Especial: discos nacionais que completam 10 anos em 2014 (Parte 1)

Embarque de volta para os gloriosos anos 2000 na companhia de 10 importantes álbuns brasileiros que fazem uma década de vida neste ano, com depoimentos dos próprios artistas

Arte: Priscila Barker

Texto de abertura: Iberê Borges

Colaborações: Allan Assis, Gregório Fonseca, Iberê Borges, Neto Rodrigues e Raul Ramone

O ano de 2004 foi de sonhos para a música estrangeira, especialmente para a norte-americana e britânica. Para nós, que já respirávamos música, sentíamos no ar a renovação de fôlego. Só com as estreias, já era complicado – uma complicação boa, é claro – escolher nossos favoritos: Arcade Fire ou The Killers? Franz Ferdinand ou The Futureheads? TV on the Radio ou Kanye West? Ou The Walkmen? Ou Keane? Ou Kasabian? E ainda tínhamos os aprovados no teste do segundo disco: Kings of Leon, Interpol e Libertines, por exemplo. Ou os veteranos que mostravam estar em ótima forma, como U2, Sonic Youth, The Cure e Wilco. Não havia motivos para reclamar, nem para não dar a maior atenção a esses lançamentos todos os dias. Na realidade, só tínhamos um bom motivo para deixar que estes discos descansassem um pouco: os lançamentos nacionais.

Enquanto a maior estrela do cenário alternativo descansava, e se você viveu o ano de 2004 sabe que falamos, é claro, do Los Hermanos, um espaço estava aberto para outras bandas surgirem ou se destacarem, impulsionadas por isso ou não. Umas chegavam no vácuo que ficava dos cariocas, e eram empurradas pela similaridade; outras estavam mais inseridas no contexto do rock radiofônico, que era dominado por Pitty e CPM 22; e ainda tinha aquelas que ganhavam visibilidade por tantos olhos, de empresários e do público, estarem virados para o cenário underground, que era a grande coqueluche da época.

Mas, para nós, o que mais importava mesmo era diversidade de opções de qualidade que surgiam. Poucas vezes nossa música foi tão produtiva, criativa e convidativa ao grande público. Se o Move gosta de levar música boa pra tantos ouvidos, não é à toa que 2004 é um de nossos anos favoritos. Nessa matéria especial, você pode conhecer um pouco dos discos nacionais favoritos de uma década atrás, nas palavras de nossos colunistas e dos próprios artistas idealizadores.

Prontos para viajar no tempo?

 

Bidê ou Balde – É Preciso Dar Vazão Aos Sentimentos

 

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A voz rouca de Carlinhos Carneiro e o instrumental meio power pop, meio indie rock gaúcho fazem do som da Bidê ou Balde um dos mais reconhecíveis e descontraídos da música independente nacional. No terceiro álbum, a trupe preza de Porto Alegre mostra em uma dezena de canções mais letras nonsense, mais refrões pegajosos, mais riffs espertos e mais versos que não saem da cabeça, vide “Mesmo Que Mude”, “O Que Acontece No Escuro” e a incrível faixa que dá nome ao disco.
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Rodrigo Pilla, guitarrista da Bidê ou Balde, falou sobre É Preciso Dar Vazão Aos Sentimentos:

Move: Quais eram as expectativas da banda na época da gravação?
Rodrigo: Nós estávamos procurando encontrar uma fórmula sonora que conseguisse pulsar um peso sonoro que tínhamos ao vivo, sem prejudicar as linhas melódicas e doces que caracterizam a Bidê e as composições do disco. De certa forma, tivemos êxito, eu acredito.

Como foi a produção do álbum e como era o clima no estúdio?
O disco foi produzido por Tiago Becker, do estúdio SOMA (onde ele foi gravado), e também pela Bidê em peso. As baterias, em sua maior parte, foram criadas pelo antigo baixista, André Surkamp, os arranjos de teclados, vozes, guitarras e maluquices foram criados, em grande parte, na hora de gravar. O clima era de gravação de um disco produzido por muitos, sem muito ensaio, no porão do Tarciso “Flecha Negra”, do Grêmio (é sério!), com bastante pizza e bauru.

Quais foram os principais resultados do lançamento?
Logo após o lançamento, recebemos o convite para participarmos do MTV Acústico Bandas Gaúchas, e com certeza o álbum em si e o fato de na época estarmos mantendo uma dinâmica boa de lançamentos fizeram com que estivéssemos no projeto. De negativo, ao meu ver, foram os problemas auditivos que os integrantes adquiriram nas gravações e nas turnês subsequentes, fazendo que a distorção e os volumes se tornassem grandes protagonistas até agora.

