Especial: 30 melhores discos internacionais de 2016

Saiu a lista com os discos que fizeram a nossa cabeça da gringa

30. Ital Tek – Hollowed

Uma modorra obscura eletrônica que cria um clima parecido com o de um film noir estrelado por robôs, ou que seria a trilha sonora perfeita para um futuro no qual a humanidade foi extinta e só as máquinas restaram. Hollowed é a trilha sonora ideal para as pequenas horas do dia. Ouça “Terminus” e “Jenova”. (Gustavo Sumares)

29. Astronoid – AIR

A revelação da categoria “metal acessível” de 2016. Quem gostou do álbum do Deafheaven no ano passado vai amar AIR, a sensacional estreia do Astronoid. Guitarras e baterias ultra-rápidas e precisas, baixos treme-terra e blastbeats são elevados à estratosfera por melodiosos vocais harmonizados. Ouça “Up and Atom” e “Air”. (Gustavo Sumares)

28. Schoolboy Q – Blank Face LP

Schoolboy Q relata suas experiências em tons que variam entre a nostalgia por memórias divertidas, porém nada ortodoxas; e as consequências que já lhe renderam uma prisão por tráfico, o vício em drogas prescritas e o afastamento da filha mais nova de sua convivência. Tamanha abrangência de conteúdo se apresenta no modo mais diverso da discografia do californiano, até o momento, em Blank Face LP (2016). Remando contra a maré de discos amarrados por um único conceito sonoro ou temático, Schoolboy abraça o todo usando as participações em suas faixas para diversificar também sonoridades. Peso, psicodelia e multiplicidade amarram o conjunto. Ouça “Whateva U Want” e “Ride Out”. (Allan Assis)

27. BADBADNOTGOOD – IV

Com uma série de participações sensacionais, incluindo Samuel T Herring (sim, ele, o mano do Future Islands), o quarteto canadense lançou em 2016 seu trabalho mais acessível até hoje. Leland Whitty, agora oficialmente um membro do grupo, também não deixa sua efetivação passar em branco, e mostra algumas de suas performances mais deslumbrantes. Ouça “Time Moves Slow” e “IV” (GS).

26.Kendrick Lamar – untitled unmastered

Se você achava que as ‘sobras’ de To Pimp A Butterfly seriam melhores que muitos discos de rap, você tinha razão. Foi isso que Kendrick Lamar provou em 2016 com untitled unmastered. Com uma variedade de estilos e um flow impecável que rivalizam qualquer coisa que estava no próprio álbum, Lamar deixa claro neste trabalho que nada do que ele faz é descartável. Ouça “untitled 2” e “untitled 6”. (GS)

25. ANOHNI – Hopelessness

De tantas tragédias no mundo hoje em dia, que a gente acaba ficando calejado contra elas. Por isso a importância de um álbum como Hopelessness, de Anohni, para nos dar a medida emocional dessas tragédias. Mais impressionante ainda é o fato de Anohni conseguir cantar essas tragédias de uma maneira direta e marcante, sem que nada se perca de seu impacto emocional. Ouça “Drone Bomb Me” e “Why Did You Separate Me From The Earth?”. (GS)

24. Rolling Stones – Blue & Lonesome

Eles estão de volta e com disco novo! Tudo bem que Blue & Lonesome não é um disco de inéditas, mas no alto de uma carreira de mais de cinco décadas voltar a suas origens e fazer um disco bluseiro de primeira qualidade, só podia ser coisa dos Rolling Stones. É claro, que Mick, Keith, Charles e Ronnie só queriam se divertir, que bom para gente, né? Escute: “Blue and Lonesome” e “Just Your Fool”. (Alessandra Braz)

23. Kamaiyah – A Good Night In The Ghetto

Que o nosso 2017 seja tão bom quanto foi o 2016 da Kamaiyah. Ela ganhou um monte de grana, ficou cheia dos boys, bebeu mesmo, trepou mesmo, mandou quem quisesse julgá-la ir se foder e ainda fez um discão contando de todas essas coisas boas. Ouça “Niggaz” e “One Love”. (GS)

22. MIA – AIM

A rapper lançou seu último disco vinculado a uma grande gravadora: AIM. E como se esperava, é cheio de letras de protesto, como o single “Borders”, que aborda a questão da crise dos refugiados. O álbum foi produzido por um batalhão de produtores de primeira que conferiram um produto perfeito para o mainstream, que logo conquistou os fãs e a crítica. Ouça: “Borders” e “Freedun”. (Lid Matos)

21. Angel Olsen – My Woman

O caminho certo para uma carreira duradoura certamente é a reinvenção. Em My Woman – terceiro ato de Angel Olsen -, o folk de letras confessionais inspirado em Joni Mitchell se transforma numa profusão de personagens em histórias de abandono e raiva. Suas sonoridades evoluem da melancolia de violões para o ódio gritado em guitarras e detalhes eletrônicos, a frustração das vozes de Olsen tem cada vez mais facetas. Ouça “Shut Up Kiss Me” e “Sister”. (AA)

20. The Avalanches – Wildflower

Dezesseis anos após seu último lançamento, o grupo de DJs volta com mais uma longa faixa ininterrupta que distorce o tempo-espaço: centenas de samples de épocas e lugares diferentes se unem a rappers para compor uma obra impressionante. Ouça “Wildflowers” e “Frankie Sinatra”. (GS)

19. Kanye West – The Life of Pablo

Kanye já é um daqueles artistas que construíram uma identidade e um legado para si. Kanye West é visto como sinônimo de criatividade, inovação e claro, polêmica. O novo disco não foge desse padrão – ou melhor, foge do padrão de um disco de rap, mas é algo já esperado vindo de West. Mesmo não sendo o mais inovador da sua carreira, o rapper conseguiu emplacar de novo com maestria. Ouça: “Ultralight Beam” e “Father Stretch My Hands Part1” (LM).

