Entrevista: Sweet Fanny Adams

Formado por pernambucanos que se conheceram na escola, o Sweet Fanny Adams gravou seu primeiro EP no ano passado, dentro de um quarto. O registro, que recebeu o nome de Fanny, You’re No Fun, encantou os olhos do selo independente Bazuca Discos, que já estava de olho nos shows do grupo e decidiu lançar o mini-álbum.

Bem recepcionado pela crítica blogueira, o SFA chegou a se apresentar em grandes festivais brasileiros, como o Abril Pro Rock e o MADA, dividindo palcos com grandes artistas de todo o país. Modesto, Hélder Bezerra (guitarrista) diz que não sabe se vai chegar a algum lugar fazendo música, escondendo o grande troféu que já tem nas mãos.

Influenciado por grandes nomes do rock, como Velvet Underground, Sonic Youth e Gang of Four, o quarteto já faz os preparativos para a gravação de um segundo EP, que começa a ser gravado no mês que vem. Para continuar conhecendo a banda, é só ler a entrevista que segue no post e, de background, usar as cinco músicas de Fanny… que estão em streaming no myspace.com/sweetfannyadamsmusic.

sweetfannyadams

Eu acho a cena indie do Recife muito forte, até mais do que a do Rio de Janeiro. Como funciona o espaço para as bandas independentes aí?

Apesar das inúmeras bandas de diversos estilos musicais e festivais de grande porte, a cena independente recifense ainda sofre com um grande problema na cidade: a ausência de uma casa de show para projetos autorais e que tenha programação fixa. Este fator faz com que a programação de shows e festas na cidade não seja frequente e, geralmente, ocorrem em locais de estrutura precária ou em dias não viáveis, já que as casas de shows de melhor estrutura apenas disponibilizam espaço para bandas autorais em dias de pouco movimento. Isso resulta num imenso desinteresse do público com a cena local e no comodismo de muitas bandas que não querem se arriscar de promover o próprio show  ou que não procuram meios de agendar datas em outras cidades ou que não possuem condições de um investimento inicial em algum tour. Nos últimos anos, várias bandas locais encerraram as atividades ou permancem tocando, apenas uma ou duas vezes , durante todo o ano.

Como surgiu o convite de lançar o EP pela Bazuca Discos e como foi o processo de criação do disco?

O selo Bazuka Discos (PE), do Coletivo Coquetel Molotov, fez o convite para lançar o nosso primeiro EP, após o recebimento do nosso material e no final de um show nosso, organizado pelo próprio coletivo, na Livraria Saraiva.

Dá para perceber um pouco de Strokes no som do SFA, principalmente em ‘Killing Spree’. Eles são uma influência direta pra vocês?

Influência direta? Com certeza não. No máximo, a gente pode ter algumas influências em comum com eles, como Guided By Voices, ou bandas de pós-punk e new wave do começo dos anos 80.

A parte visual da banda é muito importante, e a de vocês é muito bem feita. São os próprios integrantes que cuidam disso?

Sempre curtimos bastante sobre a parte visual. Nos preocupamos em criar uma identidade para os lançamentos dos EP´s e solicitamos para uma designer o desenvolvimento de todo o projeto.

Há quanto tempo surgiu a banda e quando vocês descobriam que podiam chegar a algum lugar fazendo música?

A banda surgiu em Agosto de 2006. Na verdade, ainda não descobrimos se vamos chegar em algum lugar. Estamos bem felizes de poder gravar e tocar nossas músicas do jeito que queremos. Estamos fazendo o possível para que muita gente possa ouvir, seja por meios de comunicação ou em shows. É ótimo receber um retorno sobre isso e saber que existem pessoas curtindo o que fazemos.

Vocês estudam, trabalham…?

Estudamos e trabalhamos, mas não gostamos de fazer nenhum dos dois. A gente queria mesmo era viver de música, um bom começo pra isso seria parar de tomar calote e aprender a mamar nas tetas do governo via editais.

O Sweet Fanny Adams já dividiu o palco com diversos artistas, desde Mallu Magalhães até Pata de Elefante e Superguidis. Como é a relação da banda com outros grupos?

O clima nos festivais é ótimo. Sempre existe uma boa relação entre bandas. Apesar de pouco tempo de permanência durante os festivais, geralmente, permanece o contato por MySpace ou e-mail. Com relação aos integrantes das bandas locais, sempre nos encontramos e nos divertimos pelas festas toscas da cidade.

Já existe algo sendo planejado pra um álbum de estúdio? Tanto os fãs quanto a imprensa e os blogs parecem ansiosos pra isso.

Recentemente, gravamos um single que vai entrar na trilha sonora de um novo seriado da MTV. A música ainda está em processo de mixagem. O início da gravação do novo EP está programado para Junho.