 

Dead Fish – Zero e Um

 

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Era mais do que justo que o Dead Fish, após 13 anos de estrada e três discos lançados, tivesse apoio de uma gravadora para maior aproximação junto ao grande público. E falo de justiça ao público, que merecia ter acesso a uma banda que soasse como as das rádios, mas que possuísse mais consistência e criatividade em suas composições. Cada uma das 14 faixas de Zero e Um é uma porrada, com arranjos urgentes e letras de uma poesia de rua, que não se apega aos clichês. Cheio de bons ganchos, refrões e versos altamente cantáveis, o álbum que levou (elevou?) o Dead Fish às FMs durante um tempo é uma peça imperdível do hardcore nacional. Não tão adolescente, mas funcionando perfeitamente para esse público, nem sendo extremamente adulto, apesar da maturidade que já escorria em pesados 36 minutos, o disco já demonstrava disposição para atravessar décadas. E a primeira já passou.
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Rodrigo Lima, vocalista da banda, falou sobre Zero e Um:

Move: Quais eram as expectativas da banda na época da gravação?
Rodrigo: Todos estávamos muito felizes de tentar de novo de outra forma, desta vez com um selo tomando conta. Seria uma experiência brutal, fora a possibilidade de vivermos de nossa música.

Como foi a produção do álbum e como era o clima no estúdio?
Era tudo muito leve e divertido. Estar no Rio por um mês, com todos morando junto e convivendo, era algo ao mesmo tempo caótico e muito divertido. Ali, a gente percebeu as sutilezas de cada membro da banda, os horários, os hábitos alimentares, etc. Já tínhamos esta experiência só que dentro de uma van, que, a grosso modo, é diferente. Vivendo em uma van existe sempre um objetivo único que é o próximo show, a banda em si.

Quais foram os principais resultados do lançamento?
Eu gostei de ter visto minha música sendo tocada em rádio, achei isso muito positivo, tocar pra todos. Gostaria que todas as bandas independentes pudessem ter esta oportunidade. Rádio é um elemento muito importante na carreira de um músico. É uma pena o país não ser democrático o bastante pra ter uma variedade maior de rádios universitárias e independentes. Acho que o cenário musical brasileiro seria muito mais variado e sustentável. De longe, hoje vejo pouca coisa como negativa. Estar naquele momento em 2004 foi bastante didático, aprendemos muito, mas, naquele tempo, eu tinha um super bode com a mídia “estabelecida” e com estes veículos de administração familiar. Eles eram quase 90% do tempo equivocados e manipuladores. Com o tempo, fui entendendo a dança e aprendi a entender a pergunta por trás da pergunta, mas aí já era quase 2006 e já tínhamos meio que tido nosso tempo. Pra mim, ok, mas, naquele tempo, causava muitas discussões internas de como proceder com esta gente, e eram discussões bastante acaloradas. Eu era pelo enfrentamento, fazer cara de cu e responder o que me ocorresse naquele momento. Alguns integrantes eram por saber jogar o jogo, sorrir como eles, fazer as reverências e abrir espaço, já que estávamos sendo expostos a maneira deles e não da nossa. Parando pra pensar agora, os caras da banda estavam certos e eu, errado. Teria sido muito mais inteligente da minha parte jogar aquele jogo e arrancar à força mais um ou dois minutos de atenção das massas.

 

Black Alien – Babylon by Gus Volume 1 – O Ano do Macaco

 

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Um dos rappers mais criativos e influentes do Brasil, e que continua insuperável em vários aspectos. Além da facilidade em transitar por assuntos que vão da crítica social (“Estilo do Gueto”) ao romantismo (“Como Eu Te Quero”), Babylon by Gus Volume 1 – O Ano do Macaco presenteia os amantes do rap nacional com um dos melhores álbuns do gênero, com sua musicalidade nada convencional, que inclui beats eletrônicos, instrumentos de percussão e até mesmo sofisticados arranjos de cordas. Quase 10 anos depois, Babylon by Gus continua à espera de um sucessor (que já tem título: Babylon By Gus Vol.2 – No Princípio Era o Berbo), prometido justamente para 2014. Abaixo, temos a íntegra do documentário Mr. Niterói – A Lírica Bereta, que destrincha a vida de Gustavo de Almeida Barreiro, mais conhecido como Gustavo Black Alien.
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Romulo Fróes – Calado

 

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Uma chorosa cuíca abriu Calado, síntese de tudo o que não se sabia sobre o paulistano Romulo Fróes em sua estreia. Um desfile de faixas de instrumentação impecável, composições em tons azuis, rememorando sambas antigos, onde os fios criativos eram saudade e solidão. De cara, Fróes escolhe se cercar de uma estética que por si só é declaração. Dado seu desempenho à prova de erros, acabou, então, estigmatizado como “sambista”. Mas se um debute tem a função de gerar uma primeira impressão de um músico, o verdadeiro artista tem por obrigação quebrar em mil nossas expectativas, e assim o fez Romulo em seus lançamentos seguintes: mostrando que cada álbum pode se servir de universo particular e espelho de seus interesses momentâneos, recria a cada registro influências, ares e sons. Se seu início foi marcado pela influência de Nelson Cavaquinho, Noel Rosa e Paulinho da Viola, momentos subsequentes nos revelaram o rock setentista de Jards Macalé e Mutantes, enquanto seu Passo Torto uniria samba e distorção na criação de um novo híbrido, tão interessante quanto o foi seu prólogo.
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Romulo Fróes falou sobre Calado:

Move: Quais eram suas expectativas na época da gravação?
Romulo: Sempre digo pra quem vai lançar seu primeiro disco que aproveite muito este momento, porque ele nunca mais se repetirá. Nunca mais seu trabalho será recebido sem nenhuma referência anterior, sem nenhuma ideia preconcebida e com os ouvidos alheios curiosos apenas em sua música. Só no primeiro disco você pode experimentar coisas sem colocar em perspectiva sua carreira e os discos lançados anteriormente, porque em seu primeiro disco não há disco anterior! Dificilmente lançaria um disco como o Calado hoje em dia, um disco escancaradamente influenciado pelos sambas tristes de Paulinho da Viola, Cartola, Zé Ketti, Batatinha e acima de todos, Nelson Cavaquinho. Um disco sem nenhum pensamento de renovação ou algo que o valha, apenas o desejo de compor uma canção ao modo desses grandes artistas. Depois de Calado, nunca mais compus uma canção da maneira quase ingênua como eu compunha naquela época. Em meu segundo álbum, Cão (2006), já tive que dar conta das críticas feitas ao Calado, da minha relação com o samba, da influência decisiva de Nelson Cavaquinho na minha música, dos novos caminhos que teria que propor pra se chegar a uma voz própria, blá, blá, blá. Já havia perdido a inocência do primeiro disco.

Como foi a produção do álbum e como era o clima no estúdio?
Talvez produção não seja uma palavra adequada para se usar em relação ao Calado. Quando entrei em estúdio para gravá-lo, minha vida musical se restringia à banda que formei no colégio e o EP que lancei em 2001, com minhas primeiras parcerias com o Clima. E o impulso de gravar foi justamente esse, minhas parcerias com o Clima, que haviam se expandido para minhas parcerias com o Nuno Ramos, de quem já era assistente na época. O conjunto das canções que se ouve no Calado e ainda muitas outras que ficaram de fora era a minha primeira grande vivência musical, que naquela altura se restringia única e exclusivamente à composição. Não conhecia quase nenhum músico, não fazia nenhum show, mas acreditava demais naquelas canções. Some a esta falta de meio musical a minha completa ignorância com estúdios de gravação. Já naquela época, mas ainda hoje, depois de tantos discos que já gravei e apesar do meu profundo interesse pela evolução dos meios de gravação e o que eles proporcionaram à criação artística, eu tenho sérias dificuldades com o lado tecnológico da coisa, tanto que prefiro assinar como direção artística os discos de outros artistas que produzo. Pois bem. O único estúdio de gravação que eu conhecia na época era o mesmo em que já havia gravado com minha banda. A saber: um estúdio frequentado apenas pela galera do heavy metal cujos donos tinham uma banda de cover do Creedence Clearwater Revival e outra do Deep Purple. Foi nesse ambiente em que eu me meti a gravar um disco de samba triste. Pra completar, o equipamento do estúdio estava defasado já naquela época. Nunca vou me esquecer da frase em tom de profecia de um dos sócios do estúdio. Dizia ele: “Escuta o que eu estou te dizendo, esse negócio de se gravar no computador não vai pegar!”. O disco foi todo gravado em fitas ADDAT em um sistema que eles chamavam de analógico/digital, mas que na verdade não guardava nenhuma das qualidades de nenhum desses dois sistemas. Não tinha o som quente, vivo, dos gravadores de rolo tão desejados hoje em dia, muito menos as facilidades de manipulação dos softwares digitais de gravação, já populares na época. Como o disco era gravado nas horas vagas do meu trabalho e de acordo com o dinheiro que eu levantava para bancá-lo, levou-se muito tempo para que ficasse pronto, o que de modo algum foi um problema, porque, de novo, nunca mais viverei aquela experiência quase infantil de estar produzindo pela primeira vez um trabalho meu. Era uma aventura vivida com uma alegria que não dá pra descrever. Por exemplo, se surgisse a ideia de se gravar um trombone, por causa dos trombones incríveis que ouvíamos nos discos do Nelson Cavaquinho, era preciso primeiro conhecer um trombonista, fazer o contato, explicar o projeto, conseguir o dinheiro, marcar o estúdio e só daí ver o que rolava, sem antes ao menos ter apresentado a música ao instrumentista que fosse gravar. A quantidade de vezes que fizemos isso e deu errado não dá pra contar. Mas que ninguém tenha falado, nas inúmeras críticas que o disco recebeu, de seu som quase precário é um dos meus maiores orgulhos em relação ao Calado. Mais do que termos superado as muitas dificuldades de produção, tenho certeza que isso se deve a qualidade das canções, que suplantavam qualquer deficiência técnica, qualidade que imodestamente enxergo até hoje, 10 anos depois de seu lançamento.

