radiohead no brasil

Especial: Radiohead em São Paulo

Em 2014, o inesquecível show na capital paulista completa cinco anos. Relembramos a apresentação da banda inglesa, as músicas do set, depoimentos de quem foi e o projeto colaborativo Rain Down.

O clichê bobão “Quem viu, viu. Quem não viu, não viu” é facilmente aplicável à estreia do Radiohead em palcos brasileiros. Após um sem-número de vem-não-vem e anos de espera, finalmente Thom Yorke e seus amigos pisaram no país – e justamente em um dos momentos mais emblemáticos de sua carreira, com a polêmica do “pago quanto quiser” ainda quentinha nas pautas musicais e de marketing mundo afora. In Rainbows, o álbum por trás da jogada, foi recebido de braços abertos e, pra muitos, é um dos trabalhos mais relevantes da década passada. Tudo isso jogou ainda mais tempero na performance do grupo e fez com que aquele 22 de março de 2009 em São Paulo (com o show do Rio de Janeiro tendo acontecido dois dias antes, vale lembrar) ficasse marcado a fogo na memória dos 30 mil pagantes que enfrentaram perrengues homéricos e desnecessários tanto na ida, quanto na volta da tal Chácara do Jockey.

Problemas de preços e logísticas à parte (e quem esteve presente sabe que houve um bocado deles), o Just a Fest, evento armado para trazer o Radiohead ao Brasil, ainda contou com dois bons “aquecimentos”: a “volta” dos Los Hermanos e o show robótico do Kraftwerk, que tinha cara de futuro, mas que cheirava a nostalgia. Enfim. Nada que roubasse o frio na barriga de ver de perto uma das bandas mais inventivas e reverenciadas dos últimos 20 anos. E a espera valeu a pena. O palco e sua parafernália luminosa de fazer cair o queixo até de quem só conhecia “Fake Plastic Trees”; “There There” e sua destruição progressiva logo no começo; Jonny Greenwood e sua cabeleira quase emo golpeando guitarras ou mexendo com barulhinhos sintéticos e frequências de rádio; “Jigsaw Falling Into Place” seguida do hino torto “Idioteque”; a pequena câmera focalizando o olhar vesgo de Yorke no telão em “You And Whose Army?”; os incontáveis momentos de catarse e transe da plateia; a delicadeza e o silêncio de “Faust Arp”; os tons épicos de “Exit Music (For A Film)”; “Creep”.

Mas, provavelmente, nada fez o público sair de alma tão lavada dali quanto “Paranoid Android”. O coro dos fãs após o término da música, implorando com fervor para que o frontman continuasse por mais alguns segundos sua saga de nome inspirado no Guia do Mochileiro das Galáxias, ainda é motivo de arrepios ocasionais – e relembrar que Thom entrou no clima e compartilhou mais uma dúzia de acordes acompanhando a galera é desses acontecimentos únicos em uma vida. Pode até soar banal (talvez seja, mesmo), e é compreensível chamar isso tudo de exagero – mas, fazer o que? Como já disse, quem viu, viu.

Show parcial transmitido, na ocasião, pelo Multishow

O que sobrou de tudo foi um sentimento que acredito não será superado. Difuso e inesquecível, o show do Radiohead foi um marco na minha vida – Iberê Borges

E para ajudar neste revival do show do Radiohead em São Paulo, que completa exatos cinco anos neste sábado, o Move convidou alguns colaboradores, parceiros e amigos para recapitular algumas histórias e lembranças daquele 22 de março que ainda reverbera.

