Relembrando o R.E.M. através das versões

Em setembro do ano passado o R.E.M. anunciou que estava encerrando suas atividades como banda, após 31 anos de história e 15 álbuns lançados. Desde seus primórdios o quarteto-que-viraria-trio fez inúmeras versões, como se para eles a ideia de reverenciar seus ídolos e/ou fortalecer suas referências fosse indispensável.

Várias releituras foram lançadas através de singles, compilações e compactos natalinos dedicados a fã clubes – todas sempre seguidas a risca por Michael Stipe, Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry que, ao mesmo tempo, trilhavam por uma abordagem melódica bem particular, forjando a ideia de que se tratava de uma canção original. Separei algumas dessas versões para reverenciarmos a história dessa banda tão cultuada.

No início, muita coisa de Velvet Underground foi revista pelos jovens de Athens, Geórgia. Parecia, uma vez que a iniciativa havia sido tomada, ser impossível interromper o ciclo de regravações do lendário grupo nova-iorquino. Talvez eu esteja exagerando, mas foi assim: no primeiro single Radio Free Europe, lançado em 1983: “There She Goes Again”. Dois singles mais tarde (So Central Rain, de 1984): “Pale Blue Eyes”. Três anos seria a vez de “Femme Fatale” aparecer na compilação Dead Letter Office.

Ainda na década de 1980, “After Hours” também daria as caras em meio aos LPs do grupo.

A primeira versão a constar na discografia oficial foi “Superman”, do antigo The Clique, que apareceu no LP Lifes Rich Pageant, de 1986. No ano seguinte, eles fariam isso novamente com “Strange”, do Wire, que apareceria no álbum Document.

Em 1989 a banda lançaria o primeiro de vários singles natalinos dedicados a fãs clubes oficiais e a primeira versão incluída nessa série foi “See No Evil”, do Television.

Em algumas ocasiões, canções tradicionais natalinas eram revisitadas como foi o caso de “Good King Wenceslas”.

A primeira participação em álbuns-tributos foi em 1990 com a faixa “I Walked with a Zombie”, especialmente para o LP Where the Pyramid Meets the Eye: A Tribute to Roky Erickson. O diferencial aqui é que, em certo ponto da canção, todos os integrantes se revezavam no vocal incluindo o baterista Peter Buck em um momento único, vejam só.

No ano seguinte vieram aquelas que talvez sejam as mais famosas versões feitas pelo REM. Em abril, “Love Is All Around”, do The Troggs, foi interpretada durante as gravações do MTV Unplugged, com Mike Mills liderando os vocais.

Ainda em 1991, no mês de novembro, o mestre Leonard Cohen ganharia um tributo chamado I’m Your Fan: The Songs of Leonard Cohen. O REM participou com “First We Take Manhattan”.

Em 1994, outro álbum-tributo. Dessa vez Richard Thompson foi o homenageado, com Beat the Retreat: Songs by Richard Thompson. Michael Stipe e companhia desfilaram uma belíssima e impressionante versão de “Wall of Death”.

Por mais improvável que possa parecer, a trilha sonora de Austin Powers: The Spy Who Shagged Me nos brindou com a belíssima releitura de “Draggin’ the Line”, canção de Tommy James.

Saltando alguns anos à frente chegamos a 2007, quando a Anistia Internacional resolveu homenagear o ex-Beatle John Lennon. O resultado não foi muito satisfatório e a versão do REM foi uma das poucas unanimidades do tributo Instant Karma, com “#9 Dream”.

Em 2008 foi a vez do REM ser revisto pelo quarteto britânico Editors, que lançou “Orange Crush” no formato single. A gentileza seria retribuída alguns depois com “Munich”, interpretada nas dependências da BBC Munique.

Em dezembro do ano passado a banda lançou o que parece ser seu último single de natal, cantando Darlene Love e “Christmas (Baby Please Come Home)”. Mike Mills lidera os vocais enquanto o baterista Bill Berry dá o ar de sua graça, quinze anos após sua saída do grupo. No mínimo, uma bela despedida.

O especial não acaba aqui. Em breve, a segunda parte. Até lá.