Uma rápida história sobre “Blowin’ In The Wind”, clássico de Bob Dylan

Bob compôs “Blowin’ in the Wind” em questão de minutos em um café em frente ao Gaslight Club. Embora achasse a música especial, ele não conseguiu entender plenamente a importância do que havia feito. “Foi só mais uma música que compus”. A melodia era estranhamente semelhante ao spiritual afro-americano “No More Auction Block” (ouça abaixo). No entanto, tomar emprestadas melodias, e até letras, fazia parte da tradição folk e era perfeitamente aceitável.

Havia uma crítica pertinente a “Blowin’ in the Wind” com relação à retórica da letra. Muitos dos artistas folclóricos mais destacados de Nova Iorque não ficaram nem um pouco entusiasmados quando ouviram a música pela primeira vez. Não parecia haver qualquer ligação entre as implacáveis perguntas; e, no final de três versos, nenhuma das questões tinha sido solucionada, a não ser para dizer que a resposta estava voando ao vento, uma imagem tão vaga que, pode-se argumentar, não queria dizer coisa alguma. Pete Seeger não a considerou grande coisa. “‘Blowin’ in the Wind’ não é minha favorita”, diz ele. “É meio fácil”. Tom Paxton achou que era impossível decorá-la. “Eu odeio a música. É o que eu chamo de música ‘lista de compras’, em que um verso não tem absolutamente qualquer relevância para o seguinte”. Dave Van Ronk achou-a boba. Ainda assim, depois de Bob cantar “Blowin’ in the Wind” no Gerde’s Folk City por uns dois meses, Van Ronk reparou, para sua surpresa, que os músicos que se reuniam em volta do Washington Square Park tinham inventado paródias irreverentes como “The answer, my friend, is blowin’ out your end”. Como diz Van Ronk, “Se a música tem força suficiente, mesmo sem ter sido gravada, para dar origem a paródias, ela é mais forte do que eu imaginei”.

The Freewheelin’ Bob Dylan foi o primeiro grande álbum de Bob e incluía cinco clássicos. A faixa de abertura, “Blowin’ in the Wind”, por si só, teria garantido para o disco um lugar na história da música. Anos mais tarde, quando estava em litígio com Albert Grossman, Bob alegou que a principal razão para o álbum ter sido um sucesso fora: “Embora eu não soubesse disso na época, o segundo álbum estava fadado a ser um grande sucesso porque incluía ‘Blowin’ in the Wind'”.*

Apesar do sucesso do disco, “Blowin’ in the Wind” não se tornou um hit com a versão de Bob, e sim com o grupo vocal Peter, Paul & Mary, que levou a faixa ao segundo lugar das paradas de sucesso. Outra releitura que merece destaque é a de Stevie Wonder, o primeiro artista negro a levar uma canção de Bob Dylan para o Top 10 de singles dos Estados Unidos.

Bob Dylan gravou “Blowin’ in the Wind” no dia 9 de julho de 1962. Fica aqui a nossa homenagem a um dos maiores clássicos do mestre.

* Trecho do livro Dylan – A Biografia, de Howard Sounes

  • Rafaelle

    Lindo.

  • Jéssica

    Muito bom o post! Parabéns!