18. Warpaint – Heads Up

As californianas fizeram de seu terceiro trabalho a versão mais “pop” possível de seu som, e com bons resultados. Todo o clima narcótico e luxurioso das faixas mais nebulosas do Warpaint foi traduzido, com poucas perdas, em formatos mais diretos. E a banda ainda mostra um lado ainda mais melodioso e direto em algumas faixas. Ouça “New Song” e “So Good”. (GS)

17. Lady Gaga – Joanne

Focando na sua voz e na sua capacidade de escrever canções simples, diretas e imediatamente marcantes, Lady Gaga fez um dos discos mais legais do ano. Da pegada mais rock de “Perfect Illusion” até o country de “Million Reasons”, a variedade de estilos que ela aborda em Joanne só não impressiona mais que a capacidade dela de fazer tudo funcionar bem junto. Ouça “A-Yo” e “Joanne”. (GS)

16. Justice – WOMAN

A dupla francesa de música eletrônica volta com o que talvez seja o seu álbum mais “leve” até agora. O rock que foi influência marcante de sua estreia agora aparece apenas como tempero eventual. Mas as produções da dupla continuam sendo divertidas, dançantes e cheias de melodia. Ouça “Alakazam” e “Randy”. (GS)

15. Kate Tempest – Let Them Eat Chaos

Kate Tempest pode ser mais conhecida como escritora, mas o seu primeiro álbum mostra que ela tem muito mais cartas na manga. Let Them Eat Chaos é uma espécie de história contada por meio de rap, com arranjos exuberantes e um movimento imprevisível. O resultado é diferente de quase tudo que saiu em 2016, e extremamente interessante. Ouça “Lionmouth Door Knocker” e “Europe is Lost”. (GS)

14. James Blake – The Colour in Anything

James Blake demonstra mais uma vez sua potência como compositor, cantor e produtor. O disco é romântico e melancólico, nas letras, nas melodias, mas não deixa de possuir a marca de James: as batidas e ruídos que misturam dubstep e soul. The Color In Anything é melancólico, bonito, diferente, e acima de tudo, maestral. Ouça: “I Need a Forest Fire” e “Radio Silence”. (LM)

13. Danny Brown – Atrocity Exhibition

A capacidade de criar universos visuais com a música é parte do que torna a audição de um disco uma experiência imersiva. Cuidadosamente levantar sons e rimas que ilustram o assustador mundo onde sua mente perambula é a intenção de Danny Brown em Atrocity Exhibition. O medo da perda da sanidade, o perigoso limiar entre a fuga da realidade e a overdose são todos ilustrados verbalmente, mas principalmente traduzidos em samplers e bases estranhas/agressivas. A antiga vontade de investigar a mente de um músico em busca de suas motivações e da origem de sua criatividade talvez cheguem a um fim para quem ouviu o aterrador apanhado de Danny Brown. Ouça “Dance In the Water” e “Really Doe” (AA)

12. Chance the Rapper – Coloring Book

O hip hop, como gênero, poucas vezes se curva à positividade. De faixas meramente celebrativas é possível remontar de memória o (ótimo) catálogo dos Beastie Boys ou o (péssimo) tracklist de Mackemore. Coloring Book é uma sequência de Chance The Rapper aos bons pensamentos e leveza de canções que podem envolver de bases vindas do jazz a corais gospel te lembrando de passar um tempo com seus amigos e familiares. Ouça “Juke Jam” e “All Night”. (AA)

11. Kaytranada – 99.9%

Unanimidade em 99.9% das pistas de dança, a estreia do haitiano-canadense Louis Celestin trouxe mais leveza a um ano de 2016 nada aberto à diversão. Capitaneando um time de vocalistas com a difícil missão de abrir uma house music a experimentação de outros gêneros, principalmente, os de raiz africana, como o R&B, funk e outros; foge ainda do efeito que discos com muitas participações costumam trazer: a impressão de álbum feito de retalhos isolados. Ouça “You’re The One” e “Lite Spots”. (AA)

10. Jenny Hval – Blood Bitch

“Um disco sobre vampiros”. É assim que Jenny Hval define Blood Bitch. Mas o disco é muito mais que isso. Temas como relacionamento e construção do gênero se misturam com experimentações eletrônicas envolventes e intrigantes, criando uma espécie de filme auditivo maravilhoso. Ouça “Conceptual Romance” e “The Plague”. (GS)

