Escuta Aqui: Chico Dub (Festival Novas Frequências e Pulso)

chico dub

O projeto Pulso está fechando ao fim, neste sábado (30), lá na Red Bull Station, teremos o último showcase da temporada e o fim do evento. Dá uma olhada na programação aqui. Antes de terminar, conversamos com o Chico Dub, curador, produtor cultural e diretor artístico com foco em música experimental e de vanguarda. É idealizador do Novas Frequências, festival realizado desde 2011 no Rio de Janeiro que explora as novas linguagens da música contemporânea.

Daí, perguntamos a ele qual era a importância do Pulso, será que ele realmente faz a diferença? “A importância é brutal. Projetos de música geralmente possuem um tempo muito curto; as 2 horas de uma performance ou de um live set, os 60 minutos de um bate-papo. É muito raro você ver um evento musical com formato de residência artística ou ocupação, algo geralmente muito mais próximo do universo das artes plásticas. Acho que um projeto como este, que não tem um objetivo ultra-concreto, que não tem um produto final tão claro, acabam enriquecendo sua carreira. A infra-estrutura oferecida é super completa e favorece o experimento, o teste, o risco, a troca… Além disso, o Pulso também oferece uma série de estímulos através de bate-papos e oficinas, ou seja, de experiências extra-palco que sem dúvida contribuem para um melhor conhecimento de cena, de mercado, de possibilidades, de erros e acertos”. 

cada curador, também escolhe uma série de artistas para trabalharem juntos, No time de Chico Dub estão: AbdalaDaniel Nunes, Haley GuimarãesPaula Rebellato e Thingamajicks. Daí, a questão foi, como ele chegou a estes artistas.

O único pedido que veio da Red Bull era o de montar um time de artistas geograficamente diverso. A partir daí chamei gente de São Paulo (Paula e Vinicius), João Pessoa (Haley Guimarães), Goiânia (Abdala) e Belo Horizonte (Daniel Nunes). De propósito fui atrás deste risco, o de convidar artistas que não se conhecessem, que nunca tivessem tocado juntos, pois gosto da ideia deles não se situarem em suas zonas de conforto. Mesmo assim, fui em busca de uma lógica, de um conceito – todos fazem sons muito diferentes mas é possível ao mesmo tempo enxergar zonas de contato, pontos em comum.

Steve Reich – “Music For 18 Musicians”
https://www.youtube.com/watch?v=gCkd46hcRag&nohtml5=False

Já gostava de Reich e desta gravação em particular antes, mas foi só quando a ouvi ao vivo em 2011 no Sónar Barcelona é que a ficha realmente caiu (e as lágrimas escorreram).

Sleep – “Dragonaut”

Stoner, doom, sludge… Amo tudo isso desde a adolescência. Viva Tony Iommi!

Filho da Mãe & Ricardo Martins – “Tormenta”

Fora UK e Alemanha, é de Portugal (e da Polônia) que tenho escutado as coisas mais interessantes da Europa. Agora que co-apresento um programa de rádio com foco em música dos países de língua portuguesa, o Ginga Beat, esta pesquisa se intensificou ainda mais.

Elysia Crampton – “Wing (feat. Money Allah)”

Boliviana com passagens pelo México e atualmente vivendo em Virgínia nos EUA, a Elysia Crampton é uma artista transgênera que faz um dos sons mais deliciosamente delirantes da atualidade – sons de videogame, cumbia, crunk, tudo muito louco e distorcido.

Mikael Seifu – “How To Save A Life (Vector of Eternity)”

Produtor de música eletrônica etíope que auto-intitula sua música “ethiopiyawi “electronic. É um dos melhores exemplos de uma produção eletrônica autoral com base folclórica.