Festival Natura Nós: o Jamiroquai e a festa

Uma coisa que se percebeu claramente no Natura é que o line-up internacional foi feito por alguém que, de fato, viu os shows. O Air é talvez a banda mais relevante das três, mas tem um show calminho, que seria anticlimático como headliner. O Snow Patrol tem apelo com as massas, mas um set muito igual, que não empolga muito os não-adeptos.

Mas o Jamiroquai, meu amigo, tem tudo. Hits, pose, habilidade performática, crédito indie, está tudo lá. E eles não decepcionaram os brasileiros.
Jay Kay, com uma roupa esportiva e o clássico cocar de índio iroquês, subiu ao palco acompanhado por um time de respeito: um baixista, um guitarrista, um baterista, um tecladista, um percussionista, três backing vocals e três tocadores de metais. Tudo isso para dar vida à mistura de jazz, funk, r&b e rock que é o Jamiroquai, uma das bandas mais importantes dos anos 1990.

A abertura começa com a ótima “Revolution 1993” e segue com dois outros sucessos, “High Times” e “If I Like It, I Do It”. E então, Jay manda o maior sucesso da banda, “Virtual Insanity”, cantada em uníssono pelas quase 20 mil pessoas que lotavam a enlamaçada Chácara do Jóckey.

É preciso ter muita moral para jogar seu maior sucesso tão cedo e conseguir manter o clima até o final, mas o Jamiroquai foi bem nesse sentido. Seguiu-se a nova (e excelente) “Rock Dust Light Star”, com ótima atuação do trio de backing vocals, e a clássica “Little L”, que ficou fantástica com o público fazendo as palminhas do refrão. Em seguida, “Alright” foi apresentada em versão estendidíssima, que começou calminha, foi ganhando peso e, no final, se tornou um hino com o refrão repetido à exaustão pela platéia: “yeah yeah, alright, let’s spend the night together, wake up and live forever”.

A nova “White Knuckle Ride” veio em seguida, antecipando um combo de clássicos: “Black Capricorn Day”, “When You Gonna Learn” (o primeiríssimo single da banda) e a orgásmica “Cosmic Girl”. Enquanto o público cantava, em êxtase, “She’s just a cosmic girl, oh yeah, from another galaxy”, Jay parecia mesmo vir de outro planeta, dançando freneticamente pelo palco, girando e sendo o showman que os videoclipes tanto mostraram que ele pode ser.

Pouco falante, o vocalista se comunicava menos por palavras e mais por expressões corporais. Mas, quando resolvia abrir a boca, era espirituoso. Para anunciar “Blue Skies”, ele disse: “vamos tocar mais uma do disco novo; é bom, porque precisamos treinar”. Hehe.


Em seguida, um dos grandes momentos da noite: “Love Foolosophy”, minha preferida do Jamiroquai, deixou o público pegando fogo de novo. De acordo com os últimos setlists da banda, essa música marcaria a trinca de sucessos que encerra o show, mas aí veio algo que – me corrijam se estiver errado – o Jamiroquai fez exclusivamente para o Brasil. A banda tocou “Rock Dust Light Star” uma segunda vez, em versão calma, com um toque brasileiro até. Foi o momento mais calmo e, de certa forma, mais bonito do show. Um presente para nós e uma saudável ousadia: quantas bandas se atrevem a tocar duas vezes uma música desconhecida?

Aí retornamos à programação normal com uma música feita, segundo Jay, em uma época em que ele era “mais saudável e mais em forma”: “Canned Heat”. A própria letra resume o espírito da canção ao vivo: “dance! Nothing left for me to do, but dance!”. Nem para o público, que dançou como se não houvesse amanhã.

O show terminou e a banda fez um certo doce para retornar para o bis. Mas é claro que ela voltou para tocar a única grande que faltava: “Deeper Underground”. Pesada como sua versão em estúdio, animada como pede um show ao vivo, a música foi a cereja no bolo de um show perfeito. Ficou faltando “Space Cowboy”, mas a gente perdoa. Cantar “I’m going deeper underground” quando se está literalmente afundando na lama é uma experiência ímpar.

Falando em lama, uma crítica à organização: o que custava colocar, na pista comum, os tapumes que havia na pista vip, que serviam para impedir que o pessoal andasse na lama? Só os vips merecem ficar limpos? E outra coisa: o palco estava muito alto, de modo que quem estava nas primeiras fileiras da pista vip não conseguia ver o fundo do palco. Pagar mais caro para ver o show pela metade? Que grande fail, hein.

Pelo menos os shows compensaram os perrengues e não houve tumulto para sair. Fosse um pouco mais acessível e um pouco menos vítima de São Pedro, a Chácara do Jóckey poderia ser realmente um lugar ótimo para shows. Mas, por enquanto, seguimos demorando 1h30 para chegar e enfiando o pé na lama.

Detalhes, porém, que merecem ser esquecidos perante as grandes apresentações que o público pôde ver nesse 16 de outubro.

  • Cleiton

    Vou ser herege: o setlist do Jamiroquai foi muito igualzinho pra mim, assim como o do Snow Patrol acima citado. E com virtuosismos e ‘alongamentos’ demasiados.

    E vale citar que o ‘tapetinho’ da pista premium só existia no palco principal (o verde). O palco azul virou um lamaçal igual ao que tu fotografou. E sem contar que o espaço dele era reduzido em sua metade (uma coisa bem mal pensada).

  • Músicas novas, yay! \o/
    Space Cowboy não podia ter ficado de fora, verdade. Mas todo show é assim, não há setlist perfeito, que agrade a todos (com certeza teve alguém que nem sentiu falta dela).
    Algo me diz que na próxima oportunidade irei. Sonhar não custa nada, né?

  • O show foi sensacional, sem dúvida alguma. Pra todo fã, faltou alguma música especial, mas todos os hits estavam lá e tocaram 3 músicas novas (com direito a uma versão exclusiva de Rock Dust Light Star). O público fez sua parte, e deu pra ver que o Jay Kay gostou (até os tênis ele jogou pra galera).

    Ano quem vem tem mais…

  • Olha Víctor, que inveja!!! Mesmo com chuva, lamaçal e tudo!!! Como eu queria estar lá!!!!
    Quando o “Jamiro” veio a primeira vez ao Brasil, eu ignorante, sabia pouquíssimo sobre eles. Com o passar do tempo fui me interessando cada vez mais pela banda…sou A P A I X O N A D A pelo som, pelas canções, por tudo que eles fazem…e claro, não podia deixar de dizer que acho o Jay um gato (ops!) rsrsrs…
    Bom, tietagens à parte…queria ouvir, ou melhor, ler de alguém que esteve lá e sentiu a energia e vibração do show…nunca fui a uma apresentação deles…
    Como fã fiquei super chateada de não poder ir. Mas, li em algum lugar que eles vão voltar em 2011…é verdade? Será que vão fazer uma turnê para divulgar o novo CD que sai em Novembro? O Jay Kay disse alguma coisa? E ele ficou mesmo à vontade com a galera? Você disse que ele não trocou muitas palavras, mas pelo menos são simpáticos? Você acha que valeu a pena pagar o ingresso, tomar chuva, ficar literalmente na lama???
    Desculpe-me por tantas perguntas, tá? Se puder me responder vou ficar muito contente. Não sei se você é tão fã como eu, mas acho que pode entender essa curiosidade!!
    Ah! Seu blog já faz parte dos meus “favoritos”. Valeu!
    Abraço

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