9. Kero Kero Bonito – Bonito Generation

A dificuldade de acordar cedo; ouvir uma música no rádio e ficar com ela na cabeça, mas não descobrir o nome dela; a importância de tirar uma folga de vez em quando; pular num trampolim. Esses são os vultosos temas que o Kero Kero Bonito veste de um pop irresistível e delicioso em seu segundo disco. Não perca! Ouça “Wake Up” e “Trampoline”. (GS)

8. Josef Leimberg – Astral Progressions

Josef Leimberg – Astral Progressions

Um brisado e intergalático jazz psicodélico do trompetista que foi um dos responsáveis pelo sucesso de To Pimp A Butterfly de Kendrick Lamar (2015). O disco de Leimberg é cheio de composições lindas, tanto instrumentais quanto vocais, e inclui algumas das performances mais emocionantes de 2016. Ouça “Interstellar Universe” e “Between Us 2”. (GS)

7. Frank Ocean – Blonde

Pode-se dizer que o novo disco do Frank Ocean era um dos discos mais esperados dos últimos tempos. Depois de quatro anos de espera, os fãs foram à loucura com o lançamento de Blonde. Frank é um dos porta-vozes da nova geração de jovens, ao abordar assuntos comumente da cultura jovem, como festas, drogas, sexualidade, e até do pop, com referências a filmes e marcas. Este é o disco que todos esperavam e, por mais incrível, é o disco que queríamos ouvir. Ouça: “Ivy” e “Nikes” (GS).

6. Xenia Rubinos – Black Terry Cat

Com a voz incrível de Xenia Rubinos e performances deslumbrantes de sua banda, Black Terry Cat é uma delícia de se ouvir. Mas ela ainda tem composições incríveis da cantora, com melodias grudentas, e letras que abordam a situação dos latinos nos Estados Unidos, compondo uma obra tão importante quanto divertida. Ouça “Mexican Chef” e “Lonely Lover”. (GS)

5. Bon Iver – 22, A Million

Definitivamente, um disco que não esperávamos vindo de Bon Iver. 22, A Million, terceiro disco do artista, mudou completamente a sonoridade que estávamos acostumados a ouvir. O músico abandonou o folk e apostou numa sonoridade mais eletrônica, menos linear e mais complexa. Apesar da mudança, conseguimos ainda captar a essência melancólica, espiritual e tocante de Bon Iver. Por fim, mesmo sendo um álbum de audição mais difícil, marcou uma revolução na carreira do autor, e foi considerado um dos melhores até agora. Ouça: “33 God” e “29 #Strafford APTS”. (LM)

4. Radiohead – A Moon Shaped Pool

O Radiohead tava apagadinho apagadinho depois de The King of Limbs (2011), mas a banda recuperou o fôlego em A Moon Shaped Fool e não só deu um show musicalmente quanto no mercado de marketing de música! Em um dia apagou todas as divulgações e deu um reboot no Instagram! Dias depois aparacerem imagens que deram no nono álbum. O grupo retomou suas raízes com músicas menos pretenciosas, belas melodias e momentos viajandões. Escute “Burn the Witch” e “Daydreming” (AB)

3. Solange – A Seat At The Table

Sem querer, Solange acabou comunhando com a irmão o empoderamento da mulher negra em seu novo álbum.Em A Seat at the table reafirma a individualidade e incorpora visões/histórias à narrativa da luta da mulher negra norte-americana. Solange também cai fundo no R&B e se revela como uma grande artista, agora sabendo exatamente quem é! Escute “Don’t Touch My Hair” e “Rise” (AB e AS).

2. David Bowie – Blackstar

A despedida de Bowie conseguiu elevar a morte ao nível de arte. Seu último álbum conseguiu ser um encerramento ideal a uma carreira de 40 anos de surpresas. Mais que isso: brinca com ideias e aponta em direções que o artista quase nunca havia explorado em sua carreira, indicando que, mesmo perto da partida, ele seguia a pleno vapor. Uma obra que transcende a vida. Ouça “Blackstar” e “I Can’t Give Everything Away”. (GS)

1. Beyoncé – Lemonade

Beyoncé comunhou com outras artistas o fato de abraçar suas raízes negras e colocar isso na música. Inclusive com a própria irmã, Solange, que parace na nossa lista em 3º lugar. Mas foi ela quem mais ousou, já que tinha “muito” a perder. Bey ouviu muitas críticas após suas apresentação no SuperBowl, por exemplo, quando mostrou à América, que é negra, não tem vergonha nenhuma disso e botou o dedo na ferida, inclusive usando roupas inspiradas no movimento dos Panteras Negras. Como temas centrais, então em Lemonade a luta contra o racismo e o empoderamente feminino. Em videoclipe recente, fez questão de trazer muitas negras com vastas cabeleiras para mostrar como pode ser bonito ser você mesmo. Além disso, ousou de novo ao colocar o disco apenas no Tidal e ainda fazer um videoclipe para cada canção com divulgação mundialem parceria com a HBO. É… Ousadia não falta nessa moça, hein? E é por isso, que ela conquistou o pódio na nossa lista de melhores discos internacionais! (AB)

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