Quais foram os principais resultados do lançamento?
Meu objetivo principal era registrar minhas parcerias com Clima e Nuno, com as quais estava bastante empolgado. Honestamente, não tinha a menor expectativa de como seria recebido o disco. Imagine, então, qual não foi minha surpresa com a receptividade absolutamente positiva, quase unânime, que o disco recebeu. Foi essa recepção a posteriori que finalmente me fez pensar sobre o disco que eu havia produzido, pra se ter uma ideia da importância que uma crítica pode/deveria ter. Acho que Calado foi percebido acima de tudo como um disco de boas canções, o que acho justo. Mas sua inventividade e seus arranjos nada ortodoxos, especialmente no universo do samba, pelo qual ele transitava, gerou uma situação muito interessante, pra não dizer estranha: se por um lado o disco foi a porta de entrada para um monte de gente que ouvia nada ou muito pouco de música brasileira, sobretudo uma galera que só ouvia indie rock, daí o disco ter sido chamado de samba indie, por outro, o álbum me alçou à condição de um novo valor do samba, alguém que preservaria seu legado, este sim um aspecto gerado pelo disco que me desagradou e que permaneceu por muito tempo até que me livrasse desse estigma. Mas 10 anos depois de seu lançamento, só posso pensar que Calado foi uma experiência absolutamente bem sucedida, não só pelas críticas muito favoráveis que recebeu, nem mesmo pelos inúmeros prêmios que ganhou (Calado é um dos cinquenta álbuns mais importantes de música brasileira na primeira década deste século, segundo o jornal Folha de São Paulo), mas principalmente pelo tanto que minha personalidade artística já estava definida ali, ainda que só pudesse perceber isto anos depois. Mesmo agora, prestes a lançar meu quinto disco solo, me vejo repetindo pensamentos que foram estabelecidos neste primeiro trabalho. Só espero que o disco que lanço muito em breve e os inúmeros outros que ainda pretendo lançar em minha vida possam carregar, um pouco que seja, o encantamento insuperável que senti fazendo o Calado.

Nota: uma edição comemorativa de 10 anos de Calado será lançada em breve. A Locomotiva Discos está por trás da empreitada, que terá edições em vinil e contracapa com texto do jornalista Marcus Preto.

 

Wonkavision – Wonkavision

 

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O álbum de estreia da Wonkavision é provavelmente o melhor álbum de powerpop já gravado no Brasil. Letras inspiradas, divertidas e com pitadas de sarcasmo. É paradoxal escutar “O Plano Mudou”: como pode uma música tão alegre falar abertamente sobre suicídio em primeira pessoa? O disco ainda ganhou uma edição especial com seis novas faixas e uma edição japonesa com todas as canções cantadas em inglês.
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Will Prestes, compositor e guitarrista da banda, falou sobre Wonkavision:

Move: Quais eram as expectativas da banda na época da gravação?
Will: O início dos anos 2000 viveu aquele boom de bandas gaúchas: Bidê ou Balde, Video Hits, Cachorro Grande, entre outras. A Wonkavision veio um pouco depois, mas mesmo assim imagino que na época, nossa expectativa era entrar no mesmo circuito, fazer o maior número de shows no país e viver de powerpop.

Como foi a produção do álbum e como era o clima no estúdio?
A produção do primeiro álbum foi uma delícia. Havíamos vencido um festival patrocinado por uma marca de refrigerantes, o que nos deu fundos para bancar a gravação. Todos tiramos férias dos empregos e fomos para Belo Horizonte gravar no estúdio do John Ulhoa, do Pato Fu, com produção dele. Foram dias que deixaram uma marca feliz na memória, de muito foco, descobertas musicais e diversão.

Quais foram os principais resultados do lançamento?
Acho que só houve resultados positivos. O álbum foi super bem recebido pela crítica, assinamos com um selo japonês e lançamos uma versão em inglês por lá, e depois de tanto tempo me parece que chegou num certo status cult pra figurar em listas como esta. O processo de gravação foi um super aprendizado, o que nos levou a fazer um segundo álbum, que apesar de pouco divulgado, teve um retorno muito positivo também. Uma amostra clara de amadurecimento da banda. Pra quem quiser ouvir, tem todos nas plataformas digitais: Spotify, Deezer, Rdio, iTunes, etc.

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