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Como foi:

“Depois de ver a última apresentação dos Los Hermanos até sei lá quando, e depois de ver também o espetáculo robótico e hipnotizante dos papais da música eletrônica, o Kraftwerk, era difícil acreditar que a noite ainda ia ter o Radiohead. Mas teve, e foi tão legal quanto eu esperava. A produção do palco era linda, com umas espécies de postes que ficavam pendurados do teto e balançavam suavemente com o vento frio da noite, sobre os quais eram projetados umas cores muito bonitas (ou talvez fossem umas cores bem sem graça e a música excelente me fizesse achar tudo lindo). O telão daquele show com certeza foi o mais cinematográfico que eu já vi em um show: diversas câmeras mostravam detalhes das performances e dos equipamentos de cada um dos músicos, e era difícil saber pra onde olhar. O set-list trouxe várias músicas do In Rainbows que tinham uma pegada mais “rock n’ roll”, como “15 Step”, “Jigsaw Falling Into Place” e a incrível “Bodysnatchers”, mas o show que eu tenho na memória foi um dos mais lindamente melancólicos que eu já vi. Lembro muito bem da voz do Thom Yorke no refrão da linda “Lucky”, quando o palco se iluminou de um roxo profundo, da apatia hipnotizante da “Everything In Its Right Place” e do maravilhoso bis que trouxe “Fake Plastic Trees” e “Creep”. Acho que o show foi num domingo, porque eu lembro remotamente de me preocupar em acordar cedo no dia seguinte. Eu nem lembro de como foi esse dia seguinte, mas por mais sono que eu tenha passado nele, valeu totalmente a pena.”

– Gustavo Sumares, Move That Jukebox

“Era minha primeira vez em São Paulo, cidade na qual hoje eu moro. Meu primo me largou na longínqua Chácara do Jockey e eu não tinha muitas perspectivas de como eu ia fazer pra voltar dali. Mas nada importava, era o show da minha banda preferida. A abertura com o Kraftwerk deixava tudo ainda melhor. Desde o primeiro segundo de show com “15 Step”, eu já sabia que seria o melhor show da minha vida. Duas horas e quarenta minutos depois estava tudo consolidado. Até hoje nenhum outro grupo conseguiu superar aquela apresentação na sala de troféus que eu guardo na minha memória (apesar do The National ter igualado). Eu consegui voltar pra casa. Mas a lembrança daquele dia frenquentemente vem me visitar.”

– João Vitor, Indie da Deprê

“O show foi incrível! Pena que no aperto da grade um corno manso fez xixi na minha perna (pois é, isso mesmo) e eu passei metade do show chorando, mas sem ser de emoção.”

– Flávia Durante, Trip

“Não é exagero dizer que 22/03/09 foi um marco na minha vida. Não é à toa que tenho a data marcada na pele. Foi minha primeira ida a São Paulo, foi minha primeira viajem de avião e foi a primeira vez que chorei de alegria ao ver meus ídolos num palco. Lembro nitidamente de, logo no início do show, parar, respirar fundo e engolir o choro pra conseguir enxergar melhor aquele quinteto de gênios tocando na minha frente. Dali pra frente, me dediquei a gastar todas as minhas energias – afinal de contas, nada mais poderia dar errado. E não deu. Foi tudo lindo, foi mágico. Radiohead fez muito mais que música naquela noite. Fez o público flutuar com os pés no chão, fez com que todos entrassem na mesma frequência das notas tocadas. Fez muita gente feliz. ‘This is what you get, when you mess with us’.”

