Entrevista: Venus Volts

Eles começaram a ficar íntimos do sucesso no ano passado, quando dividiram o palco do festival Motomix com os grandes Metric e The Go! Team. Sob o nome de Venus Volts, eles não lançaram nenhum álbum ou EP – todo o grande material do grupo chegou ao público pelo título de Fluid, como assinava a banda encabeçada por Trinity em tempos passados, antes de 2005 -, mas o reconhecimento não precisou de nada disso para bater na porta do quinteto paulista.

venus volts

Da esquerda pra direita: Dinho, Du, Trinity, Filipe e Pellê

Hoje, o “indie-grunge-punk-dancefloor” do VV, como eles mesmo denominam o gênero, é uma das principais peças da trilha sonora de Descolados, nova série da MTV. Em um único episódio, eles chegaram a ter quatro músicas reproduzidas. O destaque na emissora, inclusive, leva o grupo a dois de seus programas no final de agosto: Primeiro o Acesso MTV, no dia 26, e no dia seguinte o Sessões MTV. Pra saber mais sobre esse sucesso (que de forma alguma pode ser considerado súbito), conversei com Filipe Consoline, que entrou para o time do Venus no início de 2009 e já foi apresentado por aqui através do mono.tune no início de 2008.

Antes de começar, uma pergunta que anda correndo a web inteira: O que você achou do novo álbum do Arctic Monkeys?

Cara, quando eu ouvi pela primeira vez a ‘Crying Lightning’ achei estranha. Mas agora, depois de escutar várias vezes, eu to curtindo pra caramba. Esse disco não tá tão fácil quanto os outros, né.

Pois é, os meninos cresceram. Falando em crescer, você tem outros dois projetos com repercussão menor que a do Venus Volts. Como se faz pra conciliar isso tudo?

O mono.tune ta parado, esse ano não fizemos um show sequer. Acho que nem ensaiamos! Mas não acabou. Eu acho que volta com uma sonoridade diferente, mas volta – só não sei quando! Com o Lab (que agora é Labmusica), está igual. Até agora tive sorte de nenhuma agenda bater, mas funciona no estilo “quem marcar primeiro, leva”.

O Lab mudou de nome por causa do Less a Bullshit?

Na verdade, a gente sempre achou que, apesar da sonoridade, o nome Lab é batido pra caramba. Aproveitamos que conhecemos mais 2 Labs nesses tempos e colocamos o “musica” no final. Ele sempre esteve lá, mas nunca usamos.

E, voltando ao Venus Volts, a banda já tem algum tempo de estrada, mas você se juntou ao pessoal nesse ano. Como foi isso?

Eu conheci a banda na edição do Grito Rock em Maringá, no Paraná, quando eu fui tocar com o mono.tune. Rolou um interesse mútuo entre as bandas e a gente manteve contato. Em abril desse ano, a Venus tinha uma turnê pra fazer no Nordeste e o Dinho, baixista, não ia conseguir ir. Aí rolou o convite pra eu substituir ele somente nesses nove shows. Só que aí, depois da turnê, rolou o convite pra eu entrar como guitarrista e fazendo algumas programações com synths. Entrei na banda de vez no final de abril mesmo.

Você nunca tinha trabalhado com uma mulher, né? Como é com a Trinity?

Eu já toquei numa banda que tinha uma baixista mulher, mas na época ela era minha namorada, então não conta. Como só tem ela de mulher na banda, ela acaba precisando se acostumar com quatro caras falando todo o tipo de merda! As vezes eu tomo as dores dela, hahaha. Mas ela é bem tranqüila.

E a criação, como funciona? Quem é o compositor da banda?

O Pellê é o compositor e o fundador. Ele acaba trazendo as idéias e a gente trabalha em cima. As vezes ele já vem com uma idéia pronta sobre a bateria, a outra guitarra ou o baixo, mas todo mundo interfere na criação. Até mesmo eu, que acabei de entrar, me sinto 100% à vontade na hora da produção das músicas. Eu o considero um dos compositores mais criativos dessa leva da cena nacional, hoje em dia.

Pelo o que eu entendi, vocês têm um CD gravado e já estão na boca da mídia.

Na verdade, a banda como Venus Volts (antes era Fluid) não tem nenhum CD oficial. Isso que é o mais legal. Temos gravações de algumas músicas disponíveis lá no MySpace, mas algo físico com encarte e o caramba, não. As músicas estão abrindo as portas pra banda. Conseguimos esse lance da música tema dos Descolados, Acesso MTV, Sessões MTV, Bananada, Virada Cultural, Do Sol, Motomix, etc, só com essas músicas. O CD oficial está sendo gravado e produzido pelo Rodrigo Coelho e deve sair no ano que vem. O clipe da ‘In Gold We Trust’, música tema do seriado da MTV, sai agora no começo de setembro.

Legal! Vocês tiveram uma fase boa com a Trama, gravaram o Visitando a Cena e o 12 Horas no Estúdio. Aí agora, como você falou, estão numa vibe MTV. A banda não conta só com a internet, né?

Internet é mais uma ferramenta que ajuda pra caramba a divulgar shows, o som, clipes, etc. Mas TV tem um alcance muito maior e você pega milhares de pessoas ao mesmo tempo. As bandas devem ir atrás desse meio também.

Como a gente pode descrever o som de vocês? O VV tem uma pegada bem de indie rock, mas tem um quê de grunge e punk que aparece em todas as músicas.

Algo como indie-grunge-punk-dancefloor! Agora as músicas ainda estão com um ar mais “eletrônico” devido as programações, e uma batida mais dançante. Além do peso e dessa cara meio 90´s. Estamos puxando o som mais para o que está acontecendo agora, mas sem perder a identidade da banda que já foi construída ao longo desses anos.

Então pro próximo CD a gente deve esperar algo que encaixe bem numa pista de dança?

Com certeza! E num ipod dentro do metrô.

  • Tammy Alcalá

    Onde acho as letras deles? Gostei do som mas não sou lá essas coisas com inglês tirado de ouvido entããoooo procurei na net mas niente.

    Alguém me ajuda?