Entrevista: Superpose

O Superpose está, sem dúvida, entre os cinco maiores booms nacionais desse ano. O duo de Florianópolis, formado pelo casal Isaac Varzim e Paula Fellito, já tinha músicas boas para dançar há anos – em 2006, foram parar no Motomix, com Franz Ferdinand e Art Brut – mas, com o lançamento do Aurora EP em abril, atingiu seu pico. Comentei o trabalho e apresentei a banda aqui, até. Agora, com um bebê na casa, Isaac falou sobre o desenvolvimento da banda, desde a época em que conheceu Paula até hoje, quando anima as pistas do Sul do país.

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Antes de começar a entender o Superpose, seria legal descobrir como vocês se conheceram.

A gente trabalhava junto em Curitiba. A Paula é bailarina por formação, e eu músico, daí fizemos vários trabalhos juntos de dança contemporânea, teatro e talz. Eu fazia trilhas sonoras, muitas delas ao vivo, e a Paula dançava. Sempre tivemos vontade de fazer algo juntos efetivamente. Eu sempre pensava na área de dança, mas acabou que surgiu o Superpose e deu certo. Tive um outro projeto chamado Escafandro, que era meio house/abstract hip-hop, em que a Paula fazia umas performances durante o show. A gente até fez turnê pela Europa. O Superpose veio só depois, no começo de 2008.

E, antes de trabalharem juntos, já rolava um romance?

A gente ta junto desde 2006, mas nunca rolou o lance tipo “a banda do casal”, haha. [Formamos a banda] muito porque a gente se mudou pra Floripa e não conhecíamos ninguém, os únicos que tínhamos para trabalhar éramos nós mesmos – e foi o que fizemos! Depois sempre pensamos em botar mais gente tocando junto, já fizemos shows com guitarra, até, mas ainda não tornamos isso oficial.

É difícil manter um público animado como um duo? Digo, a responsabilidade de fazer um show fica mais leve quando há mais membros pra dividi-la?

É, realmente é muito diferente. Duas pessoas na frente do palco e o povo te olhando… seria tão mais fácil se fossemos uns cinco, haha. Mas a gente tem relação com música eletrônica, né? Aí muda tudo, porque as batidas, os synths e tudo o mais tornam a coisa envolvente, com uma pressão sonora que dificilmente uma banda normal teria. Prós e contras, né?

Como  foi a produção do Aurora? Vocês gravaram voz, instrumentos, produziram, fizeram a arte…?

Sim, tudo homemade, menos a capa que feio feita por um artista plástico gaúcho que tem um trampo incrível, Alexandre Lettnin. A capa foi feita com caneta Bic, achei incrível. Mas a parte da música foi toda feita aqui em casa mesmo.

E, antes do Aurora, vocês já tinham algumas músicas circulando pela web, né? Elas foram saindo pingadas ou também foram lançadas em um disco?

No começo saiu tudo pingado, umas quatro ou cinco faixas. Daí em setembro de 2008 lançamos um EP chamado Dance-Me, com quatro faixas. Em janeiro de 2009 lançamos pelo MySpace Nightlife um EP coletivo com outros projetos de Floripa, o Subtropics, que tinha Superpose, Discobot e Mottorama. Daí agora lançamos o Aurora, mas tenho a impressão de que só nesse EP chegamos numa sonoridade em que todos ficamos felizes. Ficou mais madura, redondinha mesmo. Além disso, lançamos alguns remixes, que estamos adorando fazer.

Falando nisso, a gente percebe uma camaradagem bem grande dentro do cenário electro-indie do Sul do país. As bandas tocam juntas, fazem remixes umas das outras e ajudam a divulgar o trabalho de grupos recém-formado. Parece até uma associação de bandas underground, né?