– Priscila Cloque, Move That Jukebox

“Poucos shows foram tão complicados e emocionantes quanto a passagem do Radiohead pelo Brasil. Ganhei o ingresso para o show como um presente de aniversário, dois dias antes do evento, e fiz uma viagem de mais de 12 horas (de van) até chegar em São Paulo – na época, ainda morava no Paraná. Cheguei pouco antes das 8 da manhã no Jockey, ficando na fila até a abertura das portões, por volta das 14 horas. Da frente da grade até o fim do show dos ingleses foram mais de 10 horas em pé. Não havia água – os entregadores não conseguiam chegar até o centro do palco – e o único copo que consegui comprar custou absurdos R$ 20. Choveu, fez calor, deu vontade de chorar, mas a vontade de ver uma das minhas bandas favoritas se apresentando foi ainda maior. Rever Los Hermanos e assistir ao Kraftwerk pela primeira vez? Deliciosos aperitivos antes do prato principal. Quando a banda chegou ao palco com “15 Step”, a felicidade foi absurda. Chorei feito criança com “All I Need” e “Fake Plastic Trees”, fiz parte do coro em “Paranoid Android” (quem não?) e gritei a cada experimento louco que a banda testava no palco. Luzes, distorções e até um rádio sendo “tocado” – “Que show absurdo é este?”, perguntava. Quando “Everything In Its Right Place” tocou, pensei seriamente em fingir desmaio para evitar a massa que se aglomerava atrás de mim. Aí veio “Creep”, aqueles efeitos coloridos no telão e o refrão clichê. Não deu outra: aguentei até o fim. Depois, mais 12 horas até chegar em casa. Porém, havia uma certeza na minha cabeça: havia assistido ao melhor show da minha vida.”

– Cleber Facchi, Miojo Indie

“Eu nunca fui uma super entusiasta do Radiohead. Sempre respeitei mais do que ouvi. Sou muito sensível à música e eu tento fugir um pouco da melancolia. Na época, eu namorava um cara que gostava muito. Dei o show de presente de aniversario pra ele. E por mais que não seja uma das minhas bandas preferidas, sempre cito esse show como um dos melhores que eu já vi. Das super câmeras à iluminação do palco, à simpatia sem jeito do Thom Yorke. É uma banda única. E minha relação com ela mudou um pouco depois do show, porque a melancolia ficou um pouco de lado quando eu lembro da euforia do som. E o Kraftwerk foi a cereja do bolo.”

– Janara Lopes, IdeaFixa

“O grande risco do show do Radiohead no Brasil era que meu senso crítico fosse afetado pela minha devoção de longa duração ao grupo. Eu já tinha a opinião formada de que aquele seria o melhor show da minha vida antes mesmo do primeiro acorde ser soado. Ver o Radiohead ao vivo foi um misto de incredulidade (estava realmente acontecendo) e pontadas no coração (hora de aperto, hora de alegria, hora de frio na espinha). Minhas expectativas, mais que cumpridas, foram superadas. E até hoje não sei se o show foi realmente fantástico ou se todos que estavam lá foram hipnotizados ao longo das mais de duas horas de música. Se foram, estou em transe até hoje.”

– Gregório Fonseca, Move That Jukebox

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“A lembrança do show ainda é muito clara na minha memória. Não morava em São Paulo, mas comprei o ingresso assim que anunciado. Rolou uma comoção dos amigos gaúchos e até uma vaquinha pra levar uma amiga que não ia conseguir por causa de grana. Chegamos cedo, nos esprememos no show do Los Hermanos, dançamos no show do Kraftwerk e, então, vibramos. Um dos melhores shows em que eu já estive. Emocionante. Quando tocou “Talk Show Host”, não acreditei! Foi meu primeiro amor com Radiohead. Espetáculo de luz e som e explosão de alegria e amor. Tipo isso. Nem a volta caótica pra casa conseguiu apagar a delícia daquela noite. Tenho até hoje pendurado em cima da minha cama o cartaz dessa lembrança.”

– Camila Mazzini, Vice

“Confesso que nunca fui um fã passional do Radiohead. Sou da turma que acha o Pablo Honey fraquinho, o The Bends ótimo, o OK Computer incrível, e está até hoje tentando entender do Kid A pra frente. Gostei do In Rainbows, mas não muito. Foi meio nessa vibe “vamos-ver-qualé” que eu fui enfrentar o martírio do pior lugar de shows que São Paulo já viu. Lembro de ter me impressionado com o palco, de ter redescoberto diversos hits, de ter entrado na vibe da extensão acústica de “Paranoid Android” e de ter sacado que aquele foi de fato um momento especial para quem esteve lá. E lembro principalmente do quanto o In Rainbows cresceu ao vivo, me fazendo simpatizar um pouco mais com o disco. Lembro de “Creep” – como não amar aqueles chunks de guitarra antes do refrão? Foi um grande show de uma banda que eu gostaria de amar mais. Gostei do The King of Limbs, mas não muito. Sigo na expectativa do Radiohead lançar um novo disco só de “Paranoid Androids” e resetar o norte da música pop novamente.”

