Espetáculo, “Caminhos da Música” reuniu diversos estilos e gerações para destrinchar as origens da MPB

Os artistas convidados no palco do Viradalata. Foto: Luciana Paz/Divulgação

Rolou na última quarta-feira (30) o primeiro show da série Caminhos da Música Brasileira, projeto que mostra o processo antropofágico que a música nacional passou através das últimas cinco décadas.

Passava das 20h e o público já se reunia na frente do teatro Viradalata, uma casa pequena, porém aconchegante localizada no Sumaré, em São Paulo. O clima de amistosidade entre as pessoas era reflexo do espetáculo que seria apresentado dentro de uma hora, os antropofágicos e heterogêneos caminhos da música brasileira.

Com a casa cheia, o show começou alguns minutos após o horário previsto. Com o abrir das cortinas o público poôde ver a Orquestra Heartbreakers com seus instrumentos devidamente empunhados sob o comando do arranjador Dino Barioni. Thaíde narra o vídeo introdutório falando sobre a diversidade da genealogia da música brasileira e ressalta a importância de seu berço musical (hip hop) na cultura da cidade de São Paulo, enquanto imagens são projetadas nos dois telões fixados no fundo do palco.

Guga Stroeter, além de historiador e diretor musical do projeto, também comandou o xilofone e serviu como mestre de cerimônias, proporcionando ao público uma breve e concisa explicação sobre a origem e as influências de cada canção. O show inicia com “Marinheiro Só”, interpretada pela cantora Paula Lima.

“Asa Branca”, o baião mais famoso do país foi interpretado pela jovem Geo, que se estava nervosa com o peso monumental da canção, mas conseguiu esconder muito bem, enquanto entregava uma execução perfeita do clássico imortalizado por Luiz Gonzaga. Cálix Bento foi interpretada pela veterana e adorada Ná Ozzetti, que também ficou responsável por cantar “O Mar” de Dorival Caymmi.

Adotando a irreverência do mestre Simonal, Thaíde comandou a cantoria da plateia ao interpretar “Meu Limão, Meu Limoeiro” na companhia de Sander Mecca. Os dois cantores ainda protagonizaram um divertido dueto de “Ah, eu tô maluco”, sucesso nos bailes funk no fim da década de 90.

Thiago Pethit demonstrou toda sua versatilidade como intérprete ao protagonizar dois ótimos momentos da noite. Primeiro no dueto de “Ensaboa” com Paula Lima, e alguns minutos depois em uma arrebatadora interpretação de “Insensatez” de Tom Jobim.

Apenas duas canções foram interpretadas por seus próprios compositores, a primeira foi “Clara Crocodilo” do vanguardista paulistano Arrigo Barnabé (que arrancou um grito de “ae, maestro!!” de um fã na plateia) e ainda contou com o apoio de Ná Ozzetti e Geo nos vocais. A segunda foi a “Cabeça” de Walter Franco (aplaudido com admirável afinco), que contou com a participação de seu filho Diogo Franco.

O show foi encerrado em clima de festa, com todos os artistas reunidos no palco para uma versão de “O Trenzinho do Caipira” do maestro Villa-Lobos.  Paula Lima ainda cantou um último samba para mostrar o que o público pode esperar na próxima edição do espetáculo, que destrinchará os caminhos do samba.

Ao final do espetáculo, Maysa Monjardim (idealizadora do projeto) subiu ao palco para agradecer o público e se emocionou ao relembrar a importância e força da música brasileira, afirmando seu compromisso de fazer o possível parar manter a cultura nacional cada vez mais em evidência. Não era preciso dizer nada, após um espetáculo dessa magnitude fica mais do que claro que a música brasileira é algo único no mundo, e nós devemos nos orgulhar.

Setlist Completo

1 – Marinheiro Só (Paula Lima)

 2 – Asa Branca (Geo)

3 – Cálix Bento (Ná Ozzetti)

4 – Meu Limão, Meu Limoeiro (Thaíde e Sander)

5 – Ensaboa (Thiago Pethit e Paula Lima)

6 – Cielito Lindo (Geo)

7 – Ah, eu tô maluco (Thaíde e Sander)

8 – Ave Maria do Morro (Sander e Paula Lima)

9 – Insensatez (Thiago Pethit)

10 – O Mar (Ná Ozzetti)

11 – Sonífera Ilha (Sander)

12 – Clara Crocodilo (Arrigo Barnabé, Ná Ozzetti e Geo)

13 – Cabeça (Walter Franco e Diogo Franco)

14 – O Trenzinho do Caipira (Todos)

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