obviamente, pra quem não foi. Parabéns, Andrews. Good job!

  • Luísa

    Confesso que deu um arrepiozinho ao ver essa parte do coro pós-Paranoid Android acompanhado pelo Thom.

    Ahh, quem não vai querer relembrar esse show, não é mesmo?