– Elson Barbosa, Sinewave

“Dificilmente haverá um show que será tão marcante quanto o do Radiohead em São Paulo, há cinco anos, na minha vida. Apesar disso, o que consigo lembrar daquela noite são apenas fragmentos. Não sei se era a emoção somada à expectativa e realização, o que sei é. Como um sonho, o que sobrou na lembrança foram fragmentos. Lembrar do rosto de Thom Yorke no painel de led por uma câmera perto ao rosto, das luzes que faziam o seu show particular, lembrar de Jonny Greenwood conectando e desconectando cabos, lembrar do público fazendo coro e trazendo a banda de volta, de violões e grandes percussões, da chuva que caía como poesia, da banda voltando para um segundo bis, das pernas cansadas e da cabeça flutuando. Lembro do êxtase pelas canções tocadas, e não lembro exatamente quais foram. O que sobrou de tudo foi um sentimento que acredito não será superado – difuso e inesquecível, o show do Radiohead foi um marco na minha vida.”

– Iberê Borges, Move That Jukebox

“Não sei direito o que fui fazer no show. Tenho a impressão de que fui trabalhar, mas não tenho certeza. Acho que fiz uma matéria sobre a reunião do Los Hermanos para o evento. Deve ter sido isso. Eu gosto de Radiohead, mas não piro muito na fase pós-OK Computer. Ironicamente, tinha um puta trânsito para chegar àquele lugar infernal e perdi a apresentação dos Hermanos inteira. Cheguei quando eles estavam dizendo tchau. Mas vendo um pedacinho da última música e assistindo ao show do Kraftwerk inteiro, achei que eram as melhores bandas de abertura que o Radiohead poderia ter naquele momento. Ambas representavam algo de fases distintas do grupo do Thom Yorke. Eu fiquei muito impressionado com a iluminação e o som do Radiohead, mas não há boa impressão que dure com o caos que foi a saída do estacionamento desse show. O Radiohead acabou, para mim, sendo trilha de pesadelo.”

– Paulo Terron, Jornalista

“Não lembrava que fazia apenas cinco anos que o Radiohead havia batido por aqui. Pra mim, parecia uma eternidade. Mas lembro bem desse show por ter achado meio mala. Mas, também, perto do Kraftwerk… A despeito de eu ser fã do Kraftwerk e achar que eles sempre vão fazer o melhor show do mundo, mesmo sendo um show caça-níqueis, ou ruim, nesse dia específico ficou difícil pro Radiohead bater os vovôs robôs. Mesmo com “Idioteque” ou uma série de muitos hits, o local não ajudava, o som variava e o melhor mesmo era a “sensação” de ver uma das bandas mais importantes da história ao vivo e aquele palco de tubos iluminados. Mas o show mesmo, em si, foi esquecível. Lembro do Kraftwerk e do martírio de ter que encarar o Los Hermanos e os fãs dos Los Hermanos, que, veja só, são os mesmos – o que deve explicar muita coisa. Ainda torço pra banda voltar e me surpreender, como me surpreendeu com OK Computer e Kid A.”

