Especial: Paul McCartney, 70 anos (parte dois)

“Blackbird” foi composta após as observações feitas por Paul McCartney em relação aos protestos políticos que se alastraram pelos Estados Unidos no final da década de 1950. Os direitos civis eram cada vez mais reivindicados pela população negra, que viu a segregação racial começar a ter fim no Ginásio Central de Little Rock, cidadezinha localizada no Estado do Arkansas, que usou tropas de pára-quedistas do exército estadunidense para garantir e proteger a entrada e o estudo de nove alunos negros.

Três elementos foram usados na gravação: a voz de Paulo, um violão e uma batida. Eu mesmo achava que essa tal batida era o pé de McCartney marcando o tempo, mas assistindo ao vídeo The Beatles Complete descobri que se trata da master da gravação, intencionalmente arranhada (faça o teste ouvindo a música bem alta, com fones de ouvido).

Os acordes de “Blackbird” foram inspirados na famosa Bourrée em MI menor, do compositor clássico Johann Sebastian Bach, vejam só.


Essa música também foi uma das únicas cinco faixas dos Beatles tocadas na turnê do grupo The Wings, em 1976.

Para finalizar, uma pequena declaração de Priscila Barker, colaboradora do Move That Jukebox:

Em 1968 eu sequer havia nascido, tão pouco poderia imaginar que um dia seria fã de Beatles, ou que teria a oportunidade de assistir a um show de Sir Paul McCartney como tive em 2010. Porém, anos depois, tive alguém que me apresentasse o Rock, o Fab Four, e influenciasse diretamente meu gosto musical. Foi numa das várias tardes mexendo nos vinis e conversando sobre música com meu pai que ouvi “Blackbird” pela primeira vez.

Voz e violão, notas dedilhadas e a batida do pé de Paul no assoalho do Abbey Road Studios. Esta é uma canção pop, rock e folk. Pode ser sobre liberdade, sobre os conflitos raciais da época, pode ser sobre otimismo. Cada um faz sua interpretação da canção, mas o que não muda é sua atemporalidade.

“Blackbird” completou quarenta e quatro anos no dia 11 de junho, e agora é seu criador que comemora mais um ano de vida. Viva Paul, setentão!