#Ficadica: Alexandre Klinke

Alexandre Klinle. foto divulgação (pequena)

Alexandre Klinke mora em Vancouver, Canadá, e criou o disco “Lugares” todo sozinho. Foto: Divulgação

Para quem não sabe, eu também sou assessora de imprensa, mas desde que vim definitivamente para a editoria do Move That Jukebox, resolvei deixar meus clientes bem longe do blog, principalmente em matérias grandes. Nada de fazer entrevista ou coluna, ou resenha, mas um clipezinho sem muito detalhe, até que saiu.

Pois bem, mas um dia estava conversando com um colega de trabalho que disse: “Mas como é que fica? Porque os artistas que você trabalha, você também gosta, né?”. Pois é… Gosto sim e já deixei de escrever sobre alguns deles, mesmo achando que tinham tudo a ver com o nosso conteúdo. Daí, resolvi que a partir de agora, toda vez que quiser escrever sobre uma banda que está sob a minha tutela “assessorística”, aviso a vocês.

É o caso do Alexandre Klinke. O Alê, meu quase xará, está lançando seu segundo álbum no Brasil, o primeiro, Terreiro, não veio parar aqui, embora tenha caído nas mãos do site Embrulhador, que o colocou na lista de Melhores de 2013. Veja só você! O Lugares álbum que trabalhei durante alguns meses deste ano foi bem complicado de “vender”, termo que a gente usa na assessoria de imprensa, quando vamos mostrar algo para o jornalista na redação.

Não entendi bem qual foi a resistência do pessoal. Talvez a capa não fosse tão artística, a foto não fosse tão caprichada e de longe as coisas parecessem estranhas, mas no fundo não é. O que mais choca neste disco é saber que ele gravou tudo sozinho, todos os instrumentos foram tocados por ele, que é também engenheiro de som. Ele tocou baixo elétrico, instrumentos de percussão, incluindo caixa de fósforos e garrafas de cerveja, viola caipira, pífanos, flautas indígenas e misturou com sintetizadores, samplers e outras texturas eletrônicas. As músicas falam de um não lugar, de como é difícil sair de casa, ficar longe da família, dos amigos, mas também de construir sua própria família em um novo lugar, fazer novos amigos e tentar pertencer. O Alexandre saiu de São Paulo e foi morar em Vancouver no Canadá. Ele só está lá há oitos anos!

Como em “Roma”, que é um belo resumo do que o disco é. “Fui para Roma em 2013. Desde criança eu sonhava em conhecer esse lugar. Comecei a escrever uma letra sobre essa viagem, e me dei conta de que a “Roma” que eu tinha na cabeça antes de ir para lá era completamente diferente da cidade mesmo. Então a letra passou a ser sobre outra coisa, sobre lugares que a gente imagina, cria na cabeça usando de base relatos de outras pessoas, fotos, livros. Também sobre sonhos que tenho de viagens que eu nunca fiz, imagens bem vivas e detalhadas que quando acordo eu quase acredito que já estive lá em carne e osso”, explica o próprio.

O disco é simplesmente viciante. Dá para ver em cada música como ele trabalhou e fez tudo com muito carinho. Ou seja, este álbum é antes de tudo pop, mas também brasileiro, eletrônico e indie. Ou, quando ouvi não parei de deixar no play. Tive que fazer que nem o disco d’O Terno e fingir que esqueci, porque estava ouvindo sem parar. Além do mais, é um disquinho pequeno com apenas oito faixas e que acabam deixando aquele gostinho de “quero mais”.

Escute Lugares, segundo disco de Alexandre Klinke, no Spotify:

 

PS: O trabalho com o Alê, que inclusive acaba de ser pai de seu primeiro filho e teve que se desfazer de seu estúdio em casa, para dar espaço para o baby, acabou mês passado. 😉

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