– Fernando Augusto Lopes, Floga-se

“Nunca fui das maiores fãs de Radiohead. Claro, sabia que Kid A era um álbum incrível e realmente gostava de uma meia dúzia de músicas da banda. Lembro até hoje quando ouvi “Creep” pela primeira vez no rádio e como quase me asfixiava prendendo a respiração junto com Thom Yorke no clipe de “No Surprises”. Não esperava muita coisa do show, mas sabia que tinha que ir porque era um momento histórico. Tinha um bafafá se eles iriam tocar “Creep” ou não, mas eu estava secretamente bem mais empolgada para a apresentação do Kraftwerk. Já tinha me aventurado pela Chácara do Jockey no Claro que é Rock de 2005, mas durante a noite e num show que não envolva os Stooges, a coisa muda um pouco. Lembro da lama e da peregrinação dos indies naquele pasto. E só Deus sabe o quanto aquele show dos Los Hermanos foi difícil. Mas quando o Radiohead entrou no palco eu entendi tudo o que sempre tentaram enfiar na minha cabeça. O som, as luzes, as músicas. Um bis triplo encerrando com “Creep”. E eu lá, besta, com os olhos cheios de lágrimas no meio do mato. E nem o vidro quebrado do carro parado num daqueles estacionamentos clandestinos conseguiu estragar minha noite.”

– Débora Cassolato, Ouvindo Antes De Morrer

“Lembro que estava extremamente ansioso para o show. Sabia que seria um dos melhores da minha vida. Eu já morava em Ribeirão Preto e fechamos uma excursão para o evento, com vários amigos na mesma vibe. O retorno do Los Hermanos não me empolgava, já o Kraftwerk conquistou totalmente. Quando começou o show do Radiohead, estávamos próximos ao palco e virou um tumulto. Sem problemas para mim, mas minha namorada (na época) começou a passar mal e tivemos que ir para um lugar mais tranquilo. Perdi umas 3 músicas neste processo. Respirei fundo, me concentrei novamente e fiquei hipnotizado até o final do show. Quando acabou, todo mundo estava reclamando da “marcha dos pinguins” (foi um caos sair da Chácara do Jockey) e eu ainda em êxtase, emocionado.

– Tiago Fuzz, Groselha Fuzz

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Rain Down:

Quem acompanhou em blogs, fóruns, Orkut (pois é) e pelo Twitter toda a repercussão pós-show do grupo inglês, deve se lembrar de um projeto criativo que juntou todas as duas horas e tantos minutos da apresentação. Bem além de ser simplesmente um reprise, o Rain Down fez um mega mashup colaborativo de trechos amadores filmados por fãs do Brasil inteiro que estiveram presentes na ocasião. O resultado é a íntegra da performance traduzida em vários pontos de vista do público, ora focando o palco como um todo, ora um integrante específico, ora os telões e assim vai. O autor da façanha é Andrews Ferreira, que, por conta da ocasião especial, falou um pouquinho com o Move e relembrou a época do show e da empreitada.

Move: Do que você mais se lembra da apresentação do Radiohead?
Andrews: Da reação do público quando eles entraram no palco ao som de “15 Step”, que não cessou em nenhum momento do show. Os fãs gritavam o nome de cada integrante e eles não sabiam como retribuir, faziam brincadeiras com o público e pareciam estar em casa. Mas o momento mais marcante com certeza foi no meio da música “Paranoid Android”, quando os fãs cantaram a parte “Rain down…” em um coro alto e comovente. Todos que foram nesse dia devem lembrar a emoção do momento.

Como rolou a ideia de fazer o Rain Down?
Lembro que o show foi transmitido pela metade no Multishow. No dia seguinte, eu e grande parte do pessoal que foi estavam à procura de filmagens das músicas “Paranoid Android” e de várias outras que não foram transmitidas. Só havia pedaços e trechos, e foi nesse momento que tive a ideia de editar um vídeo completo sem maiores pretensões. Consegui reunir alguns vídeos do YouTube, fiz uma edição rápida e lancei pelas comunidades da banda. Na época, o Orkut era o que o Facebook é hoje. A edição mexeu com os fãs. Recebi uma enxurrada de pedidos para editar outras músicas e consequentemente todo o show. Comecei a receber material de todos os lados e abracei a ideia de criar um projeto colaborativo e disponibilizar gratuitamente um DVD editado com todas as músicas do show do Rio de Janeiro e São Paulo.