Haha, pode ser, mas acho que é meio natural, né? A gente acabou de remixar o Boss in Drama. A gente se conhece a um tempão, tocamos juntos no Motomix em 2006. Remixamos também o Copacabana Club, eles – mesmo eu tendo morado durante oito anos em Curitiba – só fui conhecer depois de me mudar pra Floripa. Tocamos juntos aqui já e ficamos bem próximos. Acho que o que aproxima o pessoal do Sul são as vezes que a gente se cruza. O circuito Curitiba/Floripa/Porto Alegre troca muitas figurinhas. A gente vai sempre pra essas cidades, e o povo de lá vem pra cá.

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Há pouco tempo o Superpose ganhou um integrante novo e bem, digamos, jovial – e trabalhoso, ao mesmo tempo. Dá pra sentir uma vibração nova no Superpose com ele?

Cara, muda tudo, né? Mas dá ainda mais vontade de fazer a coisa acontecer. O Benjamin é um sarro, acho que ele teve uma gestação agitada (a Paula tava fazendo show e tocando na balada até três dias antes do nascimento – eu tive que sair correndo no meio de um DJ Set pra levar ela pro hospital, haha). Quanto mais música alta, movimentos, balanço, gente conversando, mais calminho ele fica. Tenho medo dele querer competir comigo quem faz mais barulho quando ficar mais velho.

E aí, quando o Benjamin vai virar música? Existem planos pra isso?

Isso soa tão bossa nova! Não conta pra ninguém, mas Button tem a ver com isso tudo [Button, do Aurora EP, relata a gestação de Paula].

Musicalmente, quem inspira vocês?

Putz, essa é difícil. Eu ouço de tudo – sem aquele papo de que tudo me inspira – mas eu adoro rock, música eletrônica, música brasileira, pop… Mas digamos que eu e a Paula temos alguns gostos em comum: Bjork, Goldfrapp, Madredeus, Chemical Brothers, Massive Attack, Prefuse 73, Piazzola… Atualmente Passion Pit toca o dia inteiro aqui, com Phoenix, Metric e DirtyProjectors. Não  sei dizer se essas coisas influenciam o som do Superpose, mas acho que essa tendência pro trip hop com cara de synth pop tem a ver com as coisas que a gente gosta.

Na edição de maio da Noize, o editor me pediu uma dica para a coluna “Bandas que você não conhece – mas deveria conhecer”. Citei o Superpose, já que haviam acabado de lançar o Aurora. Agora, invertendo os papéis, quais são as recomendações que vocês tem pra gente?

Eu não sou muito bom nessa coisa de indicar novidades. Tudo que ouço achando que é uma super novidade me dou conta de que o mundo inteiro já conhece, mas minha indicação é pra uma banda daqui de Floripa: o Discobot. Eles remixaram Beautiful, um dos remixes mais bacanas que já fizeram da gente até agora. As vezes acho que o remix deles é até mais legal que a versão original, haha.

  • Bacana! Dia 26/06, na próxima sexta, eles tocam aqui em Curitiba, na INMWT Party & Live do James 😉

  • Adoro eles!
    Agora ainda mais, pq gostam de Metric
    🙂

  • Três queridos: Isaac, Paula e Ben. 🙂

  • Ha! Ha! Sou apaixonado por eles e pela Ugly, pela Björk e não sei se tem mais alguém novo na casa deles! =P
    Sexta tocamos juntos!
    \o// #INMWT

  • bi

    orgulho desse trio bonito.

    (:

  • Bem ruim o som deles… de péssimo gosto, mas é legal ser alternativo e dizer que gosta, né? Conheço um cara que diz ser fã dessa dupla e contraditoriamente fez um documentário sobre a cena sertaneja de Curitiba a qual ele também diz ser fã. Um pobre nada a ver querendo impressionar, tiro ele como referência quando penso em um fã de Superpose, alguém que não tem gosto algum, não tem nada para fazer e quer ficar inventando moda, isso aí é coisa que só se gosta pelo lado trash da coisa, porque de bom não tem nada.
    Hypismo demais pro meu gosto dizer que gosta do que é ruim.

  • Gosto é igual… Enfim.

  • Pingback: Move That Jukebox! » Clipe: Superpose – Sometimes()

  • Camila

    Eles são ótimos!