O projeto conseguiu um bom alcance, certo? E o que ele rendeu pra você, posteriormente?
Sim. Era uma coisa nova no Brasil. Naquela época, ninguém falava de crowdsourcing, de filmagem colaborativa, apesar de já ter outros projetos parecidos lá fora. O Rain Down teve um alcance monstruoso. Eu acredito que até teve conhecimento por parte da banda, apesar de não ter nenhuma prova disso. Consegui falar sobre o projeto em diversos meios de comunicação, cheguei a participar ao vivo de um programa da MTV explicando o projeto, o que eu fazia na época e sobre todo o lance dos direitos autorais que polemizaram o assunto. Muita gente bacana apareceu na minha vida nessa época, fiz bons contatos. Foi também uma boa oportunidade para mostrar o meu trabalho fora das edições de vídeo. Sou grato por lembrarem do projeto até hoje.

Se a banda voltar, acha possível fazer mais uma versão do projeto?
Sim, com certeza. Estou no aguardo dessa volta desde que vazaram boatos de shows por aqui. Faria uma nova versão mais organizada e planejada dessa vez e, hoje, com certeza, teríamos uma qualidade de vídeo muito superior de imagem do que daquelas câmeras de 2009. Os fãs provavelmente me ajudariam a fazer isso acontecer.

Acima, você encontra o projeto em sua forma completa, com mais de duas horas de duração. A tracklist, bem recheada, está na sequência. Bom show. Novamente.

01. 15 Step
02. There There
03. The National Anthem
04. All I Need
05. Pyramid Song
06. Karma Police
07. Nude
08. Weird Fishes/Arpeggi
09. The Gloaming
10. Talk Show Host
11. Optimistic
12. Faust Arp
13. Jigsaw Falling Into Place
14. Idioteque
15. Climbing Up The Walls
16. Exit Music (For A Film)
17. Bodysnatchers
18. Videotape
Encore:
19. Paranoid Android
20. Fake Plastic Trees
21. Lucky
22. Reckoner
Encore 2:
23. House Of Cards
24. You And Whose Army?
25. Everything In It’s Right Place
Encore 3:
26. Creep

Fotos: Mastrangelo Reino

  • Bruna Costa

    Radiohead, nossa, foi tudo tão perfeito e intenso, sem dúvida alguma, o melhor show da minha vida. Um dia estranho, pra uma banda estranha. Frio, calor, garoa, chuvinha e ponto. E num tempo firme, e feio, começa o show, com uma empolgação dual, público e banda. Expectativas como reflexos, sentia se música, e isso, era tudo. Cantávamos de forma desesperada, e escutávamos como bons ouvintes impressionados com tamanha grandiosidade da”Orquestra Radiohead”, que só impressionava. No som, no palco, na estética, em tudo! Cacete, até em simpatia, pode isso Thom? Sim, Sim, não só pôde, como foi. Thom Yorke, incrível, falava com o público e uma timidez que atiçava a galera a querer mais, e mais. Do meu lado direito minha irmã, e do lado esquerdo, um estranho, um barbudo emocionado, que logo virou um irmão até o fim do show. Muitas gentilezas, e um ar de felicidade pairando. Aquilo era o ápice pra muitos, foi pra mim. A empolgação da banda e do público foi o mesmo, no inicio, durante e no seu fim. Caminhando pro fim do show, o medo era compartilhado, porque tudo passou muito rápido. Fim de show e nada de tristeza, uma comoção indo embora exausta pelo transe compartilhado. Cantarolamos até em casa e foi assim, intenso e surreal, o show mais foda da minha vida. Fiquei com depressão pós show! É sério. Muito mal. O Radiohead deixou um buraco, no barro da Chácara do Jockey e na memória de apreciadores de boa música. Viva Radiohead! Viva Thom Yorke!